Teste: Captador Malagoli Custom 57

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É com grande satisfação e entusiasmo que começo a redigir este artigo.

Existem alguns produtos que sabemos da qualidade. São aqueles que exalam uma certa autoridade e passam a impressão de que, dentro do seu universo, ficarão bons em qualquer situação e resolverão qualquer problema. São os que eu chamo de “receita pronta”. Não tem erro! Vai que você vai se dar bem!

Mas, no caso dos Custom 57, a coisa foi um pouco além.

Na época em que ministrava um curso de construção, tive um aluno que construiu uma guitarra semissólida, baseada numa PRS. A guitarra ficou linda! Mas, como não acredito em “perfumaria”, confisquei a guitarra, como fiz com todos os outros instrumentos do curso, para ter certeza de sua funcionalidade como ferramenta musical. Era a prova final!

Que grata surpresa!

Todos os meus alunos construíram ótimos instrumentos. Cada um, à sua maneira, tinha uma forma de encantar a quem o empunhasse.

A “Jazzmaster”:
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A “Les Paul”:
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A “335”:
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A “Music Man”:
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A “Esquire”:
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O “Fodera”:
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A “Explorer”:
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A “Firebird”:
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O “Rickenbacker”:

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e todos os outros são instrumentos magníficos. E aquela “PRS” azul não  era diferente.

Além das suas formas perfeitas (o meu curso era orientado pela minha maneira de interpretar a perfeição), o seu som era único! A combinação do jequitibá semissólido do corpo com o maple do tampo e do braço gerou um timbre aberto e definido, porém, macio. Mas um componente teve importância fundamental nessa sonoridade tão agradável: o captador. E meu aluno foi muito coerente (e feliz!) na pesquisa e consequente escolha do modelo. Como a guitarra era toda construída com madeiras muito densas, o timbre seria muito brilhante, com muito ataque e notas estridentes. Decidimos escavar o jequitibá, cortando, assim, as pontas de agudos e fornecendo alguma maciez à sua sonoridade. Para esse cenário, precisaríamos de um captador com saída baixa (para evitar o crunch) e com timbre encorpado, para equilibrar com as madeiras. Meu aluno foi contundente: “Vou colocar um par de Malagoli Custom 57”.

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Como sempre incentivo meus alunos a “decolar” e já conhecia a empresa há muito tempo, não interferi. Ainda bem…

A Malagoli é uma empresa familiar fundada em 1965, fabricando guitarras, baixos e amplificadores, sob a marca Sound.

Pouco tempo depois, por pura necessidade, a fabricação de instrumentos e amplificadores foi cedendo espaço à confecção de captadores que, nos anos 1980, já era o principal produto da empresa.

A partir de 2004, a Malagoli assumiu o desafio de fabricar captadores com padrão internacional de qualidade, seja desenvolvendo e aperfeiçoando alguns modelos já consagrados ou criando soluções para todos os gostos.

O Custom 57 está entre os destaques da empresa, junto com o Custom Alnico Blues e o HBED, que são os meus preferidos e serão tema de um review, posteriormente.

São captadores baseados nos Gibson Classic 57. Na busca pela mágica sonoridade dos PAF legítimos, a Malagoli seguiu a mesma receita da Gibson, utilizando imãs Alnico 2, o mesmo diâmetro dos fios e a mesma velocidade de bobinamento.

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Vamos às minhas impressões:

Sempre presto atenção na embalagem, pois acredito que ela revela muito da empresa.

A Malagoli ja teve várias fases:

As caixinhas de plástico:

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As famosas latinhas:

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Em seguida, migrou para as caixinhas de papelão:

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E agora, apresenta uma simpática e atraente caixa de papelão resistente com uma ilustração que cita os 50 anos da empresa:

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Dentro da caixa, os captadores estavam acomodados entre espumas. Ainda constavam os parafusos, as molas dos captadores e um manual de instruções com informação objetiva, sem nenhum “blablabla”.

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Ao invés do latão, a Malagoli utiliza covers feitos em alpaca, pois interfere menos no timbre. O cover do captador deste teste está perfeitamente instalado, com pontos de solda enxutos e limpos.

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Seu dourado é homogêneo, intenso e levemente mais escuro que os captadores chineses que conheci até agora.

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Os Custom 57 passam por um cuidadoso processo de parafinamento, que auxilia na eliminação da microfonia e colabora  com a formação de seu timbre.

Seus pólos possuem altura ajustável, o que permite equilibrar o volume das cordas, individualmente.

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Tive muita liberdade para trabalhar com os 33 cms de comprimento de cabo dos captadores, que também possui diâmetro planejado para não congestionar as furações internas de passagem de fiação.

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Os 4 fios (2 de cada bobina) permitem fazer ligações diferenciadas, embora eu considere que a beleza da sonoridade dos PAFs está nas suas bobinas em série, na ligação mais tradicional. As pontas dos fios já vem isoladas e configuradas para uma ligação em série.

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Caso se queira algo diferente, é só alterar as junções. Isso pode ser interessante para quem não está muito familiarizado com ligações elétricas em instrumentos, pois, após uma rápida lida no manual, a identificação da configuração é imediata.

Recentemente, recebi, em minha oficina, uma Epiphone Dot Stereo para instalação dos Custom 57. Na minha humilde opinião, não poderia haver oportunidade melhor para inspirar este review, já que, no meu modo de ver, os dois, kit de captadores e guitarra, formam um par perfeito.

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No entanto, com o objetivo de acrescentar informação, citarei também a “PRS” de meu aluno, para melhor ilustrar as minhas impressões.

Não foi preciso nenhuma adaptação, pois captadores humbuckers, em sua maioria (incluindo os da Malagoli), obedecem a um padrão de dimensionamento.

São duas guitarras diferentes que, obviamente, produzem resultados diferentes. Ambas foram plugadas no Rotstage CJ50 Plus, que é um amp com drive moderado, com sonoridade destacada, que evidencia muito as característcas do instrumento.

Em ambos, o volume entre as cordas era perfeitamente equilibrado. Cada um apresentou sonoridades características e condizentes com a concepção de sua construção. No caso de acordes, por exemplo, os bordões produziram graves encorpados na medida certa, sem embolar ou estourar. As primas completavam o acorde com notas brilhantes, agudos firmes e agradáveis, e tudo isso fazendo parte do mesmo corpo sonoro.

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Posso afirmar que os níveis de ruído são insignificantes, mesmo com saturação. Com ambos os instrumentos, girei todos os knobs do amp no 10 (inclusive o de drive) e coloquei a guitarra na frente do falante. Exceto o feedback acústico, que já era esperado, não ouvi nada que justificasse destaque. Sem microfonias e humming quase imperceptível (não esqueça que TODOS os knobs estão no 10).

A “PRS” soou nítida, com uma clareza sonora muito bonita. Todas as notas eram bem perceptíveis. Os acordes chegavam cheios e com um shape bem definido.

O captador entrou em sintonia perfeita com as madeiras, produzindo o resultado esperado: notas nítidas e sem agressividade.

No canal limpo do amp, os acordes produziam uma grande quantidade de informação sonora.

Na posição do braço, os graves têm conteúdo e as notas agudas são doces, porém diretas. Temas de jazz soaram com um pouco mais de brilho, levemente metálicos, mas muito bonitos e com personalidade.

Na posição da ponte, presenciei uma sonoridade recheada com frequências médias, sempre com o tempero da construção semissólida.

Com o drive do amp, pude saborear um dos timbres mais “digestivos” que já ouvi numa guitarra.

O captador da ponte ronronava, numa saturação imponente, direta, porém pouco agressiva. Senti muito prazer tocando desde um blues cremoso do B.B.King até um hard rock moderado. É uma ótima configuração para tocar sons de bandas como Kiss, Bon Jovi, Journey, etc.

A saturação na posição do braço é redonda e aveludada. Tanto os bordões quanto as primas saltaram do alto falante com bom ataque e bastante projeção sonora.

