Teste: Guitarra Fender SRV Signature

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Conheci SRV tardiamente, em 2003, quando ainda estudava guitarra. Até então, blues para mim se resumia em Lightnin Hopkins, Muddy Waters e Robert Johnson. Quando escutei SRV pela primeira vez, seguindo conselhos de meu professor de guitarra, enlouqueci!

Comprei vários CDs e DVDs, pois estava maravilhado com a ferocidade com que SVR tocava.

Vale a pena conferir suas performances na música “Third Stone From the Sun”, onde o guitarrista literalmente sobe com os dois pés em cima de sua guitarra, após jogá-la de um lado para outro, no chão do palco.

SRV

Dos seus vários instrumentos, duas Fender Stratocaster ganharam fama especial: A “One” e a “Lenny”.

One SRV_Lenny

A guitarra deste review é uma signature de SRV baseada na One mas, como veremos, não é uma réplica.

A One original foi adquirida por SRV em uma loja de instrumentos usados, em 1974. Ela é formada por partes de diferentes guitarras. O braço é de uma strato ano 62. O corpo vem de uma 63 e os captadores são de 1959. Daí vem o segundo apelido dessa guitarra: 59.

O modelo signature foi lançado em 1992, pela Fender.

Quando a recebi em minha oficina e abri o case, quase ajoelhei na sua frente. É realmente um instrumento bastante imponente, até pela sua associação imediata com o próprio SRV.

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O visual é enlouquecedor e o hardware dourado ajuda a valorizar sua beleza.

O corpo tem pintura sunburst com verniz PU (a One original possui verniz nitro ou algo do que sobrou do verniz) e a transição do caramelo para o  preto é perfeita, pois o degradee é um esfumaçado suave, sem respingos ou pontos de tinta.

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Dentre as diferenças que caracterizam as 2 guitarras, a mais gritante é percebida na primeira olhada. A signature é vendida como uma guitarra nova, enquanto a One original era absolutamente surrada.

Sua especificação é básica, sem grandes revoluções. No entanto, a configuração personalizada, que atende a necessidades pontuais de SRV, é que a torna um instrumento único e tão especial.

Seguindo o velho padrão da Fender, o braço parafusado de maple é extremamente confortável. Os trastes estão muito bem instalados, completamente assentados na escala e bem acabados, sem pontas laterais.

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A One original possui 21 trastes jumbo. O modelo deste review possui trastes médios, que deixam o braço mais exposto ao toque, passando a sensação de intimidade com o instrumento.

Outra diferença é o shape do braço: enquanto o formato do braço da signature é um “C” esguio e confortável, a One tem o braço em “D”, com uma pegada mais cheia.

Selecionado à dedo, o Pau ferro da escala, com sua figuração bem expressiva, é um show à parte.

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Apesar do raio de escala de 10 polegadas, que obriga uma altura maior nas cordas, foi muito fácil tocar nessa guitarra. Bends, vibratos e escalas foram executados com grande conforto e prazer. O segredo está na regulagem perfeita que a guitarra, gentilmente, permitiu que fizesse nela.

O ajuste no tensor é realizado no final do braço. Apesar de isso significar certa dificuldade, pois há a necessidade de retirar o braço para o ajuste, este é muito estável e não precisou de muitas tentativas. Na verdade, o tensor quase não foi exigido na regulagem. O braço, por si só, já foi suficiente para suportar a tensão das cordas.

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É certo que, neste instrumento, não foi instalado um encordoamento de calibre .012 ou .013, como SRV gostava, mesmo assim, uma .010 exerce uma força considerável, de aproximadamente 46 kg, que o braço segurou tranquilamente.

Para mim, hardware dourado é um verdadeiro atestado de elegância, algo que essa guitarra tem de sobra. As tarraxas vintage e o icônico trêmolo para canhoto, ambos dourados, enfatizam as cores quentes e saturadas do instrumento.

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As tarraxas merecem um destaque, pois o movimento de afinar e desafinar é firme e sem folga. As buchas das tarraxas seguram o poste no lugar e colaboram para a ótima afinação do instrumento.

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Com instalação limpa e enxuta, a elétrica da guitarra conta com 3 captadores Fender Texas Special, volume máster, 2 tons e chave seletora de 5 posições. As soldas são muito bem feitas e os fios possuem comprimentos corretos.

