Teste – Guitarra Jackson Adrian Smith Signature

jacksonASEm janeiro de 1985, tive uma das experiências mais marcantes da minha vida: tomei conhecimento de um guitarrista chamado Jake E. Lee, que estava acompanhando Ozzy Osbourne no show do Rock in Rio, em sua primeira versão.

JakeELee2Além da formação em piano clássico, a impactante imagem de sua mão esquerda debruçada com os 5 dedos sobre a escala e da técnica impressionante que deixava claro se tratar de um exímio guitarrista, o instrumento que empunhava na ocasião se tornou uma referência para quase qualquer assunto sobre guitarra. Era uma Charvel branca, tipo stratocaster, com escudo preto.

Desde então, a “Charvel do Jake E. Lee” se tornou uma lenda.

Agora, juntemos toda essa fixação por esse instrumento icônico com a ironia de Grover Jackson, fundador da Jackson, ter sido funcionário e se tornado uma espécie de herdeiro da empresa de Wayne Charvel.

De posse de toda essa “bagagem”, abro o bag duplo (a outra guitarra é uma Epiphone Les Paul Custom Zakk Wylde signature) e me deparo com a Jackson signature de Adrian Smith que, com todas essas semelhanças e coincidências, me remete imediatamente ao ano de 1985, fazendo-me sentir novamente o sabor da descoberta de algo maravilhoso.

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A imagem da guitarra é como a de um artefato sagrado, exalando onisciência e imortalidade.

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Cada detalhe de acabamento colabora para a beleza única deste instrumento que, apesar de não ter frisos, encrustações na escala e outros “bixos” psicodélicos, é de uma beleza simples e verdadeira, de absorção imediata.
De uma maneira geral, é um instrumento para ser imediatamente tocado, sem perda de tempo. De preferência, de olhos fechados. A despeito de sua estética privilegiada, a mensagem mais significativa é percebida pelas mãos e ouvidos.
O braço é um dos mais confortáveis que já experimentei. Confeccionado em uma peça de maple, com tensor colocado por trás, o shape em “C”, com espessuras de 19 mm no traste 1 e 21,5 mm no traste 12, garante tocabilidade máxima em qualquer região, seja nos acordes no começo do braço ou nas últimas casas, altamente acessíveis.

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O abaixador de cordas é sempre uma grande sacada para instrumentos com trava na pestana, pois permite o travamento das cordas sem grandes movimentações e, consequentemente, sem grandes ajustes na microafinação da ponte.

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O maple exposto em todo o braço faz um belo contraste com o hardware preto. Com exceção da parte frontal do headstock, que possui verniz brilhante, todo o braço é apenas selado, garantido suavidade ao toque. A mão desliza melhor e colabora com a tocabilidade. O único ponto negativo é a porosidade excessiva da seladora na escala, onde pode ser fácil e recorrente o depósito de sujeira e detritos, como suor, poeira, etc.

Os trastes jumbo estão muitíssimo bem instalados e polidos, mas foi necessário fazer um leve nivelamento para conseguir uma regulagem com ação de cordas baixíssima.

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A ponte, Floyd Rose original, dispensa apresentações e facilitou muito o processo de regulagem, estabilizando a afinação com mais facilidade e rapidez do que o usual. Sua instalação não conta com o back box.

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Equipada com 2 captadores Fender Noiseless Samarium Cobalto no braço e no meio e um Di Marzio Super Distortion na ponte, a guitarra possui um timbre aberto e ofensivo.
São captadores fortes e ríspidos, que gostam de overdrive e respondem muito bem à dinâmica da palhetada e à dinâmica de volume.

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A parte elétrica é enxuta e bem planejada. Os fios possuem tamanho calculado, os potenciômetros são CTS, garantindo a qualidade dos componentes.

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A cavidade não é revestida com material condutivo, tampouco o escudo possui a folha metálica na região dos componentes, como é de praxe nas Fender. O único detalhe é um reforço de aterramento, feito com tiras de folha adesiva de cobre, instalada na parte interna do escudo, na região dos componentes. E antes que perguntem, o nível de humming é praticamente nulo.