A presença dos Custom 57 numa guitarra semissólida, de madeiras muito densas, proporcionou o equilíbrio perfeito, gerando uma mistura de nitidez, projeção sonora e corpo, o que coloca este instrumento em, praticamente, qualquer situação de jazz e música pop.

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Já com a Epiphone, as conclusões foram bem diferentes.

De uma maneira geral, uma guitarra semiacústica é construída de forma similar às acústicas, com a diferença do bloco de madeira acrescido na região central do corpo. É um instrumento que vibra mais e, consequentemente, produz mais graves e tem menos sustain que uma semissólida ou sólida.

Esta parte do review atesta a influência das madeiras e da construção no timbre do instrumento.

Tudo na Dot soou mais grave e mais profundo, ainda que a identidade dos Custom 57 estivesse bastante evidente.

No canal limpo, timbres graves e redondos tomaram conta do ambiente. A posição da ponte, que costuma vir carregada de médios um tanto anasalados, se revelou mais escura e orgânica. Mas um dos grandes trunfos desses caps, na minha opinião, é a posição do braço no canal limpo. Sons aveludados e profundos emergiam de todos os cantos da sala (o volume do amp estava bem alto). Notas isoladas cantam doces e delicadas, enquanto os acordes mostram muita definição, apesar dos graves encorpados.

No canal sujo do CJ50 Plus, fui brindado com um drive direto e imponente. Com níveis altos de volume, a saturação fica mais seca, sem perder o corpo.

Img_4731A posição da ponte ficou perfeita  para riffs de blues, rockabilly e hard rock. Soou agressiva na medida certa, com corpo, imponência e sem excessos. Experiências com Chucky Berry, Stevie Ray Vaughan e B.B.King mostraram a versatilidade que esse captador possue, em seu universo.

O pickup do braço soou gordo, sem embolar. Notas isoladas, num solo, por exemplo, ficaram redondas e agradáveis.

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Pedais de distorção extrema têm melhor rendimento com outro perfil de captador. O Custom 57 combina com sons setentistas ou com timbres menos ardidos e mais cremosos. É para ser utilizado com overdrive, que é a saturação moderada. Pense no disco Dressed to kill, do Kiss, ou Slide it in, do Whitesnake, ou qualquer coisa do Chucky Berry ou B.B.King e você estará no território deste excelente captador.

Só para constar: o dono da Epiphone me confessou que já experimentou algumas Gibson ES-335 e preferiu sua Epiphone, bem regulada e com os Custrom 57.

Eu não disse? É receita pronta. Não tem erro! Vai que você vai se dar bem!


 

FICHA TÉCNICA

Página: http://www.captadores.com.br/

Imã: Alnico II

Cover: Alpaca

Braço:
Resistência: 7,2 Ohms
Voltagem: Picos de 248 mV

Ponte:
Resistência: 8,19 Ohms
Voltagem: Picos de 245 mV


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

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Teste: Baixo Fender Jazz Bass Geddy Lee

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O ano era 1959. A Fender já desfrutava de sua notoriedade com uma linha de instrumentos arrebatadores: a grande precursora Telecaster de 1951, a acertada Stratocaster de 1954, a Jazzmaster de 1958, que não fez muito barulho na época de seu lançamento, mas se recuperou bem, posteriormente, e o contrabaixo que prometia a precisão que só instrumentos com trastes poderiam oferecer: o Precision de 1951.

Nesse cenário, Leo Fender achou que sua produção era bem servida (para a época), mas precisava de um novo modelo de contrabaixo.

Em março de 1960, o mundo conheceu o Jazz Bass sunburst, que podia ser comprado por incríveis U$279,50. O nome foi escolhido devido à semelhança do shape com as guitarras Jazzmaster, porém, nenhum dos dois instrumentos, num primeiro momento, fez sucesso com músicos de jazz.

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Ainda assim, não demorou muito para o Jazz Bass, junto com a Stratocaster, se tornar o carro chefe da Fender.

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O Jazz Bass Geddy Lee, fabricado no Japão, apresenta características que o associam diretamente com o baixista do Rush, como bastante ataque (que o torna ótimo para slaps), grande massa sonora e timbre definido e cristalino. Os acordes soam claros, com todas as notas audíveis.

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De cara, o visual já chama atenção, com o contraste das partes claras do maple do braço e do escudo branco com a pintura preta muito bem polida, em poliéster.

O braço, extremamente confortável, é do tipo one piece, com tensor colocado por trás, e os marcadores são pretos em formato de bloco. Suas dimensões são certeiras: não são pequenas, deixando a tocabilidade incômoda, nem maiores do que o normal, dificultando o ato de tocar. O verniz poliuretano utilizado não tem pigmentação, mostrando um maple extremamente claro e com belas figurações, formadas pelas fibras da madeira.

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No que diz respeito à acabamento, o cuidado com os detalhes foi primoroso. A colocação dos trastes é perfeita e o encontro destes com o verniz do braço não apresenta espaços nem sobras de verniz.

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Este esmero também é visível nos detalhes do friso, instalado com perfeição no maple e sob as extremidades dos trastes.

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Apesar de instalado com a porca no final do braço, o ajuste no tensor pode ser feito apenas com a remoção do escudo.

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Na base do headstock, é possível observar o preenchimento da cavidade com madeira escura, gerando um bonito contraste com o maple.

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O alder utilizado no corpo não é muito pesado e sua associação com o maple do braço é um dos grandes responsáveis pelo timbre aberto deste instrumento.

O modelo vem equipado com tarraxas tradicionais Open Gear, da Fender.

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Com bastante massa metálica, que age diretamente no timbre e sustain do instrumento, a ponte BADASS BASS II transmite confiança.

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Seus parafusos possuem grande curso para ajuste de oitavas, tornando a regulagem um processo bastante tranquilo.

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Outro grande responsável pelo timbre tão característico é o par de captadores Vintage Single-Coil Jazz Bass passivos, que soam muito mais orgânicos e conseguem harmonizar com perfeição timbre encorpado, brilho e definição, gerando destaque e nitidez para linhas melódicas.

A parte elétrica é enxuta e bem feita, com todo o circuito passivo. O comprimento dos fios é correto e as soldas bem feitas. A cavidade da parte elétrica não tem blindagem, pois o sistema de aterramento é bastante competente.

Os controles seguem o padrão do modelo: volume individual de captadores e tonalidade máster.

 

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Todo esse capricho, somado à qualidade dos componentes, como os potenciômetros CTS, garantem níveis de ruído praticamente nulos.

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Este é o tipo de instrumento que dá prazer em empunhar e tocar. O shape ergonômico e a sonoridade cristalina faz o tempo passar mais rápido.

O captador da ponte tem uma camada de médios quase pontiaguda, ideal para slaps e levadas funk.

Numa mistura encantada de graves, massa sonora, nitidez e brilho, o captador do braço solta notas redondas e fáceis de identificar. No geral, é um instrumento perfeito para execuções rápidas.

O instrumento do teste estava com ação de cordas um pouco alta.

É importante dizer que este não é um instrumento para cordas excessivamente baixas. As madeiras, com alta densidade, refletem as vibrações das cordas, fazendo-as vibrar com uma grande amplitude.

Mesmo assim, após uma boa retífica de trastes e regulagem completa, o encordoamento .045” melhorou o timbre, equilibrando a nitidez sonora natural do instrumento e se apresentou macio e fácil de tocar.

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Sendo um modelo com identidade sonora tão marcante e peculiar, não o vejo como um instrumento absolutamente versátil. Fortemente recomendado para progressivo, fusion, funk e afins, esse baixo fica lado a lado com todos os outros instrumentos da banda, exercendo funções melódicas, harmônicas e rítmicas, sem se resumir a um mero produtor de graves gigantes que, simplesmente, faz a “cama” para o resto da banda. Definitivamente, este não é um baixo para mero acompanhamento, se situando muito melhor como contraponto a outras melodias.

