Teste: Cordas Dean Markley Blue Steel 0.011

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O assunto “Cordas” é muito pessoal, e por isso, polêmico. Tudo o que falamos sobre cordas é sempre nossa impressão pessoal, pois cada um tem uma sensação, uma composição química de suor, uma frequência de estudos e práticas, etc. Mesmo sabendo de tudo isso, a Dean Markley é uma daquelas empresas que sempre respeitei e admirei, mesmo sem ter tido muito contato até então. Atualmente, mais próximo dos produtos, de músicos que a usam e de representantes da DM Brasil, tenho mais conhecimento de causa para ratificar e endossar tudo aquilo que a marca me inspirava gratuitamente.

A Dean Markley é uma empresa norte americana, localizada no estado do Arizona. O começo de tudo foi uma loja que o próprio Dean abriu em Santa Clara, Califórnia, a qual se tornou, posteriormente, a Dean Markley Music, fundada oficialmente em 1972. A empresa começou com a fabricação de cordas para instrumentos, mas expandiu sua produção para amplificadores, captadores e acessórios em geral.

Para o primeiro review da DM, trouxe a Blue Steel, corda que é o carro chefe da empresa.

Logo de cara, na embalagem, uma declaração textual de preocupação com o meio ambiente esclarece que os envelopes individuais para as cordas foram subsituídos por um único invólucro plástico anticorrosivo lacrado. No verso da embalagem, um QR Code comprova a legitimidade do produto. Algo que vem bem a calhar nestes tempos de falsicação frequente.

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A sensação de abrir um pacote de cordas novas e pegá-las na mão é sempre boa. Cordas novas possuem uma textura sedosa e hidratada, fazendo-as deslizar suavemente pelos dedos.

Durante testes, sou um pouco mais analítico que o normal nestes momentos, mas devo confessar que a primeira impressão causada pela Blue Steel foi extremamente positiva.

As cordas foram instaladas de forma tranquila. O calibre em questão facilita a colocação, fixação e estabilização da afinação.

Dsc06102O enrolamento das bolinhas é bastante justo e firme. Isso diminui a possibilidade de desafinação decorrente da deformação da amarração ao redor da bolinha da corda.

As bolinhas possuem apenas 2 cores: azul e preto. As cordas pares são azuis e cordas ímpares, pretas. Para facilitar a identificação, as 6 cordas são distribuídas em 2 laços de três cordas cada. Um laço para os bordões: cordas 6, 5 e 4, azul, preto e azul, respectivamente. Outro laço para as primas: cordas 3, 2 e 1, preto, azul e preto.

Na parte interna da embalagem, há uma dica para o caso de pouca iluminação durante a troca de cordas: pegue os 2 laços e aperte suavemente, um de cada vez. O que for mais resistente é o laço dos bordões. De minha parte, imediatamente visualizei o laço dos bordões com 2 bolinhas azuis e uma preta. Pegando as 2 cordas com bolinhas azuis, ficou fácil distinguir a corda 6 da corda 4. O mesmo vale para o laço das primas. Duas bolinhas pretas e 1 azul. Com as duas bolinhas pretas na mão, é fácil separar a corda 3 da corda um. Se a empresa não quis copiar padrões já existentes de cores, achei uma boa solução para identificar as cordas.

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As minhas primeiras impressões foram positivas, também pelo fato de as cordas seguirem um padrão, digamos “old school”, com os bordões mais pesados, diferente da tendência atual de equalizar o peso das cordas (em kilos), diminuindo a tensão dos bordões. O que me atrai nos encordoamentos .011 é exatamente a alta tensão das cordas e todas as consequências associadas a isso, desde a pegada até o timbre mais firme, seco e parrudo.

A relação de tensão (sentida na mão) entre as cordas é equilibrada e bem distribuída. O mesmo vale para o volume resultante de cada uma delas. Não há cordas mais duras ou com maior ou menor volume. Tanto para a mão da palheta como para a mão da escala, a força exercida é uniforme e coerente com a posição da corda. Os bordões aceitam palhetadas fortes e rápidas, sem ceder tanto à força do ataque e, consequentemente, sem vibrar com tanta amplitude a ponto de trastejar. As primas acompanham esse pensamento, mas fornecem o conforto necessário para que bends e vibratos possam ser executados com certa tranquilidade.

