Teste: Washburn Stevie Salas

WasburnStevieSalas2
Eu tenho uma maneira muito particular de apreciar um instrumento. Não elogio apenas pelas belas madeiras, pela construção precisa, acabamento impecável ou escolha acertada do hardware e captadores. Quando vejo um instrumento que, inicialmente, me parece interessante, a primeira informação que busco é sua história e da empresa ou pessoa que o fabricou.

Acho que já deu para perceber, pelos meus artigos anteriores, que alimento uma admiração especial por empresas antigas, que conseguiram, de alguma maneira, atravessar os longos anos de história e imprimir seu nome e sua identidade no mundo da música para sempre.

À primeira vista, esta parece ser uma visão poética e, sob certos aspectos, até é mesmo. Mas um dos pontos que mais me chamam a atenção é a evolução dos instrumentos, da tecnologia, do design e o sacrifício dos homens que batalharam tanto para isso acontecer.

Empresas como a Gibson, por exemplo, tiveram o início marcado pela fabricação de excelentes e inovadores mandolins. Alguns tinham o braço oco (hollow neck) para intensificar os graves.

MandolinHollowNeckO mandolin acima não é um Gibson, mas exemplifica bem um hollow neck.

A Rickenbacker foi a primeira a comercializar um instrumento elétrico, o lap steel Frying Pan.

FryingPan

Já Leo Fender se inspirou em alguns modelos de banjos fabricados pela Gretsch, os quais possuíam braço parafusado, para projetar sua Esquire. Gerhard Almcrantz já fabricava, em 1895, violões com braço parafusado – técnica atualmente utilizada pela Taylor.

Vontade não me falta para tecer uma imensa lista de nomes como Orville H. Gibson, Clarence Leonidas Fender, Adolph Rickenbacher, Friedrich Gretsch, Christian Frederick Martin, Anastasios Stathopoulo, Paul Tutmarc, George Washburn Lyon e tantos outros para denotar a importância destes homens e como determinaram, de certa maneira, o nosso comportamento nos dias de hoje. Oportunamente, através do meu blog, prestarei a devida homenagem a cada um deles.

A Washburn começou com a fabricação de violões, em 1883. Sob minha visão, sua trajetória é marcada por excelentes instrumentos, que são, declaradamente, itens de desejo para muita gente.

Eu “enxerguei” a Washburn pela primeira vez através do modelo CS780, o qual me hipnotizou e conquistou imediatamente.

WashburnCS780White

WashburnCS780Purple
Em 2012, tive outro encontro com uma guitarra Washburn. Dessa vez, foi para a coluna de testes da Guitar Player brasileira nº 192, onde escrevi uma matéria sobre a WM24 Renegade que, diga-se de passagem, é um excelente instrumento.

WashburnRenegade

Para este review, trago uma guitarra impressionante, tanto pela beleza quanto pela sua funcionalidade. Como uma maravilhosa herança deixada por Grover Jackson, enquanto trabalhou como responsável pela seção de custom shop da Washburn, a Stevie Salas é uma flecha limpa e curta, onde o tiro é certeiro e eficaz!

A configuração da Stevie Salas é simples e sem muitas firulas.

Seu braço de maple com escala de rosewood, apesar de magro e confortável, é absurdamente estável. A regulagem foi tranquila e consegui atingir todos os objetivos de curvatura do braço, ação de cordas e entonação sem nenhuma dificuldade. O shape do braço é um “C” suave e raso. A mão da escala envolve todo seu contorno com muita naturalidade. O cutaway inferior e a junção rebaixada permitem acesso fácil aos últimos trastes.

braço

Eu gosto, particularmente, dos headstocks da Washburn. O da Stevie Salas, acompanhando o conceito da guitarra, é enxuto e funcional. Seu tamanho reduzido e seus contornos simplificados o tornam discreto e harmonioso com o restante do instrumento.

headstock

A junção do braço ao corpo possui um rebaixo que facilita a pegada naquela região.

juncao

Os trastes médio jumbo foram bem instalados e ajudaram muito durante o nivelamento. Possuem boa altura e pude fazer todo o trabalho com bastante tranquilidade.

trastes

A marcação é de bolinhas em madrepérola, instaladas na metade superior da escala de rosewood .

marcacao

O corpo é construído com 3 partes de um ash bastante figurado e uma folha de flamed maple no top, valorizando incrivelmente o púrpura translúcido do acabamento.

back

top

Apesar do ash, este não é um instrumento pesado. Pude tocar por bastante tempo com a correia no ombro, sem sentir maiores incômodos.