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Na minha opinião, isso o torna um baixo especial, pois instrumentos excessivamente versáteis acabam perdendo parte de sua personalidade.

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FICHA TÉCNICA

Sitehttp://intl.fender.com/en-BR/basses/jazz-bass/geddy-lee-jazz-bass-maple-fingerboard-black-3-ply-white-pickguard/

Modelo: Geddy Lee jazz Bass

País de fabricação: Japão

Medida de escala: 34 polegadas

Braço:
– Maple, one piece, parafusado
– Largura: 39 mm (pestana)  x 64 (final do braço)
– Espessura: 19 mm ( traste 1) x 23mm (traste 12)
– Shape:  “C”
– Raio: 9,5 polegadas
– Tensor: Ação simples, barra simples, com acesso no fim do braço
– Trastes: 20 trastes jumbo
– Marcação: bloco preto

Corpo: Alder
– Largura: 44mm

Elétrica:
– Captador da ponte: American Vintage Single-Coil Jazz Bass
Resistência: 7,16 Ohms
Voltagem:  Picos de 97,3 mV
– Captador do braço: American Vintage Single-Coil Jazz Bass
Resistência: 7,04 Ohms
Voltagem: Picos de 99 mV
– Controles: Volumes individuais de captador e tom máster
– Potenciômetros: CTS 250KA
– Capacitor: Cerâmico de .05 uF

Hardware:
– Tarraxas: Fender open gear
–  Ponte: BADASS BASS II


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

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Teste: Guitarra Fender SRV Signature

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Conheci SRV tardiamente, em 2003, quando ainda estudava guitarra. Até então, blues para mim se resumia em Lightnin Hopkins, Muddy Waters e Robert Johnson. Quando escutei SRV pela primeira vez, seguindo conselhos de meu professor de guitarra, enlouqueci!

Comprei vários CDs e DVDs, pois estava maravilhado com a ferocidade com que SVR tocava.

Vale a pena conferir suas performances na música “Third Stone From the Sun”, onde o guitarrista literalmente sobe com os dois pés em cima de sua guitarra, após jogá-la de um lado para outro, no chão do palco.

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Dos seus vários instrumentos, duas Fender Stratocaster ganharam fama especial: A “One” e a “Lenny”.

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A guitarra deste review é uma signature de SRV baseada na One mas, como veremos, não é uma réplica.

A One original foi adquirida por SRV em uma loja de instrumentos usados, em 1974. Ela é formada por partes de diferentes guitarras. O braço é de uma strato ano 62. O corpo vem de uma 63 e os captadores são de 1959. Daí vem o segundo apelido dessa guitarra: 59.

O modelo signature foi lançado em 1992, pela Fender.

Quando a recebi em minha oficina e abri o case, quase ajoelhei na sua frente. É realmente um instrumento bastante imponente, até pela sua associação imediata com o próprio SRV.

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O visual é enlouquecedor e o hardware dourado ajuda a valorizar sua beleza.

O corpo tem pintura sunburst com verniz PU (a One original possui verniz nitro ou algo do que sobrou do verniz) e a transição do caramelo para o  preto é perfeita, pois o degradee é um esfumaçado suave, sem respingos ou pontos de tinta.

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Dentre as diferenças que caracterizam as 2 guitarras, a mais gritante é percebida na primeira olhada. A signature é vendida como uma guitarra nova, enquanto a One original era absolutamente surrada.

Sua especificação é básica, sem grandes revoluções. No entanto, a configuração personalizada, que atende a necessidades pontuais de SRV, é que a torna um instrumento único e tão especial.

Seguindo o velho padrão da Fender, o braço parafusado de maple é extremamente confortável. Os trastes estão muito bem instalados, completamente assentados na escala e bem acabados, sem pontas laterais.

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A One original possui 21 trastes jumbo. O modelo deste review possui trastes médios, que deixam o braço mais exposto ao toque, passando a sensação de intimidade com o instrumento.

Outra diferença é o shape do braço: enquanto o formato do braço da signature é um “C” esguio e confortável, a One tem o braço em “D”, com uma pegada mais cheia.

Selecionado à dedo, o Pau ferro da escala, com sua figuração bem expressiva, é um show à parte.

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Apesar do raio de escala de 10 polegadas, que obriga uma altura maior nas cordas, foi muito fácil tocar nessa guitarra. Bends, vibratos e escalas foram executados com grande conforto e prazer. O segredo está na regulagem perfeita que a guitarra, gentilmente, permitiu que fizesse nela.

O ajuste no tensor é realizado no final do braço. Apesar de isso significar certa dificuldade, pois há a necessidade de retirar o braço para o ajuste, este é muito estável e não precisou de muitas tentativas. Na verdade, o tensor quase não foi exigido na regulagem. O braço, por si só, já foi suficiente para suportar a tensão das cordas.

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É certo que, neste instrumento, não foi instalado um encordoamento de calibre .012 ou .013, como SRV gostava, mesmo assim, uma .010 exerce uma força considerável, de aproximadamente 46 kg, que o braço segurou tranquilamente.

Para mim, hardware dourado é um verdadeiro atestado de elegância, algo que essa guitarra tem de sobra. As tarraxas vintage e o icônico trêmolo para canhoto, ambos dourados, enfatizam as cores quentes e saturadas do instrumento.

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As tarraxas merecem um destaque, pois o movimento de afinar e desafinar é firme e sem folga. As buchas das tarraxas seguram o poste no lugar e colaboram para a ótima afinação do instrumento.

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Com instalação limpa e enxuta, a elétrica da guitarra conta com 3 captadores Fender Texas Special, volume máster, 2 tons e chave seletora de 5 posições. As soldas são muito bem feitas e os fios possuem comprimentos corretos.

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Os três potenciômetros CTS têm variação sem saltos.

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Com transição suave e firme, o pot logarítmico de volume tem funcionamento preciso. Com 25% de giro, tive metade do volume total. Com 50% de giro, o volume é quase nulo.

O pot de tonalidade corta agudos específicos, deixa o timbre redondo, macio e com vida, preservando a dinâmica e o sustain.

Uma das grandes características que tornou essa guitarra famosa e tão fortemente associada a SRV são os captadores Fender Texas Special. Esses pickups já são conhecidos pelo som forte e ardido, porém, nas mãos de SRV, eles foram (e)levados a outros patamares.

Sempre que me deparo com um kit de Texas Special na minha oficina, procuro explorar esses captadores, buscando a fórmula sonora de SRV. E nunca consigo. Vou mais além: nunca vi esses captadores soarem tão bem nas mãos de outra pessoa. Vaughan se sintonizou com sua guitarra e com os pickups de uma maneira que não mais é possível dissociar um do outro, como uma simbiose que deu muito certo.

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Os captadores possuem pólos estagiados e, graças a isso, as cordas 1 e 2 alcançam equilíbrio perfeito de saída, algo raro de se ver por aí. Tanto preciosismo com equilíbrio de saída em single coils, só encontrei no set de Custom 69, também da Fender.

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O pickup de ponte apresenta sons cortantes, com muitos agudos e médio agudos.

Um pouco mais contido, o captador do meio nos entrega médios macios e destacados.

No braço, temos graves e médio graves com brilho, numa sonoridade redonda e agradável. E muita, muita massa sonora.

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Sempre me pergunto quanto um instrumento específico ajuda a forjar a identidade sonora do músico. Assim como SRV e sua strato, podemos observar casos como Hendrix, Steve Harris, Chris Squier, Robert Johnson, etc. Eric Clapton é um caso clássico, pois enquanto utilizava instrumentos Gibson, tocava um tipo de música. Ao adotar as Stratocaster, mudou também o estilo musical. Quem iniciou as mudanças? A música ou o instrumento?

