Teste: Guitarra Variax James Tyler JTV 59

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Vou apresentar um paradoxo: quanto mais adentramos na era da rapidez da informação, a quantidade de ideias revolucionárias diminui em relação ao número de tentativas apresentadas. Em outras palavras, à medida que a quantidade de tentativas de se revolucionar o mundo da música aumenta, mais raras são as ideias que valem à pena. E isso vale para muitas áreas profissionais contemporâneas.

Temos o exemplo da Gibson Robot, lançada em dezembro de 2007. Honestamente, por mais adepto que eu seja da empresa, essa foi uma novidade para a qual torci meu nariz.

A era da tecnologia nos fustiga com toneladas de Mbytes de informação, mas depurando tudo isso, não sobra quase nada de aproveitável.

No meu modo de pensar, a última grande sacada tecnológica no mundo da guitarra foram as Variax.

Lançados em 2002, a proposta destes instrumentos era ter tudo em um.

Cético como sou, não vi com bons olhos a novidade duvidosa. Meu primeiro contato com a guitarra foi numa Expomusic, onde o expositor apresentava as diversas simulações de timbres e instrumentos, desde os violões Martin, passando por single coils, humbuckers, até banjos e violões 12 cordas. Naquele momento, fui apresentado para algo maravilhoso e que, realmente, tinha seu valor.

No ano seguinte, andando novamente pela Expomusic, vi um músico solitário “estraçalhando” uma guitarra com o peso e a massa sonora de uma Les Paul Custom. Terminada a música, ele, na mesma guitarra, tira um dos melhores sons de strato que já ouvi. Eu fiquei parado na frente dele, custando a acreditar naquilo que ouvia…

Me aproximei e vi o logotipo no headstock: Variax.

Ainda eram os modelos antigos, Variax 300, que não possuíam captador magnético.

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Atualmente, essas guitarras evoluíram e ganharam uma certa dose de “normalidade” com a inclusão de captadores magnéticos.

Fiquei absolutamente convencido da grandiosidade deste instrumento, quando tive nas mãos a Variax James Tyler 59, deste teste.

Sua configuração é a mesma de uma Les Paul: corpo de mogno, top de maple, braço de mogno e escala de rosewood. Já dá para imaginar o timbrão do instrumento.

Seu braço é gordo, num shape em “C” generoso, que exige uma senhora pegada.

A regulagem foi muito tranquila. Consegui uma ação de cordas muito baixa e confortável e, apesar parrudo, seu braço é bem anatômico e tocar nessa guitarra é muito fácil e intuitivo.

A junção corpo/braço oferece muito conforto para o acesso às notas mais agudas, lembrando a transição dos instrumentos com braço integral. Essa é uma melhoria pouco praticada em instrumentos com braço colado.

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O top de maple do corpo é escavado num relevo similar ao das Les Paul, porém mais suave e delicado. Os frisos laterais são o próprio maple do top, que não recebeu a camada de tinta e ficou aparente, debaixo do verniz transparente.

_DSC05934A cavidade dos controles é bem planejada. Nela, dividem espaço os potenciômetros passivos (volume e tom máster) e controles ativos de emulação de instrumentos e afinações. O revestimento condutivo minimiza os ruídos e os fios possuem comprimentos corretos.

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A Variax JTV 59 possui 2 saídas: a saída mono comum, para plugs P10 e uma saída digital, chamada VDI (Variax Digital Interface), que fica protegida por um cover plástico com uma mola de pressão, para mantê-lo sempre _Dsc05936_1fechado. A conexão VDI, além de oferecer saída de sinal digital, também faz o papel de entrada AC, para alimentar o circuito eletrônico de emulação.

Os 2 pickups são típicos PAFs, que possuem ganho e resistência moderados, permitindo que a JTV 59 transite por muitos territórios musicais com bastante tranquilidade.

O nut é o modelo Black TUSQ XL auto lubrificante, que reduz a quebra de cordas e diminui o atrito durante a sua passagem pelos slots da pestana.

