Teste – Captadores LDR Blues Label

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Sou e sempre fui um grande entusiasta dos produtos nacionais.

Não simplesmente porque são nacionais (não sou ufanista, tampouco xenofóbico), mas porque muitas empresas brasileiras alcançaram um padrão de qualidade conseguido pelas marcas mais famosas do mundo. Com isso, deixamos de pagar impostos abusivos na compra de produtos importados. Outras vantagens são a garantia do produto, a facilidade na assistência técnica e a personalização no atendimento.

Por essas e outras que já não compro captadores importados para minhas guitarras há uns 14 anos. Pelo simples fato de não precisar.

A LDR é uma empresa de São Caetano do Sul, no estado de São Paulo, e surgiu com a proposta de fabricar captadores de alta qualidade com a melhor matéria prima e a melhor tecnologia.

Confesso que isso despertou minha curiosidade.

Recebi o kit do modelo Blues Label e, de cara, fiquei bem contente.

Os 3 single coils estavam em caixas individuais. Cada captador estava acomodado em uma caixa de papelão resistente, identificada com o logo da LDR e o modelo do captador.

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No seu interior, o pickup estava bem aconchegante e protegido em duas espumas e repousava sobre o manual que continha informações sobre ligações, curiosidades e um checklist do controle de qualidade, avalizado com uma assinatura de próprio punho.

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O  modelo tem seus pólos estagiados, garantindo maior equilíbrio e dinâmica de saída entre as 6 cordas.

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A imobilização do captador nos parafusos é feita por molas. Isso também me agradou muito, pois as infames borrachinhas derretem com o tempo e, inevitavelmente, são trocadas por molas… A LDR já nos poupou esse desperdício de material e tempo.

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A bobina é parafinada e bem protegida com a fita adesiva, as soldas são enxutas e bem feitas e os fios condutores são estanhados e bem resistentes.

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A instalação dos captadores numa Fender mexicana ocorreu de forma tranquila. As dimensões obedecem fielmente aos padrões e o encaixe nas cavidades do escudo ocorreu com precisão cirúrgica, sem precisar de nenhum tipo de adaptação.

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As distâncias entre os pólos também foram cuidadosamente calculadas, combinando, com exatidão, com a localização das cordas, permitindo maior fidelidade de captação.

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Estava muito curioso para ouvi-los e pluguei a guitarra no Rotstage CJ50 Plus.

Não sei porque, mas esperava algo cremoso e redondo como o som de Robert Cray, mas para minha surpresa, os falantes do amp despejaram um timbre ardido e brilhante como o de Buddy Guy.

Passado o “susto”, reajustei a equalização do amp e pude curtir melhor os captadores.

No geral, o timbre dos 3 pickups (ponte, meio e braço) é brilhante e com bastante ataque. Possuem, também, grande quantidade de harmônicos, deixando os acordes cheios e projetados. Certamente, os imãs de alnico V são os grandes responsáveis por essa definição.

Outra característica positiva é o baixo nível de ruído, quando utilizados individualmente. Nas posições 2 e 4, o cancelamento dos ruídos é completamente eficaz.

A sonoridade que percebi na posição do braço é de graves discretos, pouquíssimos médios e boas doses de agudos. Os baixos níveis de médios dão a sensação sonora de compressão. A combinação dos graves suaves com os agudos destacados resultam em notas “redondas”, com brilho, grande ataque e percussividade. A beleza do som deste captador no canal limpo do amp, com um chorus stéreo bem carregado é algo difícil de descrever.

À medida que vamos nos aproximando da ponte, o timbre tende a “arder” mais. O pickup do meio ganha uma camada de médios e médio agudos e perde um pouco do timbre “redondo”, típico da posição do braço. A percussividade da palhetada também é muito evidente. Na minha opinião, este é o melhor entre os 3 para licks de country, por ter os médios anasalados já esperados, porém com o brilho e o staccato perfeitos para o estilo!

Na posição da ponte, o timbre é cortante e afiado como uma navalha. Considero a melhor opção para ser utilizada com overdrive. Riffs soam secos e claros, o que obriga a perfeição na execução. Tamanha definição sonora denuncia erros com maior facilidade. Solos na região aguda do braço possuem brilho e ataque. Licks de blues, por vezes, lembraram a sonoridade pontiaguda de uma telecaster. Abaixando o volume da guitarra, me deparei com um crunch seco e denso, que permitia distinguir todas as notas executadas em um acorde. Gostei muito de adicionar um phaser ou um flanger à este crunch e tocar acordes com sabor gospel de bandas como Black Crowes, por exemplo.

As posições 2 e 4, com meio/braço e meio/ponte em paralelo, são excelentes para sons limpos ou chunchs leves. Com sonoridade macia e contida, proporcionada pelas 2 bobinas em paralelo, a posição meio/braço soa mais redonda, enquanto meio/ponte tem um timbre um pouco mais metálico. Nas 2 posições, o cancelamento de humming é total, graças ao Reverse Polarity Reverse Wound (RPRW) do captador do meio!

Estes captadores enriquecem muito o som de uma strato, mas não seguem a referência clássica dos single coils que imaginamos. Quando me convenci de que não estava na minha zona de conforto e parei para fazer um reconhecimento da nova sonoridade que tinha nas mãos, um universo imenso se abriu à minha frente. E, apesar da forte identidade sonora, o Blues Label revela sua versatilidade quando os controles de timbre do amp e da guitarra são explorados.

Depois dessa experiência, fico mais convencido da competência de marcas nacionais. E o mais interessante não é apenas a qualidade do produto, e sim a novidade da proposta. No meu modo de ver, o Blues Label é a prova de que empresas como a LDR não se limitam mais em fazer clones de captadores importados, partindo para ideias ainda não exploradas, mostrando independência e conhecimento sobre seus produtos.


FICHA TÉCNICA

www.ldrpickups.com.br

Imã: Pólos estagiados de Alnico V

Resistências:
– Ponte: 8 K Ohms
– Meio: 7,5 K Ohms
– Ponte: 7,3 K Ohms

Timbre:
– Agudos: 8
– Médios: 6
– Graves: 5

Captador do meio com inversão elétrica e magnética (RPRW)

Fio: Formvar, 43 AWG


Este teste foi realizado com o apoio dos amplificadores valvulados Rotstage.

Visite o site! Vale a pena!

www.rotstage.com

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Um comentário em “Teste – Captadores LDR Blues Label

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