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Os três potenciômetros CTS têm variação sem saltos.

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Com transição suave e firme, o pot logarítmico de volume tem funcionamento preciso. Com 25% de giro, tive metade do volume total. Com 50% de giro, o volume é quase nulo.

O pot de tonalidade corta agudos específicos, deixa o timbre redondo, macio e com vida, preservando a dinâmica e o sustain.

Uma das grandes características que tornou essa guitarra famosa e tão fortemente associada a SRV são os captadores Fender Texas Special. Esses pickups já são conhecidos pelo som forte e ardido, porém, nas mãos de SRV, eles foram (e)levados a outros patamares.

Sempre que me deparo com um kit de Texas Special na minha oficina, procuro explorar esses captadores, buscando a fórmula sonora de SRV. E nunca consigo. Vou mais além: nunca vi esses captadores soarem tão bem nas mãos de outra pessoa. Vaughan se sintonizou com sua guitarra e com os pickups de uma maneira que não mais é possível dissociar um do outro, como uma simbiose que deu muito certo.

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Os captadores possuem pólos estagiados e, graças a isso, as cordas 1 e 2 alcançam equilíbrio perfeito de saída, algo raro de se ver por aí. Tanto preciosismo com equilíbrio de saída em single coils, só encontrei no set de Custom 69, também da Fender.

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O pickup de ponte apresenta sons cortantes, com muitos agudos e médio agudos.

Um pouco mais contido, o captador do meio nos entrega médios macios e destacados.

No braço, temos graves e médio graves com brilho, numa sonoridade redonda e agradável. E muita, muita massa sonora.

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Sempre me pergunto quanto um instrumento específico ajuda a forjar a identidade sonora do músico. Assim como SRV e sua strato, podemos observar casos como Hendrix, Steve Harris, Chris Squier, Robert Johnson, etc. Eric Clapton é um caso clássico, pois enquanto utilizava instrumentos Gibson, tocava um tipo de música. Ao adotar as Stratocaster, mudou também o estilo musical. Quem iniciou as mudanças? A música ou o instrumento?

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O fato é que a One e, consequentemente, a signature deste review são instrumentos concebidos para o blues rock texano.

Alguns elementos obrigatórios estão fartamente presentes neste instrumento. Bastante massa sonora, ataque, expressividade e dinâmica que obedece à palhetada.

O crunch vem fácil nos volumes altos. Com drive, a guitarra se transforma num trator, com sonoridade forte, cortante e sustain absurdo! O bloco ponte possui bastante massa e colabora para o sustain.

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Palhetadas em stacatto disparam notas secas e ardidas, com muito ataque e expressão e os harmônicos artificiais são muito fáceis de tocar.

Me senti “O” blueseiro, mesmo não sendo um de verdade.

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A combinação das madeiras, shape de braço e pickups Texas Special resultou em sonoridade típica e perfeita para o blues texano ao qual está associada e criou uma guitarra que suplica por pentas, bends e vibratos.

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Cowgirl verdadeira e única!

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Ficha técnica

Página: http://intl.fender.com/en-BR/guitars/stratocaster/stevie-ray-vaughan-stratocaster-pau-ferro-fingerboard-3-color-sunburst/

Modelo: Stevie Ray Vaughan Stratocaster

País de fabricação: USA

Braço:
– Maple parafusado
– Escala de pau ferro
– 21 trastes médios
– marcação bolinha branca
– Largura: 42,5 mm na pestana x 56,5 mm no final do braço
– Espessura: 21mm no traste 1 x 24 mm no traste 12
– Tensor na base do braço, barra simples, ação simples.

Corpo:
– Alder
– Pintura sunburst, verniz PU.

Elétrica:
– 1 volume máster
– 2 tons
– Chave de 5 posições
– Captador do braço: Single Coil Texas Special – 6,42 K Ohms, 90 mV
– Captador do meio: Single Coil Texas Special – 6,51 K Ohms, 118 mV
– Captador da ponte: Single Coil Texas Special – 6,89 K Ohms, 145 mV

Hardware:
– Tarraxas: Fender American Vintage
– Ponte: Fender American Vintage Synchronized Tremolo, saddle 10,8 mm


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

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