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O fato é que a One e, consequentemente, a signature deste review são instrumentos concebidos para o blues rock texano.

Alguns elementos obrigatórios estão fartamente presentes neste instrumento. Bastante massa sonora, ataque, expressividade e dinâmica que obedece à palhetada.

O crunch vem fácil nos volumes altos. Com drive, a guitarra se transforma num trator, com sonoridade forte, cortante e sustain absurdo! O bloco ponte possui bastante massa e colabora para o sustain.

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Palhetadas em stacatto disparam notas secas e ardidas, com muito ataque e expressão e os harmônicos artificiais são muito fáceis de tocar.

Me senti “O” blueseiro, mesmo não sendo um de verdade.

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A combinação das madeiras, shape de braço e pickups Texas Special resultou em sonoridade típica e perfeita para o blues texano ao qual está associada e criou uma guitarra que suplica por pentas, bends e vibratos.

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Cowgirl verdadeira e única!

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Ficha técnica

Página: http://intl.fender.com/en-BR/guitars/stratocaster/stevie-ray-vaughan-stratocaster-pau-ferro-fingerboard-3-color-sunburst/

Modelo: Stevie Ray Vaughan Stratocaster

País de fabricação: USA

Braço:
– Maple parafusado
– Escala de pau ferro
– 21 trastes médios
– marcação bolinha branca
– Largura: 42,5 mm na pestana x 56,5 mm no final do braço
– Espessura: 21mm no traste 1 x 24 mm no traste 12
– Tensor na base do braço, barra simples, ação simples.

Corpo:
– Alder
– Pintura sunburst, verniz PU.

Elétrica:
– 1 volume máster
– 2 tons
– Chave de 5 posições
– Captador do braço: Single Coil Texas Special – 6,42 K Ohms, 90 mV
– Captador do meio: Single Coil Texas Special – 6,51 K Ohms, 118 mV
– Captador da ponte: Single Coil Texas Special – 6,89 K Ohms, 145 mV

Hardware:
– Tarraxas: Fender American Vintage
– Ponte: Fender American Vintage Synchronized Tremolo, saddle 10,8 mm


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

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Teste: Fender Precision Bass American Special

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Quando era aluno de luthieria, conheci um cara (hoje, um dos meus melhores amigos) que me disse uma das coisas mais marcantes e verdadeiras que já pude ouvir: “menos é mais”. Só isso. Sem firulas, sem complementos, sem explicações. Menos é mais e ponto. Nessa época, comecei a perceber fenômenos como Angus Young, B.B. King, George Benson, Billie Holiday, Ramones e por aí vai. Um pouco de tudo… E reparei que deixava de dar importância aos exageros e que tudo o que era simples, natural e resumido me cativava muito mais.

Uma “aula” importante que B.B. King me deu foi quando revelou que plugava a guitarra direto no amp, ajustava os agudos no 2, os médios no 4 e os graves no 6. O resto estava nas suas mãos.

Ficava cada vez mais claro que pensamentos simples significavam transferir toda a responsabilidade para o músico e que o instrumento deveria ser apenas uma ferramenta transparente, interferindo o mínimo possível em sua expressão.

Posto isso, pergunto: o que Steve Harris, Sting, Roger Waters, John Paul Jones, John Deacon e Glenn Hughes têm em comum?

Se você respondeu que todos eles usam o mesmo baixo, pensou muito superficialmente.

Todos eles têm em comum a forte identidade musical. São músicos facilmente identificáveis em poucos segundos de audição. Certamente, qualquer instrumento nas mãos desses artistas refletem e revelam a essência de cada um deles. Independente da marca do instrumento, Steve Harris sempre vai soar Steve Harris, certo? Mas acredito que a opção por um instrumento, digamos, mais “minimalista” desbloqueia certas vias importantes da criatividade.

A minha visão poética desta situação é a seguinte: pense num instrumento excelente e sofisticado, com circuito ativo de 18v, equalização de 5 bandas, corpo e braço compostos de mais de um tipo de madeiras nobres, ponte high mass, tarraxas “drop notes”, pestana compensada, etc. Agora vá tirando a maquiagem e os disfarces. Busque o âmago daquele instrumento que está soterrado de distorções e extensões em seus conceitos. Entenda o significado primordial de suas partes e suas funções e desenterre-o, limpe-o da fuligem da saturação tecnológica. Livre-o da perfeição induzida e permita que ele seja tão perfeito quanto nós somos. Lá dentro, escondido nos escombros sombrios da perfeição estéril e pasteurizada, estará o Fender Precision!

Na minha humilde opinião, reconhecendo a qualidade e a importância de muitos outros instrumentos semelhantes, este é o timbre e a pegada de contrabaixo que melhor se adequam ao que acredito ser um instrumento excelente.

O modelo Precision surgiu em 1951, com a proposta de ser um contrabaixo sólido (sem feedback) e ter a precisão de um instrumento com trastes (daí o nome Precision).

Apesar de ser comum atribuir a Leo Fender a criação do primeiro contrabaixo sólido, esse mérito não é dele. No início da década de 1930, em Seattle, Paul Tutmarc fabricou um upright e um baixo elétrico, ambos sólidos, sob a marca da Audiovox. Mas até hoje, ninguém sabe porquê, o projeto não foi para frente e Tutmarc se tornou uma das figuras mais injustiçadas do mundo da música. À Leo Fender, devemos um dos shapes de corpo mais ergonômicos já desenvolvidos e a grande disseminação e facilidade ao acesso do instrumento, através de sua comercialização em massa.

Junto com o Precision, Leo Fender lançou, numa visão de mercado, um amplificador de 25 watts com um falante de 15 polegadas, para que o baixo sólido pudesse ser utilizado. Na época do lançamento, o Fender Precision podia ser comprado por U$199,50 e no Bassman, amp parceiro de lançamento, pagava-se U$203,50.

O nome Precision se deve mais à possibilidade de soar afinado, diante da dificuldade de tocar num instrumento fretless, do que à perfeição da afinação. Hoje sabemos que o nosso sistema de temperamento igual é um dos mais imperfeitos conceitos de sistema musical já concebido.

Mas, a despeito de tudo isso, o Precision continua sendo a síntese perfeita do “menos é mais”.

O baixo deste teste é um American Special. O modelo foi lançado em 2011 e é um dos mais simples da série. Mas a qualidade oferecida é de realizar sonhos.

modelo

Seu braço é robusto e convida para uma pegada vigorosa (mais do que o normal para um jogo de GHS .040), porém muito confortável. O maple bastante figurado do braço e o alder do corpo proporcionam bastante brilho e definição ao timbre grave e poderoso desta máquina.

braco

O acesso ao tensor é na base do braço e responde ao menor movimento da chave, permitindo ajustes precisos.

Tensor

As madeiras também são responsáveis pela grande quantidade de harmônicos, produzindo notas ricas e cheias de informação. Também atribuo, em parte às madeiras, a sensibilidade ao toque que este instrumento apresenta. Embora seja passivo, produz som com muito pouco esforço e responde muito bem às dinâmicas de tocabilidade.

Possui o peso ideal para um contrabaixo: nem muito leve nem muito desconfortável. O shape do seu corpo é extremamente anatômico e, com a correia, seu peso é muito bem distribuído, impedindo o tão famigerado neck dive.

CorpoBack

Apesar de ter braço e escala em maple, este não é um braço one piece, pois a escala é colada, num procedimento que beira a perfeição.

ColagemEscala

Pessoalmente, prefiro Precision com escala clara exatamente por causa desta nitidez, que é menos evidente nos de escala escura.

Apesar de toda essa nitidez e clareza, o Precision é um instrumento com muita massa e projeção sonora. Os baixos níveis de frequências médias aumentam a sensação de peso e transformam este instrumento em algo bem maior do que ele aparenta ser.