Clique aqui para mais detalhes sobre o Black TUSQ XL

A ponte possui pontos positivos que merecem ser citados. Os pivôs se encaixam em reentrâncias na ponte, aumentando e reforçando o contato entre os dois. Esse pequeno detalhe resulta em uma grande transferência de vibrações para o corpo do instrumento, colaborando para o sustain e permitindo que as madeiras imprimam melhor suas características físicas na sonoridade do instrumento.

_pivoA ponte da JTV 59 deriva dos modelos wraparound, criadas pela Gibson no começo da década de 1950. Uma das melhoria nas wraparound modernas é um parafuso lateral localizado na parte traseira do pivô, que tem a função de permitir o deslocamento da ponte para frente ou para trás, auxiliando o ajuste de oitavas. Outra melhoria, esta exclusiva da ponte James Tyler custom stoptail, é a utilização de chave allen para o ajuste de altura, que oferece mais precisão e preserva o pivô.

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A parte eletrônica, exclusiva da Variax, começa na ponte, com os captadores piezo L.R. Baggs Radiance Hex.

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Estes geram o pulso elétrico de cada corda e os envia para uma placa de C.I., que processa o sinal e cria os efeitos.

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O controle das emulações é feito através de 2 knobs: o Guitar Model Selector, que liga e desliga o sistema Variax e permite o acesso às emulações de instrumentos, tanto as originais de fábrica quanto as definidas pelo usuário.

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O Alternate Tuning Knob, além de responsável pela escolha da afinação desejada, também trabalha em conjunto com a chave seletora de captadores.

Quando no modo passivo (sistema Variax desligado), a chave seletora apenas seleciona os captadores magnéticos, como uma Les Paul tradicional. Com o sistema Variax ativado, a chave seletora atua como um complemento aos instrumentos emulados, permitindo acesso virtual à outras posições de captadores ou a outros instrumentos. As funções adicionais da chave seletora são ativadas através do Alternate Tuning Knob.

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Ao todo, são 25 instrumentos e 11 afinações disponíveis na configuração de fábrica, onde pode-se fazer uma verdadeira salada grega! Qualquer instrumento com qualquer afinação.

Além de tudo isso, ainda é possível customizar mais dois instrumentos virtuais, diversas afinações malucas e usar tudo isso com um capotraste virtual em qualquer posição do braço! UFA!!!

Além da VDI, o sistema Variax também pode ser alimentado por uma bateria recarregável com autonomia para, pelo menos, 9 horas de uso, localizada na parte traseira do corpo do instrumento.

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Fazer este review da Variax JTV 59 foi uma experiência inesquecível!

Há uma diferença muito grande entre assistir a uma demonstração sobre essa guitarra e empunhá-la, assumindo o controle. E, garanto, é algo que todos deveríamos experimentar, pelo menos uma vez na vida.

As possibilidades são, praticamente, infinitas e, se não tivermos um pouco de serenidade ao tocá-la, a sensação será a de uma criança de 12 anos passeando num parque da Disney pela primeira vez. Certamente, não saberemos o que fazer…

Seu braço é robusto, porém, estranhamente confortável. Toquei facilmente em qualquer região e não encontrei nenhuma dificuldade no neck joint, que sempre é uma das maiores preocupações.

O timbre de seus pickups magnéticos é gordo e imponente, digno de uma Les Paul standard, que se situa muito bem no jazz, no blues e no hard rock. Nada muito mais pesado do que isso.

Apesar de toda escavada, para acomodar a generosa cavidade de controles, a bateria e a placa de processamento digital, a guitarra tem um bom sustain e no seu modo passivo, não deixou nada a desejar a qualquer guitarra mais tradicional. Muito pelo contrário! É uma tremenda guitarra!

Mas o que interessava mesmo era apertar o knob “Guitar Model Selector” e saber, de verdade, o que essa guitarra é capaz de fazer. Como se não fosse suficiente o que já tinha presenciado…

De uma maneira muito geral, os efeitos são extremamente convincentes. As afinações alternativas são precisas e, independente da frequência (alta ou baixa), as notas são claras, bem projetadas, verossímeis e cirurgicamente localizadas.

