Teste: Baixo Fender Jazz Bass Geddy Lee

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O ano era 1959. A Fender já desfrutava de sua notoriedade com uma linha de instrumentos arrebatadores: a grande precursora Telecaster de 1951, a acertada Stratocaster de 1954, a Jazzmaster de 1958, que não fez muito barulho na época de seu lançamento, mas se recuperou bem, posteriormente, e o contrabaixo que prometia a precisão que só instrumentos com trastes poderiam oferecer: o Precision de 1951.

Nesse cenário, Leo Fender achou que sua produção era bem servida (para a época), mas precisava de um novo modelo de contrabaixo.

Em março de 1960, o mundo conheceu o Jazz Bass sunburst, que podia ser comprado por incríveis U$279,50. O nome foi escolhido devido à semelhança do shape com as guitarras Jazzmaster, porém, nenhum dos dois instrumentos, num primeiro momento, fez sucesso com músicos de jazz.

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Ainda assim, não demorou muito para o Jazz Bass, junto com a Stratocaster, se tornar o carro chefe da Fender.

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O Jazz Bass Geddy Lee, fabricado no Japão, apresenta características que o associam diretamente com o baixista do Rush, como bastante ataque (que o torna ótimo para slaps), grande massa sonora e timbre definido e cristalino. Os acordes soam claros, com todas as notas audíveis.

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De cara, o visual já chama atenção, com o contraste das partes claras do maple do braço e do escudo branco com a pintura preta muito bem polida, em poliéster.

O braço, extremamente confortável, é do tipo one piece, com tensor colocado por trás, e os marcadores são pretos em formato de bloco. Suas dimensões são certeiras: não são pequenas, deixando a tocabilidade incômoda, nem maiores do que o normal, dificultando o ato de tocar. O verniz poliuretano utilizado não tem pigmentação, mostrando um maple extremamente claro e com belas figurações, formadas pelas fibras da madeira.

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No que diz respeito à acabamento, o cuidado com os detalhes foi primoroso. A colocação dos trastes é perfeita e o encontro destes com o verniz do braço não apresenta espaços nem sobras de verniz.

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Este esmero também é visível nos detalhes do friso, instalado com perfeição no maple e sob as extremidades dos trastes.

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Apesar de instalado com a porca no final do braço, o ajuste no tensor pode ser feito apenas com a remoção do escudo.

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Na base do headstock, é possível observar o preenchimento da cavidade com madeira escura, gerando um bonito contraste com o maple.

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O alder utilizado no corpo não é muito pesado e sua associação com o maple do braço é um dos grandes responsáveis pelo timbre aberto deste instrumento.

O modelo vem equipado com tarraxas tradicionais Open Gear, da Fender.

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Com bastante massa metálica, que age diretamente no timbre e sustain do instrumento, a ponte BADASS BASS II transmite confiança.

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Seus parafusos possuem grande curso para ajuste de oitavas, tornando a regulagem um processo bastante tranquilo.

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Outro grande responsável pelo timbre tão característico é o par de captadores Vintage Single-Coil Jazz Bass passivos, que soam muito mais orgânicos e conseguem harmonizar com perfeição timbre encorpado, brilho e definição, gerando destaque e nitidez para linhas melódicas.

A parte elétrica é enxuta e bem feita, com todo o circuito passivo. O comprimento dos fios é correto e as soldas bem feitas. A cavidade da parte elétrica não tem blindagem, pois o sistema de aterramento é bastante competente.

Os controles seguem o padrão do modelo: volume individual de captadores e tonalidade máster.

 

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Todo esse capricho, somado à qualidade dos componentes, como os potenciômetros CTS, garantem níveis de ruído praticamente nulos.

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Este é o tipo de instrumento que dá prazer em empunhar e tocar. O shape ergonômico e a sonoridade cristalina faz o tempo passar mais rápido.

O captador da ponte tem uma camada de médios quase pontiaguda, ideal para slaps e levadas funk.

Numa mistura encantada de graves, massa sonora, nitidez e brilho, o captador do braço solta notas redondas e fáceis de identificar. No geral, é um instrumento perfeito para execuções rápidas.

O instrumento do teste estava com ação de cordas um pouco alta.

É importante dizer que este não é um instrumento para cordas excessivamente baixas. As madeiras, com alta densidade, refletem as vibrações das cordas, fazendo-as vibrar com uma grande amplitude.

Mesmo assim, após uma boa retífica de trastes e regulagem completa, o encordoamento .045” melhorou o timbre, equilibrando a nitidez sonora natural do instrumento e se apresentou macio e fácil de tocar.

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Sendo um modelo com identidade sonora tão marcante e peculiar, não o vejo como um instrumento absolutamente versátil. Fortemente recomendado para progressivo, fusion, funk e afins, esse baixo fica lado a lado com todos os outros instrumentos da banda, exercendo funções melódicas, harmônicas e rítmicas, sem se resumir a um mero produtor de graves gigantes que, simplesmente, faz a “cama” para o resto da banda. Definitivamente, este não é um baixo para mero acompanhamento, se situando muito melhor como contraponto a outras melodias.

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Na minha opinião, isso o torna um baixo especial, pois instrumentos excessivamente versáteis acabam perdendo parte de sua personalidade.

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FICHA TÉCNICA

Sitehttp://intl.fender.com/en-BR/basses/jazz-bass/geddy-lee-jazz-bass-maple-fingerboard-black-3-ply-white-pickguard/

Modelo: Geddy Lee jazz Bass

País de fabricação: Japão

Medida de escala: 34 polegadas

Braço:
– Maple, one piece, parafusado
– Largura: 39 mm (pestana)  x 64 (final do braço)
– Espessura: 19 mm ( traste 1) x 23mm (traste 12)
– Shape:  “C”
– Raio: 9,5 polegadas
– Tensor: Ação simples, barra simples, com acesso no fim do braço
– Trastes: 20 trastes jumbo
– Marcação: bloco preto

Corpo: Alder
– Largura: 44mm

Elétrica:
– Captador da ponte: American Vintage Single-Coil Jazz Bass
Resistência: 7,16 Ohms
Voltagem:  Picos de 97,3 mV
– Captador do braço: American Vintage Single-Coil Jazz Bass
Resistência: 7,04 Ohms
Voltagem: Picos de 99 mV
– Controles: Volumes individuais de captador e tom máster
– Potenciômetros: CTS 250KA
– Capacitor: Cerâmico de .05 uF

Hardware:
– Tarraxas: Fender open gear
–  Ponte: BADASS BASS II


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

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