Teste: Captador Malagoli Custom 57

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É com grande satisfação e entusiasmo que começo a redigir este artigo.

Existem alguns produtos que sabemos da qualidade. São aqueles que exalam uma certa autoridade e passam a impressão de que, dentro do seu universo, ficarão bons em qualquer situação e resolverão qualquer problema. São os que eu chamo de “receita pronta”. Não tem erro! Vai que você vai se dar bem!

Mas, no caso dos Custom 57, a coisa foi um pouco além.

Na época em que ministrava um curso de construção, tive um aluno que construiu uma guitarra semissólida, baseada numa PRS. A guitarra ficou linda! Mas, como não acredito em “perfumaria”, confisquei a guitarra, como fiz com todos os outros instrumentos do curso, para ter certeza de sua funcionalidade como ferramenta musical. Era a prova final!

Que grata surpresa!

Todos os meus alunos construíram ótimos instrumentos. Cada um, à sua maneira, tinha uma forma de encantar a quem o empunhasse.

A “Jazzmaster”:
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A “Les Paul”:
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A “335”:
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A “Music Man”:
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A “Esquire”:
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O “Fodera”:
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A “Explorer”:
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A “Firebird”:
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O “Rickenbacker”:

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e todos os outros são instrumentos magníficos. E aquela “PRS” azul não  era diferente.

Além das suas formas perfeitas (o meu curso era orientado pela minha maneira de interpretar a perfeição), o seu som era único! A combinação do jequitibá semissólido do corpo com o maple do tampo e do braço gerou um timbre aberto e definido, porém, macio. Mas um componente teve importância fundamental nessa sonoridade tão agradável: o captador. E meu aluno foi muito coerente (e feliz!) na pesquisa e consequente escolha do modelo. Como a guitarra era toda construída com madeiras muito densas, o timbre seria muito brilhante, com muito ataque e notas estridentes. Decidimos escavar o jequitibá, cortando, assim, as pontas de agudos e fornecendo alguma maciez à sua sonoridade. Para esse cenário, precisaríamos de um captador com saída baixa (para evitar o crunch) e com timbre encorpado, para equilibrar com as madeiras. Meu aluno foi contundente: “Vou colocar um par de Malagoli Custom 57”.

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Como sempre incentivo meus alunos a “decolar” e já conhecia a empresa há muito tempo, não interferi. Ainda bem…

A Malagoli é uma empresa familiar fundada em 1965, fabricando guitarras, baixos e amplificadores, sob a marca Sound.

Pouco tempo depois, por pura necessidade, a fabricação de instrumentos e amplificadores foi cedendo espaço à confecção de captadores que, nos anos 1980, já era o principal produto da empresa.

A partir de 2004, a Malagoli assumiu o desafio de fabricar captadores com padrão internacional de qualidade, seja desenvolvendo e aperfeiçoando alguns modelos já consagrados ou criando soluções para todos os gostos.

O Custom 57 está entre os destaques da empresa, junto com o Custom Alnico Blues e o HBED, que são os meus preferidos e serão tema de um review, posteriormente.

São captadores baseados nos Gibson Classic 57. Na busca pela mágica sonoridade dos PAF legítimos, a Malagoli seguiu a mesma receita da Gibson, utilizando imãs Alnico 2, o mesmo diâmetro dos fios e a mesma velocidade de bobinamento.

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Vamos às minhas impressões:

Sempre presto atenção na embalagem, pois acredito que ela revela muito da empresa.

A Malagoli ja teve várias fases:

As caixinhas de plástico:

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As famosas latinhas:

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Em seguida, migrou para as caixinhas de papelão:

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E agora, apresenta uma simpática e atraente caixa de papelão resistente com uma ilustração que cita os 50 anos da empresa:

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Dentro da caixa, os captadores estavam acomodados entre espumas. Ainda constavam os parafusos, as molas dos captadores e um manual de instruções com informação objetiva, sem nenhum “blablabla”.

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Ao invés do latão, a Malagoli utiliza covers feitos em alpaca, pois interfere menos no timbre. O cover do captador deste teste está perfeitamente instalado, com pontos de solda enxutos e limpos.

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Seu dourado é homogêneo, intenso e levemente mais escuro que os captadores chineses que conheci até agora.

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Os Custom 57 passam por um cuidadoso processo de parafinamento, que auxilia na eliminação da microfonia e colabora  com a formação de seu timbre.

Seus pólos possuem altura ajustável, o que permite equilibrar o volume das cordas, individualmente.

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Tive muita liberdade para trabalhar com os 33 cms de comprimento de cabo dos captadores, que também possui diâmetro planejado para não congestionar as furações internas de passagem de fiação.

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Os 4 fios (2 de cada bobina) permitem fazer ligações diferenciadas, embora eu considere que a beleza da sonoridade dos PAFs está nas suas bobinas em série, na ligação mais tradicional. As pontas dos fios já vem isoladas e configuradas para uma ligação em série.

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Caso se queira algo diferente, é só alterar as junções. Isso pode ser interessante para quem não está muito familiarizado com ligações elétricas em instrumentos, pois, após uma rápida lida no manual, a identificação da configuração é imediata.

Recentemente, recebi, em minha oficina, uma Epiphone Dot Stereo para instalação dos Custom 57. Na minha humilde opinião, não poderia haver oportunidade melhor para inspirar este review, já que, no meu modo de ver, os dois, kit de captadores e guitarra, formam um par perfeito.

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No entanto, com o objetivo de acrescentar informação, citarei também a “PRS” de meu aluno, para melhor ilustrar as minhas impressões.