Com relação à emulação de instrumentos, a impressão é que temos os 25 instrumentos reais à nossa disposição. Alguns violões soaram um pouco artificiais, porém, na minha opinião, a Variax é um instrumento para o palco. E lá, em meio ao som rolando, um violão com 95% de realismo é muito mais prático e bem vindo do que levar vários instrumentos para trocar entre uma música e outra. Fora todos os inconvenientes inevitáveis de se transportar um exército de guitarras e violões.

O estranho mesmo é usar um timbre de Les Paul, mudar para uma strato e continuar com o mesmo braço. Chega a ser engraçado perceber como estamos condicionados à sensações e movimentos específicos associados a determinados sons. Para som de Les Paul, esperamos um determinado tipo de braço e peso. Para sons de strato, a mão já espera outro shape de braço e outras sensações com a guitarra no ombro. Quando essas expectativas involuntárias não são atendidas, o cérebro se perde por alguns minutos. Mas, confortável como a JTV 59 é, bastaram alguns minutos para superar essas pequenas barreiras psicológicas.

Infelizmente, seria impossível descrever em detalhes os 25 timbres disponíveis da Variax. Então, tentei focar em sons que me são mais familiares para construir uma descrição que fosse mais fiel quanto possível.

Escolhi, basicamente, as emulações de instrumentos Gibson e Dobro: Lester (Les Paul Standard), Special (Les Paul Special), Semi (ES-335), Jazzbox (ES-175) e Reso (Dobro).

Lester: Seguindo a concepção da Les Paul Standard, essa opção tem o timbre gordo (de um instrumento com corpo de mogno), porém com uma camada de médios, que resulta em certa percussividade na palhetada, boas doses de brilho e harmônicos, reproduzindo com fidelidade as consequências do top de maple no instrumento emulado.

Special: Timbre mais encorpado e “redondo” que o da Lester, consequência do corpo inteiramente de mogno e do par de captadores P-90 que equipam a Special real. Com menos brilho que a Lester, percebi uma leve sensação de compressão. A sonoridade grave da opção Special, mesmo tendo certa projeção e sustain, combina bastante com jazz.

Semi: A sonoridade tem o mesmo “redondo” da Special, porém é mais apagado, opaco,  com menos punch e menos projeção sonora. Mesmo assim, Semi e Special são muito parecidos.

Jazzbox: Um dos timbres mais bonitos, possui menos grave e menos sustain que a opção Semi. Ajustando o controle de tonalidade, é possível chegar na sonoridade ideal para o jazz, que não necessariamente é grave. Nesse caso, possui algum ataque, um “quê” de metálico, porém bastante opaco e com pouco sustain. Essas características são necessárias: se o timbre dessa opção fosse excessivamente grave, quando somado à tonalidade fechada, certamente embolaria e perderia definição. Ótima sacada e sensibilidade dos projetistas.

Reso: Bastante fiel. Timbre duro, metálico, com muitos médios e pouco sustain. Reproduz com realismo impressionante a sonoridade dos cones sob o cavalete, que aumentam o volume e dão o timbre metálico ao instrumento. Uma das posições mais honestas da Variax.

Depois de explorar as possibilidades de uma guitarra única como a JTV 59, fico pensando nos nossos impulsos de comprar modelos Strato, Tele, Les Paul, Rickenbacker, etc., para ter várias sonoridades à disposição. Com a Variax, precisamos de apenas uma guitarra. Ela provou (pelo menos, para mim) dar conta de todas com certa tranquilidade.
O duro é, novamente, ter que devolver o instrumento ao seu dono. Mas tudo bem… Passamos bons momentos juntos…

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FICHA TÉCNICA

Modelo:  Variax James Tyler JTV 59

País de Fabricação: Coréia

Site: http://www.habro.com.br/line6/produtos-jamestyler.asp?id=633&nome=JTV%2059%20-%20James%20Tyler%20Variax%2059&tipo=jamestyler