Os calibres são:

– Corda 1 – .011
– Corda 2 – .013
– Corda 3 – .018
– Corda 4 – .030
– Corda 5 – .042
– Corda 6 – .052

A ação da guitarra utilizada para o teste, uma Hourneaux baseada no modelo Stratocaster, é extremamente baixa, no limite do trastejamento. No traste 12, temos 0,8 mm na primeira corda e 1 mm na sexta corda. A única coisa que eu pensava era: caso as cordas não tenham vibração equilibrada, trastejará com mais facilidade. Para minha surpresa e grande satisfação, a guitarra soou límpida e metálica. As notas possuíam sustentação e projeção sonora.

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Segundo as informações da empresa, a Blue Steel é fabricada com um processo de criogenização em nitrogênio líquido à 195º C negativos. Com isso, a estrutura molecular da liga metálica é realinhada, minimizando falhas microscópicas. Tal processo gera, em termos sonoros, agudos cortantes e graves densos. Os filamentos são feitos com 8% de aço niquelado e o núcleo é hexagonal, proporcionando um timbre mais brilhante, com durabilidade prolongada.

Na prática, a Blue Steel é uma corda muito interativa, que responde com facilidade à dinâmica do ataque, seja com a palheta ou com os dedos. As notas são bem articuladas e destacadas, com vibração precisa e sem oscilação de frequência.

A afinação também foi beneficiada. Os intervalos de terça maior (os que mais sofrem com os instrumentos temperados) soaram coerentes e mais bonitos. Com as oitavas da guitarra ajustadas corretamente, a afinação, de um modo geral, ficou mais homogênea, com menos diferenças de entonação em intervalos distantes. Fiz experiências com terças e sextas maiores com duas oitavas de distância, quartas com 3 oitavas e fiquei bastante satisfeito com o resultado. Onde outras cordas geram oscilação no intervalo, a Blue Steel foi uma das poucas marcas que afinou com coerência convincente. A imperfeição do instrumento temperado impede a afinação e entonação exata, mas comparando com outras cordas, a melhora é perceptível.

Com relação à durabilidade, posso dizer que, literalmente, eu esqueci da corda na guitarra. Gig após gig, eu simplesmente guardava o instrumento. No máximo, me limitei a passar um pano superficialmente nas cordas. Após 4 meses de uso desregrado, a aparência está mais opaca e escurecida, a entonação está praticamente a mesma e o timbre, apesar de alterado, permanece claro e destacado.

Admito que não é lá muito fácil arrebentar uma corda de um jogo .011. Mas eu não facilitei. Exagerei nos bends, vibratos e ataques de palheta e, em muitas ocasiões, a guitarra sequer desafinou.

Se eu já simpatizava com o nome “Dean Markley” antes de conhecer as cordas, agora posso dizer que realmente aprovo o produto. Eu era usuário assíduo de uma marca cujo modelo não é mais fabricado atualmente. Fico feliz em ter encontrado um substituto.

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Além de todos os pontos positivos táteis encontrados nas cordas Blue Steel, um detalhe mais subjetivo me chamou muito a atenção. Durante uma entrevista do Dean, ele comentou algo que, atualmente, determina a diferença entre prestar atenção ou não em determinado assunto, pelo menos para mim. A frase é a seguinte:
“Dean Markley still embraces old-fashioned business methods: the customer always comes first and a man’s handshake is his word. ” ou, numa tradução livre,

“Dean Markley ainda se utiliza de métodos antigos para fazer seus negócios: o cliente está sempre em primeiro lugar e a palavra de um homem está no seu aperto de mão.”

Agora, no momento de trocar as cordas, vou instalar um jogo de Dean Markley Helix, também .011, que serão tema de um review em breve. Até lá!


 

Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

Acesse o site! Vale à pena!

www.rotstage.com


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