A vigorosidade de seu som também provém de seu captador que, além de ter boa saída e expulsar as notas com força, possui imãs de alnico, que contribuem para seu timbre limpo e destacado. Não é o tipo de instrumento que “ronca”. É fácil de confundir seu punch com saturação. Quando exigido, fornece certa agressividade, mas o som forte e limpo, no geral, predomina.

O espaçamento das cordas casou perfeitamente com a posição dos pólos, garantindo a sonoridade coerente e um volume bem distribuído. As cordas soam equilibradas entre si.

pickups2

A simplicidade de seu conceito se reflete nos controles, com apenas um volume máster e um tom máster.

Controles

Os potenciômetros são da marca CTS, que dispensam apresentações e a parte elétrica é muito bem feita, com fios nos tamanhos corretos e soldas com ótima aparência. Mas há um detalhe que merece um destaque: uma técnica de corte de agudos chamada “Greasebucket”.

Do ponto de vista técnico, a configuração para controle de tonalidade passiva se dá com um capacitor que recolhe e despeja as frequências altas (os agudos) no terra do circuito. Normalmente, esse método depende de capacitores de altíssima qualidade para que o corte de agudos não atinja outras frequências importantes, comprometendo o timbre do instrumento. Um exemplo de capacitor recomendado para essa configuração é o Dijon.

tomnormal

No caso do Greasebucket, são utilizados 2 capacitores cerâmicos, considerados normais para essa aplicação. A grande sacada desse método é que, em conjunto com o capacitor de corte de agudos (responsável pela função de tonalidade), existe outro capacitor cerâmico que enfatiza as frequências altas antes que estas sejam enviadas para o capacitor de corte. Em outras palavras, o pot de tom acrescenta agudos antes de fazer o corte.

greasebucketesquema

O primeiro capacitor trabalha numa faixa de frequência mais ampla, injetando no sinal, camadas de agudos e médio agudos. O segundo capacitor tem valor menor, retirando uma faixa mais restrita de agudos, conservando boa parte dos médios acrescentados anteriormente.

Greasebucket2

Greasebucket1

O que se ouve? Um timbre macio, doce, sem algumas frequências altas, porém recheado de médios. Os graves ficam discretos e apenas dão corpo ao resultado final. Certa vez, um amigo fez uma definição perfeita para esse timbre: “é quase a sonoridade de um trombone”. E afirmo que ele tem toda a razão.

O hardware é estilo vintage e também contribui com a proposta visual do instrumento. Suas tarraxas têm funcionamento suave e preciso. A ponte está posicionada no lugar correto e as oitavas foram ajustadas com muita tranquilidade. A qualidade de afinação é acima da média e, no que diz respeito a som, tudo se intensifica, devido às suas características sonoras.

Tarraxa

Tarraxas

Ponte

A experiência de ter em mãos um Precision zero km, ser o primeiro a regulá-lo e conhecer todo o potencial de um instrumento deste quilate é quase uma dádiva.

Sua presença é imponente, mas não intimidadora.

É surpreendente deparar-se com uma configuração tão simples e, ao mesmo tempo, tão funcional.

Controles2

Seu braço é firme, desafiador e, ao mesmo tempo, convidativo. É fácil de ser tocado em qualquer região e, assim como um amplificador valvulado, é muito transparente. Não dá pra enganar! Para empunhá-lo, é preciso saber o que se está fazendo.

Seu timbre é um misto de grave com brilho e é envolvente. E seu som é quente!

As notas graves, no começo do braço, soam grandes e robustas. Preenchem espaço e sustentam as músicas sem muito esforço. No final do braço, não há perda de dinâmica. As linhas melódicas são fortes e corpulentas, permitindo arranjos naquela região sem dar a sensação de vazio.

Juncao

O rock é seu território predileto. Mas desfila muito bem no blues. No jazz, se usado com cautela, será muito competente. Há que se ter parcimônia com sua força e determinação.

FrenteInteiroBackInteiro

Esse é o tipo de instrumento que proporciona um prazer ao ser tocado. A segurança que transmite nos dá, realmente, a sensação de que somos especiais, tal qual o nome do modelo sugere. . Ele nos leva numa viagem distante e intensa. Sua simplicidade contrasta com seu ímpeto.

É confortável, bonito, versátil, ergonômico, funcional e lindo de se ouvir.

Tantos elogios seriam compreensíveis, se não houvessem tão poucos recursos disponíveis.

Sua configuração é básica, mas o Precision foi muito além.

Sim! Menos é muito mais!

HeadstockLogo

 


Ficha técnica:

Página:http://intl.fender.com/en-BR/basses/precision-bass/american-special-precision-bass-maple-fingerboard-candy-apple-red/

Braço:
– Parafusado de maple
– Escala colada de maple
– Raio: 9,5”
– Largura:41,5 x 64 mm
– Espessura: 20 x 23 mm
– Shape: C slim
– Tensor: ação simples, acesso na base do braço
– Trastes: 20 jumbo médio
– Marcação: dot preto

Corpo:
Madeira: Alder
Contour confort: braço e barriga
Escudo: P/B/P

Elétrica:
– Captador:
Vintage-Style Alnico Split Single-Coil
Resistência: 11,36 K Ohms
– Voltagem: 355 mV
– Controles: Volume, Tom
– Potenciômetros: CTS Audio
– Capacitores:
104M com 0.1uf e 203M com 0.02uf.

Hardware:
– Tarraxas open gear standard
– Ponte
4-Saddle Standard Vintage-Style


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

Acesse o site! Vale à pena!

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Teste: Washburn Stevie Salas

WasburnStevieSalas2
Eu tenho uma maneira muito particular de apreciar um instrumento. Não elogio apenas pelas belas madeiras, pela construção precisa, acabamento impecável ou escolha acertada do hardware e captadores. Quando vejo um instrumento que, inicialmente, me parece interessante, a primeira informação que busco é sua história e da empresa ou pessoa que o fabricou.

Acho que já deu para perceber, pelos meus artigos anteriores, que alimento uma admiração especial por empresas antigas, que conseguiram, de alguma maneira, atravessar os longos anos de história e imprimir seu nome e sua identidade no mundo da música para sempre.

À primeira vista, esta parece ser uma visão poética e, sob certos aspectos, até é mesmo. Mas um dos pontos que mais me chamam a atenção é a evolução dos instrumentos, da tecnologia, do design e o sacrifício dos homens que batalharam tanto para isso acontecer.

Empresas como a Gibson, por exemplo, tiveram o início marcado pela fabricação de excelentes e inovadores mandolins. Alguns tinham o braço oco (hollow neck) para intensificar os graves.

MandolinHollowNeckO mandolin acima não é um Gibson, mas exemplifica bem um hollow neck.

A Rickenbacker foi a primeira a comercializar um instrumento elétrico, o lap steel Frying Pan.

FryingPan

Já Leo Fender se inspirou em alguns modelos de banjos fabricados pela Gretsch, os quais possuíam braço parafusado, para projetar sua Esquire. Gerhard Almcrantz já fabricava, em 1895, violões com braço parafusado – técnica atualmente utilizada pela Taylor.

Vontade não me falta para tecer uma imensa lista de nomes como Orville H. Gibson, Clarence Leonidas Fender, Adolph Rickenbacher, Friedrich Gretsch, Christian Frederick Martin, Anastasios Stathopoulo, Paul Tutmarc, George Washburn Lyon e tantos outros para denotar a importância destes homens e como determinaram, de certa maneira, o nosso comportamento nos dias de hoje. Oportunamente, através do meu blog, prestarei a devida homenagem a cada um deles.

A Washburn começou com a fabricação de violões, em 1883. Sob minha visão, sua trajetória é marcada por excelentes instrumentos, que são, declaradamente, itens de desejo para muita gente.

Eu “enxerguei” a Washburn pela primeira vez através do modelo CS780, o qual me hipnotizou e conquistou imediatamente.