Braço:
– Madeira do braço: Mogno (colado)
– Madeira da escala: Rosewood
– Formato do braço: Tyler ’59
– Marcação: Dot em madrepérola
– Largura: 43,5 mm na pestana x 57,5 mm no traste 22
– Espessura: 22 mm no traste 1 x 24 mm no traste 12
– Comprimento da escala 623 mm (24 9/16″)
– 22 trastes medium-jumbo
– Nut: Graph Tech Black TUSQ XL Self Lubricating Nut

Corpo:
– Madeira do corpo: Mogno
– Top: Maple escavado

Captadores:
– Captador do Braço: James Tyler designed PAF-style alnico: 12,7 K Ohms, 200mV
– Captador da Ponte: James Tyler designed PAF-style alnico: 13,2 K Ohms, 350 mV
– Captadores Piezo LR Baggs RadianceT hex: 14,15 KOhms, 180 mV

Hardware:
– Ponte: James Tyler custom stoptail
– Tarraxas: Blindadas, precisão 16:1

Controles:
– Volume, Tone, 3-Way Switch
– Controles Master volume, Tone, Guitar Model, Alternate Tuning, e chave 3 posições
– Seletor de modelos de guitarra: Knob rotativo 12 posições. (Função Push selecione entre a captação magnética ou modelação)
– Seletor de afinações alternativas: Knob rotativo 12 posições. Função com mais 3 modelos na chave 3 posições

Conexões:
– Jack de saída padrão 1/4
– VDI digital I/O , 10.5, 10.6

Sistema de Bateria:
– Lithium-Ion battery com carregador externo. 12 horas de funcionamento e tempo de recarga de 6 horas

As opções de instrumentos são:
– Coral/Dano Electric Sitar
– Danelectro 3021
– Dobro Alumilite – 1935
– Epiphone Casino – 1967
– Fender Stratocaster – 1959
– Fender Telecaster – 1968
– Fender Telecaster Custom – 1960
– Fender Telecaster Thinline – 1968
– Gibson ES-175 – 1957
– Gibson ES-335 – 1961
– Gibson Firebird V – 1976
– Gibson J-200 – 1995
– Gibson Les Paul “Goldtop” – 1952
– Gibson Les Paul Custom (3 PU) – 1961
– Gibson Les Paul Junior – 1956
– Gibson Les Paul Special – 1955
– Gibson Les Paul Standard – 1958
– Gibson Mastertone Banjo
– Gibson Super 400 – 1953
– Gretsch 6120 – 1959
– Gretsch Silver Jet – 1956
– Guild F212 1966
– Martin D 12-28 1- 970
– Martin D-28 – 1959
– Martin O-18 – 1967
– National Style 2 “Tricone” – 1928
– Rickenbacker 360 – 1968
– Rickenbacker 360-12 – 1966

As afinações disponíveis:
STANDARD: E A D G B E
– DROP D: D A D G B E
– 1 DOWN: D G C F A D
– 1/2 DOWN: Eb Ab Db Gb Bb Eb
– DROP Db: Db Ab Eb Gb Bb Eb
– DADGAD: D A D G A D
– OPEN D: D A D F# A D
– BLUES G: D G D G B D
– RESO G: G B D G B D
– OPEN A: E A C# E A E
– BARITONE: B E A D F# B


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

Acesse o site! Vale à pena!

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Obrigado!

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4 comentários em “Teste: Guitarra Variax James Tyler JTV 59

  1. Saudações amigo sabe dizer por que a bateria da jtv 59 tem 3 pólos,tem como fazer uma fonte para ela não estou conseguindo achar para comprar.
    Fica na paz.

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  2. Tenho uma jtv 69 e realmente incrível a versatilidade, também tive este efeito psicológico ao tocar violões por exemplo, quanto aos timbres acústicos o único problema é que mesmo na saída digital ele sai mono, o que no palco não atrapalha em nada mas em gravações precisam ser compensadas com efeitos de ambiência, assim fica perfeito depois de mixado nota 10 em tudo!

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