Teste: Guitarra Epiphone Riviera Custom P93 Limited Edition

Riviera_P93Eu conservo um grande respeito e admiração por empresas reconhecidamente antigas, que ajudaram a forjar a imagem da música e dos instrumentos, deixando um legado físico e intelectual valiosíssimo para as gerações futuras: nós.

Em 1915, Epaminondas Stathopoulo assumiu a empresa de restauração e construção de instrumentos musicais do pai, recém falecido, Anastasios Stathopoulo.

O nome “The house of Stathopoulo” mudou para Epiphone, que é a junção de “Epi”, diminutivo de Epaminondas e “phone” (em grego, foní), fazendo referência a “som”. A segunda guerra mundial trouxe grandes dificuldades para a empresa que, em 1957, foi vendida para a Gibson por U$20.000,00, retirando definitivamente a família Stathopoulo do mercado musical.

O modelo Riviera, original de 1962, tem poucas diferenças deste relançamento de 1994. O instrumento tem um charme natural, até pela semelhança com outro modelo tradicionalíssimo da Gibson, a ES-335.

Seu visual é clássico e impõe respeito. A Epiphone mantém um formato maior de headstock, exclusivo para instrumentos acústicos e semiacústicos, que transparece uma vibe vintage ou retrô. Isso intensifica essa proposta vintage ou retrô do instrumento como um todo. E a impressão que tenho é que a Riviera foi inteira projetada para nos levar para uma viagem no tempo, rumo à decada de 1960.

Dsc06216

O braço, apesar de denominado “Slimtaper”, não tem nada de slim. É gordo e massudo. Não chega a ser desconfortável, até pela proposta natural do instrumento mas, para quem está acostumado a tocar com instrumentos que passaram por “atualizações”, a Riviera exige alguns minutos para a mão da escala acostumar com as medidas além do comum. Depois de um tempo, já me senti mais à vontade para explorar a guitarra.

A instalação dos trastes não foi 100% perfeita. Em alguns pontos, é perceptível que o traste não assenta completamente sobre a escala.

trastes

Porém, o braço sem deformações e os trastes médios com altura razoável permitiram uma regulagem com ação de cordas baixa e confortável, fazendo a mão sentir ainda mais o braço e, o que parecia grande e desconfortável se mostrou bem anatômico, com um propósito para ser.

O corpo semisólido tem uma acústica natural, porém, limitada pelo bloco central em mogno, que impede a reverberação plena e confere uma sonoridade mais “dura” e metálica, comparada a um instrumento essencialmente acústico, como uma ES-175, por exemplo. Mas o maple presente nas laterais, tampo e fundo garantem mais volume e brilho no resultado final. Temperado com a maciez do mogno no braço, já dá pra imaginar a sonoridade brilhante e sem agressividade, com médios e ataque moderado que este instrumento tem.

Foi inevitável não perceber certa falhas na pintura, onde o vermelho invade a região do friso. Não que a qualidade, como um todo, fique comprometida, mas um instrumento que vai conquistando aos poucos acaba criando uma grande expectativa quanto à sua pefeição…

friso

Mas também é impossível negar a beleza do vermelho translúcido do verniz altamente brilhante, deixando aparente as figurações do maple.

maple_eletrica

maple_top

Os f-holes sem friso caíram bem para equilibrar o visual do instrumento. Talvez, a guitarra ficasse poluída com Bigsby dourada e friso nos f-holes.

F-holes

Falando em Bigsby, é uma das pontes mais bonitas que conheço e, mesmo tendo certas limitações, esse modelo B70 dourado ficou perfeito para colaborar com a mensagem visual deste instrumento.

Para fazer par com esta bela ponte, a Riviera é equipada com tarraxas vintage, também douradas, fortalecendo cada vez mais o visual da guitarra.

ponte2

tarraxas

 Essa guitarra tem uma peculiaridade na elétrica que, apesar de não ser novidade, não são todos os modelos que trazem essa melhoria (na minha opinião).

Com o passar dos anos, a Riviera já teve captadores humbuckers e minihumbuckers. Essa versão possui um set de 3 captadores P-90 Epiphone.

Os 3 P-90 têm controles individuais de volume, porém, apenas o captador da ponte e o do braço estão ligado na chave seletora. O pickup do meio vai direto para o volume. Isso quer dizer que os caps do braço e da ponte são controlados normalmente, como uma Les Paul Standard, por exemplo, e o pickup do meio pode ser acrescentado (ou retirado), em qualquer situação, através de seu volume. Pode fazer par com a ponte, com o braço ou estar sozinho. Para isso, basta fechar o volume dos caps da ponte e braço e abrir o volume do captador do meio. Esse pequeno detalhe gera muitas possibilidades sonoras e é extremamente útil em várias situações. Somando-se isso à sonoridade ímpar dos próprios captadores, nos deparamos com uma verdadeira máquina geradora de sonoridades.