WashburnCS780White

WashburnCS780Purple
Em 2012, tive outro encontro com uma guitarra Washburn. Dessa vez, foi para a coluna de testes da Guitar Player brasileira nº 192, onde escrevi uma matéria sobre a WM24 Renegade que, diga-se de passagem, é um excelente instrumento.

WashburnRenegade

Para este review, trago uma guitarra impressionante, tanto pela beleza quanto pela sua funcionalidade. Como uma maravilhosa herança deixada por Grover Jackson, enquanto trabalhou como responsável pela seção de custom shop da Washburn, a Stevie Salas é uma flecha limpa e curta, onde o tiro é certeiro e eficaz!

A configuração da Stevie Salas é simples e sem muitas firulas.

Seu braço de maple com escala de rosewood, apesar de magro e confortável, é absurdamente estável. A regulagem foi tranquila e consegui atingir todos os objetivos de curvatura do braço, ação de cordas e entonação sem nenhuma dificuldade. O shape do braço é um “C” suave e raso. A mão da escala envolve todo seu contorno com muita naturalidade. O cutaway inferior e a junção rebaixada permitem acesso fácil aos últimos trastes.

braço

Eu gosto, particularmente, dos headstocks da Washburn. O da Stevie Salas, acompanhando o conceito da guitarra, é enxuto e funcional. Seu tamanho reduzido e seus contornos simplificados o tornam discreto e harmonioso com o restante do instrumento.

headstock

A junção do braço ao corpo possui um rebaixo que facilita a pegada naquela região.

juncao

Os trastes médio jumbo foram bem instalados e ajudaram muito durante o nivelamento. Possuem boa altura e pude fazer todo o trabalho com bastante tranquilidade.

trastes

A marcação é de bolinhas em madrepérola, instaladas na metade superior da escala de rosewood .

marcacao

O corpo é construído com 3 partes de um ash bastante figurado e uma folha de flamed maple no top, valorizando incrivelmente o púrpura translúcido do acabamento.

back

top

Apesar do ash, este não é um instrumento pesado. Pude tocar por bastante tempo com a correia no ombro, sem sentir maiores incômodos.

As tarraxas Grover 305 utilizadas no modelos são excelentes. O ratio 18:1 permite o alcance da afinação com precisão cirúrgica e muita rapidez, além de estabilizar em pouquíssimo tempo. São discretas e combinam perfeitamente com o visual da guitarra.

tarraxas

A ponte flutuante é de propriedade da Washburn e cumpriu perfeitamente seu papel. Não desafinou nas alavancadas, que, após ajustadas as molas, ficaram macias e confortáveis. A microafinação também foi perfeita. Todos os parafusos tinham um grande aproveitamento de curso de rosca, permitindo variar quase um tom para cima e para baixo da afinação estabelecida.

ponte

O abaixador de cordas é sempre uma grande sacada em instrumentos que possuem lock-nut. As cordas bem rebaixadas praticamente anulam os problemas de afinação, durante o ato de travar a pestana.

AbaixadorDeCordas

Talvez, um único detalhe destoou neste instrumento. O acesso ao tensor é impossível de ser praticado sem a retirada do braço. Apesar de visível, o espaço entre a abertura de acesso ao tensor e o captador do braço é metade da distância necessária para podermos inserir uma chave allen e realizar o ajuste. Repare que a chave, à esquerda do captador, é bem maior que o espaço disponível.

AcessoTensor

A Washburn Stevie Salas me causou uma sensação curiosa, pois é um instrumento extremamente fácil de tocar. Todo o conjunto ponte/captadores/braço é um pouco deslocado para trás, deixando um espaço menor entre o final do corpo e a ponte. Isso deixa o instrumento, como um todo, algumas polegadas menor, resultando em mais ergonomia e conforto.

Tanto sentado, com a guitarra no colo como em pé, utilizando correia, a tocabilidade é, no geral, bem mais fácil do que muitos instrumentos mundialmente consagrados.

Seu timbre é vigoroso, possui ímpeto sem ser ardido e agressividade sem ser violento. Funciona muito bem no hard rock e no metal. O blues ficou mais moderno, sem perder a identidade. Para o jazz, no meu modo de ver, a guitarra soou mais metálica e “dura” do que eu gostaria.

Seu corpo de ash com top de maple lhe conferem muita clareza e nitidez. O ash, principalmente, acrescenta uma boa camada de médios na sonoridade deste instrumento. E com madeiras tão densas, este é um instrumento que só poderia ter um sustain gigantesco.

madeiras

As notas pulsam brilhantes e com ataque. Os 3 pickups humbuckers “amaciam” um pouco as coisas, mas não a tiram do território das pentas e dos bends.

pickups

Plugada no Rotstage CJ50 Plus, a Stevie Salas soou grande e direta, com power chords maciços, acordes definidos e cheios e solos destacados e nítidos.

A execução dos acordes ou solos é quase intuitiva. As cordas 010 instaladas ficaram com ação muito baixa, sem trastejamentos. A mão passeia pela escala sem esforço. A digitação e os bends parecem mais fáceis e de tão confortável, essa guitarra tende a deixar tudo mais descomplicado e bonito.

acao

Pessoalmente, achei essa guitarra apaixonante! Depois de regulada e testada, foi impossível não pensar em ter uma dessas! Para músicos de rock e pop, este instrumento é um verdadeiro oásis de sonoridade e funcionalidade.

headstock2


Ficha técnica

Modelo: Washburn Stevie Salas Signature

País de fabricação: Coréia

Braço:
– Maple one piece
– Escala de rosewood
– 22 trastes médios
– marcação bolinha madrepérola na metade superior da escala
– Largura: 43 mm na pestana x 57 mm no final do braço
– Espessura: 19,5 mm no traste 1 x 20,5 mm no traste 12
– Tensor na base do braço

Corpo:
Ash
– Top: folha de maple

Elétrica:
– 1 volume máster
– 1 tom máster
– Chave de 5 posições
– Captador do braço: Duncan Design Humbucker Single Sized, 11,88K – 130mV
– Captador do meio: Duncan Design Humbucker Single Sized, 11,83K – 150mV
– Captador da ponte: Duncan Design Humbucker Single Sized, 11,69K – 166mV

Hardware:
Tarraxas Grover 305, ratio 18:1
– Ponte Washburn 600-S


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.


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Teste: Guitarra Epiphone Riviera Custom P93 Limited Edition

Riviera_P93Eu conservo um grande respeito e admiração por empresas reconhecidamente antigas, que ajudaram a forjar a imagem da música e dos instrumentos, deixando um legado físico e intelectual valiosíssimo para as gerações futuras: nós.

Em 1915, Epaminondas Stathopoulo assumiu a empresa de restauração e construção de instrumentos musicais do pai, recém falecido, Anastasios Stathopoulo.

O nome “The house of Stathopoulo” mudou para Epiphone, que é a junção de “Epi”, diminutivo de Epaminondas e “phone” (em grego, foní), fazendo referência a “som”. A segunda guerra mundial trouxe grandes dificuldades para a empresa que, em 1957, foi vendida para a Gibson por U$20.000,00, retirando definitivamente a família Stathopoulo do mercado musical.

O modelo Riviera, original de 1962, tem poucas diferenças deste relançamento de 1994. O instrumento tem um charme natural, até pela semelhança com outro modelo tradicionalíssimo da Gibson, a ES-335.

Seu visual é clássico e impõe respeito. A Epiphone mantém um formato maior de headstock, exclusivo para instrumentos acústicos e semiacústicos, que transparece uma vibe vintage ou retrô. Isso intensifica essa proposta vintage ou retrô do instrumento como um todo. E a impressão que tenho é que a Riviera foi inteira projetada para nos levar para uma viagem no tempo, rumo à decada de 1960.

