Teste: Gretsch Synchromatic – G1618 Sparkle Jet Gold

GretschSynchromatic

Algumas empresas carregam, em seu nome e seu legado, o peso da responsabilidade de ter ajudado a criar e alterar os rumos da história da música no mundo. Sem a Gretsch, uma das mais antigas fabricantes de instrumentos musicais do planeta, a música hoje, certamente, seria diferente.

Fundada em 1883, no Brooklyn, por um imigrante alemão chamado Friedrich Gretsch, a empresa começou fabricando banjos e baterias.

Friedrich-Gretsch

Em 1916, já era uma das principais fabricantes de instrumentos musicais da América do Norte. A Broadkaster, modelo de baterias lançado em 1935, é o pivô para o surgimento da Fender Telecaster, 15 anos mais tarde.

A linha Synchromatic de guitarras surgiu em 1939, inicialmente como archtop. Em 1998, a Gretsch atualiza o projeto e transfere sua construção para a Coréia.

Existem vários modelos Synchromatic Sparkle Jet, cujos códigos vão de G1615 até G1629, cada um com uma característica específica na pintura ou na construção. O modelo para esse review é o G1618 – Sparkle Jet Gold.

A G1618 é uma guitarra encantadora. Por mais que ela tenha esse visual aparentemente espalhafatoso, bastaram 3 acordes para que eu ficasse completamente envolvido pelo instrumento (e não a vejo mais tão espalhafatosa assim…).

É uma guitarra extremamente leve. Seu corpo, com espessura menor que o padrão, é semissólido, construído com madeira laminada.

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O braço parafusado é de maple, com escala de rosewood e equipado com um tensor de ação simples. Possui scarfjoint e headstock angulado. Os 22 trastes médios são muito bem instalados e as marcações são no formato bolinha, de madrepérola. Não tive nenhum tipo de complicação para executar um ótimo nivelamento de trastes e o esmero na construção do braço me permitiu uma regulagem com ação de cordas baixa e muito macia. O shape em “C” pareceu extremamente anatômico, tamanha a naturalidade com que minha mão envolveu braço, que não é exatamente “magro”, mas bem confortável. A guitarra não é nova e a pestana original possuía algumas rachaduras. Confeccionei uma em osso e, aproveitando a deixa, já corrigi o direcionamento das cordas para as tarraxas.

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A pintura Gold Sparkle merece um parágrafo à parte.

De longe, vemos as partículas de sparkle gerando um brilho diferente por baixo do verniz PU, muito bem aplicado, por sinal.
Mas quando olhamos de perto, nos deparamos com um oceano dourado de brilho caótico, totalmente hipnotizante. A quantidade generosa e o granulado maior do sparkle dão uma sensação de profundidade pouco vista em pinturas deste tipo. Não sei se as fotos transparecerão a ideia que tento passar. Talvez, só vendo pra crer…

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O hardware é todo cromo: tarraxas blindadas e ponte wraparound. Os parafusos na parte posterior da ponte permitem ajuste de oitavas com maior precisão e sem a necessidade de atingir os limites dos parafuso dos saddles.

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A parte elétrica é simples e funcional. Os captadores TV Jones (não originais do modelo) não são desse planeta! Além de ótimos captadores, sua presença na configuração da guitarra refletem a coerência entre sonoridade e visual, além de reforçarem a proposta do instrumento. É a combinação perfeita do visual “glitter rock” com a sonoridade “classic rock”. O ganho moderado dos pickups conduz imediatamente essa guitarra ao território do rock clássico, mas ela também se saiu muito bem no blues e no jazz. Os controles são os mínimos necessários e as intalações não possuem nenhum luxo. Potenciômetros simples e ligações básicas. Como já é de praxe nas guitarras da Gretsch, além dos volumes individuais por captador, existe ainda um volume máster, que fica localizado próximo ao captador do braço.

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Dsc06064Os knobs e os pinos de correia também já se tornaram identidades da Gretsch. São peças de metal, com formatos projetados para acompanhar a vibe visual, misturando o sabor retrô com um certo “futurismo antiquado”, sugerido pela concepção do próprio instrumento.

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Tocar nessa guitarra é algo que dá muito prazer. Tanto pelo conforto que o instrumento proporciona como pelo som que ele produz.

Em certos momentos, encontrei muitas semelhanças com guitarras da Danelectro. Muito provavelmente pelo corpo laminado e semissólido, pelos captadores com sonoridade vintage, e claro, pelo visual totalmente retrô.

A característica sonora da guitarra é uma faixa de frequências médias, natural e constante. O captador da ponte não é agressivo. Ele avança em direção aos agudos, mas as frequências médias “quebram” um pouco aquelas pontadas que, em muitos instrumentos, chegam a soar estridentes demais.

Na posição do braço, os graves não embolam, pois os médios acrescentam brilho e definição, produzindo notas redondas, cheias, porém com formato bem definido.

Com a chave seletora posicionada no meio, os 2 captadores em paralelo geram um timbre anasalado e comprimido, que me fez parar pra pensar em vários LPs de rock clássico e progressivo dos anos 70, de bandas como Jethro Tull, Kansas, The Kinks, Gentle Giant e muitos momentos de George Harrison.

Para um instrumento laminado (o que não considero, de nenhuma forma, algo prejudicial), a guitarra tem um bom sustain e os níveis de ruído são praticamente inexistentes, mesmo com drive.

Plugada no Rotstage CJ50 Plus, a G1618 soou cheia, imponente, com bom ataque e notas bem definidas. O drive, sempre acompanhado com “pitadas” de médios, ocupa bastante espaço, fazendo-me imaginar o “estrago” que essa guitarra faria num power trio. Os acordes saltam cristalinos em qualquer posição do braço e o instrumento possui afinação perfeita.

O volume máster sempre é bem vindo, quando precisamos simplesmente silenciar o instrumento, sem ter que pensar.

A Synchromatic Sparkle Jet Gold é uma guitarra e tanto! Mesmo sendo um instrumento usado, não encontrei nenhum problema que valesse a pena ser citado.

Apaixonante e acessível!

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FICHA TÉCNICA

Modelo: G1618 Sparkle Jet Gold

Corpo:
– 42,5 mm espessura
– Madeira: Hardwood laminado
– Pintura sparcle gold

Braço:
– Parafusado de maple
– Escala de rosewood
– 22 trastes médios
– Scarfjoint
– Tensor ação simples
– Marcação bolinha madrepérola
– Largura: 43 mm na pestana, 56 mm no último traste
– Espessura: 21 mm no traste 1, 24 mm no traste 12
– Raio 14″
– Medida de escala: 24,6″

Elétrica:
– 2 volumes (1 para cada captador)
– 1 volume máster,
– 1 tom máster
– Chave toggle de 3 posições
– Captador Braço: TV Jones Power’tron –  4,97K Ohms, 166 mV
– Captador Ponte: TV Jones Power’tron Plus –  8,49K Ohms, 202 mV

Hardware:
– Ponte wraparound cromo
– Tarraxas 3×3 blindadas cromo


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

Acesse o site! Vale à pena!

www.rotstage.com


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2 comentários sobre “Teste: Gretsch Synchromatic – G1618 Sparkle Jet Gold

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