E como se não bastasse, a guitarra ganhou um ar mais cru e roqueiro com o visual soturno e arrebatador dos P-90 dog ear.

captadores

volumes

 Os potenciômetros têm o giro suave e gradual. A parte elétrica foi feita com capricho, com soldas de boa aparência e fios com comprimentos corretos. A chave seletora não apresenta chiados nem falhas durante o acionamento.

Uma das poucas coisas que não aprovei na Riviera foi o fato de os captadores não possuirem ajuste de altura. O parafuso que fica na extremidade da capa apenas fixa o captador no corpo da guitarra. A altura de cada um já é pré-determinada de fábrica.

captadores_altura

A Epiphone Riviera Custom P93 possui garantia vitalícia da Epiphone, contra defeitos de materiais e de construção.

A experiência de tocar numa Riviera é reveladora, pois só com ela nas mãos podemos vislumbrar do que é capaz.

Sua construção semiacústica confere ao instrumento uma camada natural de frequências médio-graves, fazendo constante um quase imperceptível anasalado em sua sonoridade.

Os captadores P-90 que a equipam, por serem single coils, também trabalham da região dos médio-graves e graves. Mas, no meu modo de ver, dois fatores são primordiais que tornam esse instrumento tão versátil: o maple do corpo traz definição ao timbre, não deixando anasalar demais e perder o ataque e os níveis razoáveis de saída dos captadores fornecem corpo à sonoridade do instrumento. Com isso, a Riviera se torna uma poderosa ferramenta de trabalho, fazendo um papel quase de curinga no setup de um músico.

Os modelos de captadores que equipam essa guitarra possuem ganho razoável e projeção sonora. A estrutura do modelo P-90 gera uma sonoridade peculiar, com clareza sonora e ótima resposta à dinâmica da palhetada. Essa definição sonora a coloca com tranquilidade no território do blues e do rock. Equalizando os volumes e as tonalidades do instrumento e do amplificador, ela salta direto do rock para o jazz e a bossa com a mesma desenvoltura, sem comprometer a qualidade da música.

Seu braço é gordo, mas de fácil compreensão. Bastaram poucos minutos para a estranheza ficar para trás e me sentir à vontade em qualquer região. Acordes no final do braço e licks nas primeiras casas foram executados com certa normalidade e com coerência sonora.

O stud (ou cavalete) está posicionado corretamente, o que permitiu ajuste preciso das oitavas.

Apesar da ponte ter sérias limitações com relação à sua alavanca, surpreendentemente desafinou pouco. Mas os problemas de afinação ocorrem com frequência nesse tipo de ponte. É fundamental entender seu funcionamento, suas limitações e sempre ter parcimônia em sua utilização.

Eu sempre digo que, antes de definir uma opinião sobre um instrumento, é preciso conhecer sua sonoridade e entender sua proposta. Isso faz toda a diferença. É o conjunto de funcionalidades e características que, somados, criarão a identidade do instrumento. Apesar de alguns pontos não serem do meu agrado total, a Riviera se mostrou um instrumento excelente e com personalidade. O mais bacana, na minha opinião, é que essa personalidade pode ser utilizada para definir a identidade da própria música. Não é uma guitarra para qualquer um. Acredito que músicos experientes tenham melhores condições de explorá-la devidamente do que os iniciantes.

Riviera


Ficha técnica:

Modelo: Epiphone Riviera Custom P93 Limited Edition

País de fabricação: China

Site: http://www.epiphone.com/Products/Archtop/Riviera-Custom-P93.aspx

Corpo:
– maple laminado com bloco central de mogno
– Pintura: Wine red

Braço:
– colado de mogno
– Espessura: 22,5 mm (no traste 1) x 26 mm (no traste 12)
– Largura: 43 mm (na pestana) x 58 mm (no traste 22)
– Escala: rosewood com marcações em paralelogramo perolado
– 22 trastes médio jumbo
– Raio de escala: 12 polegadas
– Tensor: ação dupla

Elétrica:
– Captador ponte: Epiphone P-90 clássico com Alnico V – 9,14 K Ohms e picos de aprox. 210mV
– Captador meio: Epiphone P-90 clássico com Alnico V – 9,09 K Ohms e picos de aprox. 280mV
– Captador braço: Epiphone P-90 clássico com Alnico V – 9,11 K Ohms e picos de aprox.240mV
– 3 volumes (1 por captador)
– 1 tom máster
– chave seletora toggle de 3 posições

Hardware:
– Ponte: LockTone Tune-o-matic + Bigsby modelo B70, dourados
– Tarraxas 3×3 Wilkinson vintage douradas


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

Acesse o site! Vale à pena!

www.rotstage.com


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