Dsc06216

O braço, apesar de denominado “Slimtaper”, não tem nada de slim. É gordo e massudo. Não chega a ser desconfortável, até pela proposta natural do instrumento mas, para quem está acostumado a tocar com instrumentos que passaram por “atualizações”, a Riviera exige alguns minutos para a mão da escala acostumar com as medidas além do comum. Depois de um tempo, já me senti mais à vontade para explorar a guitarra.

A instalação dos trastes não foi 100% perfeita. Em alguns pontos, é perceptível que o traste não assenta completamente sobre a escala.

trastes

Porém, o braço sem deformações e os trastes médios com altura razoável permitiram uma regulagem com ação de cordas baixa e confortável, fazendo a mão sentir ainda mais o braço e, o que parecia grande e desconfortável se mostrou bem anatômico, com um propósito para ser.

O corpo semisólido tem uma acústica natural, porém, limitada pelo bloco central em mogno, que impede a reverberação plena e confere uma sonoridade mais “dura” e metálica, comparada a um instrumento essencialmente acústico, como uma ES-175, por exemplo. Mas o maple presente nas laterais, tampo e fundo garantem mais volume e brilho no resultado final. Temperado com a maciez do mogno no braço, já dá pra imaginar a sonoridade brilhante e sem agressividade, com médios e ataque moderado que este instrumento tem.

Foi inevitável não perceber certa falhas na pintura, onde o vermelho invade a região do friso. Não que a qualidade, como um todo, fique comprometida, mas um instrumento que vai conquistando aos poucos acaba criando uma grande expectativa quanto à sua pefeição…

friso

Mas também é impossível negar a beleza do vermelho translúcido do verniz altamente brilhante, deixando aparente as figurações do maple.

maple_eletrica

maple_top

Os f-holes sem friso caíram bem para equilibrar o visual do instrumento. Talvez, a guitarra ficasse poluída com Bigsby dourada e friso nos f-holes.

F-holes

Falando em Bigsby, é uma das pontes mais bonitas que conheço e, mesmo tendo certas limitações, esse modelo B70 dourado ficou perfeito para colaborar com a mensagem visual deste instrumento.

Para fazer par com esta bela ponte, a Riviera é equipada com tarraxas vintage, também douradas, fortalecendo cada vez mais o visual da guitarra.

ponte2

tarraxas

 Essa guitarra tem uma peculiaridade na elétrica que, apesar de não ser novidade, não são todos os modelos que trazem essa melhoria (na minha opinião).

Com o passar dos anos, a Riviera já teve captadores humbuckers e minihumbuckers. Essa versão possui um set de 3 captadores P-90 Epiphone.

Os 3 P-90 têm controles individuais de volume, porém, apenas o captador da ponte e o do braço estão ligado na chave seletora. O pickup do meio vai direto para o volume. Isso quer dizer que os caps do braço e da ponte são controlados normalmente, como uma Les Paul Standard, por exemplo, e o pickup do meio pode ser acrescentado (ou retirado), em qualquer situação, através de seu volume. Pode fazer par com a ponte, com o braço ou estar sozinho. Para isso, basta fechar o volume dos caps da ponte e braço e abrir o volume do captador do meio. Esse pequeno detalhe gera muitas possibilidades sonoras e é extremamente útil em várias situações. Somando-se isso à sonoridade ímpar dos próprios captadores, nos deparamos com uma verdadeira máquina geradora de sonoridades.

E como se não bastasse, a guitarra ganhou um ar mais cru e roqueiro com o visual soturno e arrebatador dos P-90 dog ear.

captadores

volumes

 Os potenciômetros têm o giro suave e gradual. A parte elétrica foi feita com capricho, com soldas de boa aparência e fios com comprimentos corretos. A chave seletora não apresenta chiados nem falhas durante o acionamento.

Uma das poucas coisas que não aprovei na Riviera foi o fato de os captadores não possuirem ajuste de altura. O parafuso que fica na extremidade da capa apenas fixa o captador no corpo da guitarra. A altura de cada um já é pré-determinada de fábrica.

captadores_altura

A Epiphone Riviera Custom P93 possui garantia vitalícia da Epiphone, contra defeitos de materiais e de construção.

A experiência de tocar numa Riviera é reveladora, pois só com ela nas mãos podemos vislumbrar do que é capaz.

Sua construção semiacústica confere ao instrumento uma camada natural de frequências médio-graves, fazendo constante um quase imperceptível anasalado em sua sonoridade.

Os captadores P-90 que a equipam, por serem single coils, também trabalham da região dos médio-graves e graves. Mas, no meu modo de ver, dois fatores são primordiais que tornam esse instrumento tão versátil: o maple do corpo traz definição ao timbre, não deixando anasalar demais e perder o ataque e os níveis razoáveis de saída dos captadores fornecem corpo à sonoridade do instrumento. Com isso, a Riviera se torna uma poderosa ferramenta de trabalho, fazendo um papel quase de curinga no setup de um músico.

Os modelos de captadores que equipam essa guitarra possuem ganho razoável e projeção sonora. A estrutura do modelo P-90 gera uma sonoridade peculiar, com clareza sonora e ótima resposta à dinâmica da palhetada. Essa definição sonora a coloca com tranquilidade no território do blues e do rock. Equalizando os volumes e as tonalidades do instrumento e do amplificador, ela salta direto do rock para o jazz e a bossa com a mesma desenvoltura, sem comprometer a qualidade da música.

Seu braço é gordo, mas de fácil compreensão. Bastaram poucos minutos para a estranheza ficar para trás e me sentir à vontade em qualquer região. Acordes no final do braço e licks nas primeiras casas foram executados com certa normalidade e com coerência sonora.

O stud (ou cavalete) está posicionado corretamente, o que permitiu ajuste preciso das oitavas.

Apesar da ponte ter sérias limitações com relação à sua alavanca, surpreendentemente desafinou pouco. Mas os problemas de afinação ocorrem com frequência nesse tipo de ponte. É fundamental entender seu funcionamento, suas limitações e sempre ter parcimônia em sua utilização.

Eu sempre digo que, antes de definir uma opinião sobre um instrumento, é preciso conhecer sua sonoridade e entender sua proposta. Isso faz toda a diferença. É o conjunto de funcionalidades e características que, somados, criarão a identidade do instrumento. Apesar de alguns pontos não serem do meu agrado total, a Riviera se mostrou um instrumento excelente e com personalidade. O mais bacana, na minha opinião, é que essa personalidade pode ser utilizada para definir a identidade da própria música. Não é uma guitarra para qualquer um. Acredito que músicos experientes tenham melhores condições de explorá-la devidamente do que os iniciantes.

Riviera


Ficha técnica:

Modelo: Epiphone Riviera Custom P93 Limited Edition

País de fabricação: China

Site: http://www.epiphone.com/Products/Archtop/Riviera-Custom-P93.aspx

Corpo:
– maple laminado com bloco central de mogno
– Pintura: Wine red

Braço:
– colado de mogno
– Espessura: 22,5 mm (no traste 1) x 26 mm (no traste 12)
– Largura: 43 mm (na pestana) x 58 mm (no traste 22)
– Escala: rosewood com marcações em paralelogramo perolado
– 22 trastes médio jumbo
– Raio de escala: 12 polegadas
– Tensor: ação dupla

Elétrica:
– Captador ponte: Epiphone P-90 clássico com Alnico V – 9,14 K Ohms e picos de aprox. 210mV
– Captador meio: Epiphone P-90 clássico com Alnico V – 9,09 K Ohms e picos de aprox. 280mV
– Captador braço: Epiphone P-90 clássico com Alnico V – 9,11 K Ohms e picos de aprox.240mV
– 3 volumes (1 por captador)
– 1 tom máster
– chave seletora toggle de 3 posições

Hardware:
– Ponte: LockTone Tune-o-matic + Bigsby modelo B70, dourados
– Tarraxas 3×3 Wilkinson vintage douradas


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

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Teste: Cordas Dean Markley Blue Steel 0.011

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O assunto “Cordas” é muito pessoal, e por isso, polêmico. Tudo o que falamos sobre cordas é sempre nossa impressão pessoal, pois cada um tem uma sensação, uma composição química de suor, uma frequência de estudos e práticas, etc. Mesmo sabendo de tudo isso, a Dean Markley é uma daquelas empresas que sempre respeitei e admirei, mesmo sem ter tido muito contato até então. Atualmente, mais próximo dos produtos, de músicos que a usam e de representantes da DM Brasil, tenho mais conhecimento de causa para ratificar e endossar tudo aquilo que a marca me inspirava gratuitamente.