Não foi preciso nenhuma adaptação, pois captadores humbuckers, em sua maioria (incluindo os da Malagoli), obedecem a um padrão de dimensionamento.

São duas guitarras diferentes que, obviamente, produzem resultados diferentes. Ambas foram plugadas no Rotstage CJ50 Plus, que é um amp com drive moderado, com sonoridade destacada, que evidencia muito as característcas do instrumento.

Em ambos, o volume entre as cordas era perfeitamente equilibrado. Cada um apresentou sonoridades características e condizentes com a concepção de sua construção. No caso de acordes, por exemplo, os bordões produziram graves encorpados na medida certa, sem embolar ou estourar. As primas completavam o acorde com notas brilhantes, agudos firmes e agradáveis, e tudo isso fazendo parte do mesmo corpo sonoro.

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Posso afirmar que os níveis de ruído são insignificantes, mesmo com saturação. Com ambos os instrumentos, girei todos os knobs do amp no 10 (inclusive o de drive) e coloquei a guitarra na frente do falante. Exceto o feedback acústico, que já era esperado, não ouvi nada que justificasse destaque. Sem microfonias e humming quase imperceptível (não esqueça que TODOS os knobs estão no 10).

A “PRS” soou nítida, com uma clareza sonora muito bonita. Todas as notas eram bem perceptíveis. Os acordes chegavam cheios e com um shape bem definido.

O captador entrou em sintonia perfeita com as madeiras, produzindo o resultado esperado: notas nítidas e sem agressividade.

No canal limpo do amp, os acordes produziam uma grande quantidade de informação sonora.

Na posição do braço, os graves têm conteúdo e as notas agudas são doces, porém diretas. Temas de jazz soaram com um pouco mais de brilho, levemente metálicos, mas muito bonitos e com personalidade.

Na posição da ponte, presenciei uma sonoridade recheada com frequências médias, sempre com o tempero da construção semissólida.

Com o drive do amp, pude saborear um dos timbres mais “digestivos” que já ouvi numa guitarra.

O captador da ponte ronronava, numa saturação imponente, direta, porém pouco agressiva. Senti muito prazer tocando desde um blues cremoso do B.B.King até um hard rock moderado. É uma ótima configuração para tocar sons de bandas como Kiss, Bon Jovi, Journey, etc.

A saturação na posição do braço é redonda e aveludada. Tanto os bordões quanto as primas saltaram do alto falante com bom ataque e bastante projeção sonora.

A presença dos Custom 57 numa guitarra semissólida, de madeiras muito densas, proporcionou o equilíbrio perfeito, gerando uma mistura de nitidez, projeção sonora e corpo, o que coloca este instrumento em, praticamente, qualquer situação de jazz e música pop.

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Já com a Epiphone, as conclusões foram bem diferentes.

De uma maneira geral, uma guitarra semiacústica é construída de forma similar às acústicas, com a diferença do bloco de madeira acrescido na região central do corpo. É um instrumento que vibra mais e, consequentemente, produz mais graves e tem menos sustain que uma semissólida ou sólida.

Esta parte do review atesta a influência das madeiras e da construção no timbre do instrumento.

Tudo na Dot soou mais grave e mais profundo, ainda que a identidade dos Custom 57 estivesse bastante evidente.

No canal limpo, timbres graves e redondos tomaram conta do ambiente. A posição da ponte, que costuma vir carregada de médios um tanto anasalados, se revelou mais escura e orgânica. Mas um dos grandes trunfos desses caps, na minha opinião, é a posição do braço no canal limpo. Sons aveludados e profundos emergiam de todos os cantos da sala (o volume do amp estava bem alto). Notas isoladas cantam doces e delicadas, enquanto os acordes mostram muita definição, apesar dos graves encorpados.

No canal sujo do CJ50 Plus, fui brindado com um drive direto e imponente. Com níveis altos de volume, a saturação fica mais seca, sem perder o corpo.

Img_4731A posição da ponte ficou perfeita  para riffs de blues, rockabilly e hard rock. Soou agressiva na medida certa, com corpo, imponência e sem excessos. Experiências com Chucky Berry, Stevie Ray Vaughan e B.B.King mostraram a versatilidade que esse captador possue, em seu universo.

O pickup do braço soou gordo, sem embolar. Notas isoladas, num solo, por exemplo, ficaram redondas e agradáveis.

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Pedais de distorção extrema têm melhor rendimento com outro perfil de captador. O Custom 57 combina com sons setentistas ou com timbres menos ardidos e mais cremosos. É para ser utilizado com overdrive, que é a saturação moderada. Pense no disco Dressed to kill, do Kiss, ou Slide it in, do Whitesnake, ou qualquer coisa do Chucky Berry ou B.B.King e você estará no território deste excelente captador.

Só para constar: o dono da Epiphone me confessou que já experimentou algumas Gibson ES-335 e preferiu sua Epiphone, bem regulada e com os Custrom 57.

Eu não disse? É receita pronta. Não tem erro! Vai que você vai se dar bem!


 

FICHA TÉCNICA

Página: http://www.captadores.com.br/

Imã: Alnico II

Cover: Alpaca

Braço:
Resistência: 7,2 Ohms
Voltagem: Picos de 248 mV

Ponte:
Resistência: 8,19 Ohms
Voltagem: Picos de 245 mV


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

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Obrigado!


 

 

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Um comentário sobre “Teste: Captador Malagoli Custom 57

  1. Queria a opinião de vcs sobre minha PRS, ela é uma se em mogno, e já testei 3 cap de braço, sem resultado sequer perto de razoável todos soam graves demais e metalizados, oque fazer? Já testei SD 59, e dimarzio air Norton, ponte ficou excelente um SD tb11 , já o neck esta .

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