As tarraxas Grover 305 utilizadas no modelos são excelentes. O ratio 18:1 permite o alcance da afinação com precisão cirúrgica e muita rapidez, além de estabilizar em pouquíssimo tempo. São discretas e combinam perfeitamente com o visual da guitarra.

tarraxas

A ponte flutuante é de propriedade da Washburn e cumpriu perfeitamente seu papel. Não desafinou nas alavancadas, que, após ajustadas as molas, ficaram macias e confortáveis. A microafinação também foi perfeita. Todos os parafusos tinham um grande aproveitamento de curso de rosca, permitindo variar quase um tom para cima e para baixo da afinação estabelecida.

ponte

O abaixador de cordas é sempre uma grande sacada em instrumentos que possuem lock-nut. As cordas bem rebaixadas praticamente anulam os problemas de afinação, durante o ato de travar a pestana.

AbaixadorDeCordas

Talvez, um único detalhe destoou neste instrumento. O acesso ao tensor é impossível de ser praticado sem a retirada do braço. Apesar de visível, o espaço entre a abertura de acesso ao tensor e o captador do braço é metade da distância necessária para podermos inserir uma chave allen e realizar o ajuste. Repare que a chave, à esquerda do captador, é bem maior que o espaço disponível.

AcessoTensor

A Washburn Stevie Salas me causou uma sensação curiosa, pois é um instrumento extremamente fácil de tocar. Todo o conjunto ponte/captadores/braço é um pouco deslocado para trás, deixando um espaço menor entre o final do corpo e a ponte. Isso deixa o instrumento, como um todo, algumas polegadas menor, resultando em mais ergonomia e conforto.

Tanto sentado, com a guitarra no colo como em pé, utilizando correia, a tocabilidade é, no geral, bem mais fácil do que muitos instrumentos mundialmente consagrados.

Seu timbre é vigoroso, possui ímpeto sem ser ardido e agressividade sem ser violento. Funciona muito bem no hard rock e no metal. O blues ficou mais moderno, sem perder a identidade. Para o jazz, no meu modo de ver, a guitarra soou mais metálica e “dura” do que eu gostaria.

Seu corpo de ash com top de maple lhe conferem muita clareza e nitidez. O ash, principalmente, acrescenta uma boa camada de médios na sonoridade deste instrumento. E com madeiras tão densas, este é um instrumento que só poderia ter um sustain gigantesco.

madeiras

As notas pulsam brilhantes e com ataque. Os 3 pickups humbuckers “amaciam” um pouco as coisas, mas não a tiram do território das pentas e dos bends.

pickups

Plugada no Rotstage CJ50 Plus, a Stevie Salas soou grande e direta, com power chords maciços, acordes definidos e cheios e solos destacados e nítidos.

A execução dos acordes ou solos é quase intuitiva. As cordas 010 instaladas ficaram com ação muito baixa, sem trastejamentos. A mão passeia pela escala sem esforço. A digitação e os bends parecem mais fáceis e de tão confortável, essa guitarra tende a deixar tudo mais descomplicado e bonito.

acao

Pessoalmente, achei essa guitarra apaixonante! Depois de regulada e testada, foi impossível não pensar em ter uma dessas! Para músicos de rock e pop, este instrumento é um verdadeiro oásis de sonoridade e funcionalidade.

headstock2


Ficha técnica

Modelo: Washburn Stevie Salas Signature

País de fabricação: Coréia

Braço:
– Maple one piece
– Escala de rosewood
– 22 trastes médios
– marcação bolinha madrepérola na metade superior da escala
– Largura: 43 mm na pestana x 57 mm no final do braço
– Espessura: 19,5 mm no traste 1 x 20,5 mm no traste 12
– Tensor na base do braço

Corpo:
Ash
– Top: folha de maple

Elétrica:
– 1 volume máster
– 1 tom máster
– Chave de 5 posições
– Captador do braço: Duncan Design Humbucker Single Sized, 11,88K – 130mV
– Captador do meio: Duncan Design Humbucker Single Sized, 11,83K – 150mV
– Captador da ponte: Duncan Design Humbucker Single Sized, 11,69K – 166mV

Hardware:
Tarraxas Grover 305, ratio 18:1
– Ponte Washburn 600-S


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.


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