A Dean Markley é uma empresa norte americana, localizada no estado do Arizona. O começo de tudo foi uma loja que o próprio Dean abriu em Santa Clara, Califórnia, a qual se tornou, posteriormente, a Dean Markley Music, fundada oficialmente em 1972. A empresa começou com a fabricação de cordas para instrumentos, mas expandiu sua produção para amplificadores, captadores e acessórios em geral.

Para o primeiro review da DM, trouxe a Blue Steel, corda que é o carro chefe da empresa.

Logo de cara, na embalagem, uma declaração textual de preocupação com o meio ambiente esclarece que os envelopes individuais para as cordas foram subsituídos por um único invólucro plástico anticorrosivo lacrado. No verso da embalagem, um QR Code comprova a legitimidade do produto. Algo que vem bem a calhar nestes tempos de falsicação frequente.

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A sensação de abrir um pacote de cordas novas e pegá-las na mão é sempre boa. Cordas novas possuem uma textura sedosa e hidratada, fazendo-as deslizar suavemente pelos dedos.

Durante testes, sou um pouco mais analítico que o normal nestes momentos, mas devo confessar que a primeira impressão causada pela Blue Steel foi extremamente positiva.

As cordas foram instaladas de forma tranquila. O calibre em questão facilita a colocação, fixação e estabilização da afinação.

Dsc06102O enrolamento das bolinhas é bastante justo e firme. Isso diminui a possibilidade de desafinação decorrente da deformação da amarração ao redor da bolinha da corda.

As bolinhas possuem apenas 2 cores: azul e preto. As cordas pares são azuis e cordas ímpares, pretas. Para facilitar a identificação, as 6 cordas são distribuídas em 2 laços de três cordas cada. Um laço para os bordões: cordas 6, 5 e 4, azul, preto e azul, respectivamente. Outro laço para as primas: cordas 3, 2 e 1, preto, azul e preto.

Na parte interna da embalagem, há uma dica para o caso de pouca iluminação durante a troca de cordas: pegue os 2 laços e aperte suavemente, um de cada vez. O que for mais resistente é o laço dos bordões. De minha parte, imediatamente visualizei o laço dos bordões com 2 bolinhas azuis e uma preta. Pegando as 2 cordas com bolinhas azuis, ficou fácil distinguir a corda 6 da corda 4. O mesmo vale para o laço das primas. Duas bolinhas pretas e 1 azul. Com as duas bolinhas pretas na mão, é fácil separar a corda 3 da corda um. Se a empresa não quis copiar padrões já existentes de cores, achei uma boa solução para identificar as cordas.

Dsc06097

As minhas primeiras impressões foram positivas, também pelo fato de as cordas seguirem um padrão, digamos “old school”, com os bordões mais pesados, diferente da tendência atual de equalizar o peso das cordas (em kilos), diminuindo a tensão dos bordões. O que me atrai nos encordoamentos .011 é exatamente a alta tensão das cordas e todas as consequências associadas a isso, desde a pegada até o timbre mais firme, seco e parrudo.

A relação de tensão (sentida na mão) entre as cordas é equilibrada e bem distribuída. O mesmo vale para o volume resultante de cada uma delas. Não há cordas mais duras ou com maior ou menor volume. Tanto para a mão da palheta como para a mão da escala, a força exercida é uniforme e coerente com a posição da corda. Os bordões aceitam palhetadas fortes e rápidas, sem ceder tanto à força do ataque e, consequentemente, sem vibrar com tanta amplitude a ponto de trastejar. As primas acompanham esse pensamento, mas fornecem o conforto necessário para que bends e vibratos possam ser executados com certa tranquilidade.

Os calibres são:

– Corda 1 – .011
– Corda 2 – .013
– Corda 3 – .018
– Corda 4 – .030
– Corda 5 – .042
– Corda 6 – .052

A ação da guitarra utilizada para o teste, uma Hourneaux baseada no modelo Stratocaster, é extremamente baixa, no limite do trastejamento. No traste 12, temos 0,8 mm na primeira corda e 1 mm na sexta corda. A única coisa que eu pensava era: caso as cordas não tenham vibração equilibrada, trastejará com mais facilidade. Para minha surpresa e grande satisfação, a guitarra soou límpida e metálica. As notas possuíam sustentação e projeção sonora.

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Segundo as informações da empresa, a Blue Steel é fabricada com um processo de criogenização em nitrogênio líquido à 195º C negativos. Com isso, a estrutura molecular da liga metálica é realinhada, minimizando falhas microscópicas. Tal processo gera, em termos sonoros, agudos cortantes e graves densos. Os filamentos são feitos com 8% de aço niquelado e o núcleo é hexagonal, proporcionando um timbre mais brilhante, com durabilidade prolongada.

Na prática, a Blue Steel é uma corda muito interativa, que responde com facilidade à dinâmica do ataque, seja com a palheta ou com os dedos. As notas são bem articuladas e destacadas, com vibração precisa e sem oscilação de frequência.

A afinação também foi beneficiada. Os intervalos de terça maior (os que mais sofrem com os instrumentos temperados) soaram coerentes e mais bonitos. Com as oitavas da guitarra ajustadas corretamente, a afinação, de um modo geral, ficou mais homogênea, com menos diferenças de entonação em intervalos distantes. Fiz experiências com terças e sextas maiores com duas oitavas de distância, quartas com 3 oitavas e fiquei bastante satisfeito com o resultado. Onde outras cordas geram oscilação no intervalo, a Blue Steel foi uma das poucas marcas que afinou com coerência convincente. A imperfeição do instrumento temperado impede a afinação e entonação exata, mas comparando com outras cordas, a melhora é perceptível.

Com relação à durabilidade, posso dizer que, literalmente, eu esqueci da corda na guitarra. Gig após gig, eu simplesmente guardava o instrumento. No máximo, me limitei a passar um pano superficialmente nas cordas. Após 4 meses de uso desregrado, a aparência está mais opaca e escurecida, a entonação está praticamente a mesma e o timbre, apesar de alterado, permanece claro e destacado.

Admito que não é lá muito fácil arrebentar uma corda de um jogo .011. Mas eu não facilitei. Exagerei nos bends, vibratos e ataques de palheta e, em muitas ocasiões, a guitarra sequer desafinou.

Se eu já simpatizava com o nome “Dean Markley” antes de conhecer as cordas, agora posso dizer que realmente aprovo o produto. Eu era usuário assíduo de uma marca cujo modelo não é mais fabricado atualmente. Fico feliz em ter encontrado um substituto.

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Além de todos os pontos positivos táteis encontrados nas cordas Blue Steel, um detalhe mais subjetivo me chamou muito a atenção. Durante uma entrevista do Dean, ele comentou algo que, atualmente, determina a diferença entre prestar atenção ou não em determinado assunto, pelo menos para mim. A frase é a seguinte:
“Dean Markley still embraces old-fashioned business methods: the customer always comes first and a man’s handshake is his word. ” ou, numa tradução livre,

“Dean Markley ainda se utiliza de métodos antigos para fazer seus negócios: o cliente está sempre em primeiro lugar e a palavra de um homem está no seu aperto de mão.”

Agora, no momento de trocar as cordas, vou instalar um jogo de Dean Markley Helix, também .011, que serão tema de um review em breve. Até lá!


 

Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

Acesse o site! Vale à pena!

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