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É uma guitarra fácil de ser tocada. A mão envolve o braço com muita naturalidade e a ação de cordas permite mais desenvoltura ao ato de tocar.
Seu timbre é encorpado e direto, direcionando a maneira de tocar para o estilo ao qual ela foi concebida.
Power chords soam cheios e definidos. Os palm mutes pulsam empolgantes, exatamente como o heavy metal determina. Com drive de amp valvulado ou no pedal de distorção, a guitarra falou bem em todas as situações. Ficou nítido que o overdrive é a zona de conforto deste instrumento.
Os bends nas notas mais agudas emergem destacados e cortantes. Os captadores Fender NSC são mais agressivos que o normal, fornecendo o punch, moldado com a sonoridade característica dos Noiseless.
E a combinação das madeiras com a personalidade destes captadores forneceu a esta guitarra a agressividade e clareza desejadas por todo metaleiro que se preze.

É um instrumento de primeira, como poucos que conheci. O duro é, depois de tudo isso, ter que devolvê-lo ao seu proprietário…

C’est la vie…

Ficha técnica:
Corpo em alder
Braço em 1 peça de maple com 22 trastes jumbo e marcações black dot
Ponte Floyd Rose original preta
Tarraxas blindadas Gotoh pretas
Captador braço: Fender Noiseles Samarium Cobalto, com 15,7 K Ohms de resistência e picos de 134 mV
Captador meio: Fender Noiseless Samarium Cobalto, com 15,8K Ohms e picos de 156 mV
Captador ponte: Di Marzio Super Distortion, com 15,8 K Ohms e picos de 234 mV
Chave de 5 posições
Controles de tom máster e volume máster.


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – amplificadores valvulados.

Visite o site. Vale a pena!

www.rotstage.com


 

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8 comentários sobre “Teste – Guitarra Jackson Adrian Smith Signature

  1. Nossa! Sempre fui fã de Jake Lee (Crazy Train é uma música bem planejada em seus acordes todas do Bark the Moon do OZZY, mas prefiro Ronnie James Dio no Black Sabbath), é um dos meus preferidos e já ouvi muito da Charvel dele, que um dos funcioários fundou a Jackson, acho que foi algo assim… Sem certeza…. A jackson do Adrian Smith foi roubada certa vez, não sei se ele recuperou e não sei se era signature dele nesta época, outro ídolo meu como Dave Murray do Iron Maiden. rectemente tinha colocado na minha Jackson Warrior um DP-100 Superdistortion no braço (pois me enviaram um que não era F-Spaced e um Distortion Trembucker da Seymour que vou colocar na K2 Ponte, sem blindar, tinha ficado razoável a instalação com 2 push pull (Serial e Paralela), um amigo meu que foi esta semana para estudar com seus ídolos na IG & T em SP, Edu Ardanuy, Bittencourt, Faiska etc tocou nela, ele é um garoto de 16 anos que estuda bastante música e me impressionou com sua Ibanez Jr, posto uma foto com Edu Ardanuy que desejei sorte a ele de estudar com um grande cara do Dr. Sin, e ele parece que ficou impressionando com seu aluno que chamou para tocar juntos talvez em uma Jew session, não sei bem, ele gostou da ligação que fiz na JS Warrior eu não gostei tanto assim, esperava mais, com uma pedaleira G5 ZOOM e um cubo Roland de 20 RMS… com este Dimarzio DP-100 e um Seymour Distortion Trambucker na ponte, mais ou mesnos ficou legal, a blindagem da Jackson parece que é uma tinta bem rala de grafite pincelada nas cavidades dos HUMs e Pots… ficou meio ruidosa até enconstar as mão nos TERRAS… fiz como o figurino… Essa guita aí dos megaguitarrista LEE e SMITH são as mais bonitas strats depois da K2 para mim, Mestre Seizi Tagima inspirou bem nas Rand do Ed Roman, falecido em 2011, um dos mestres da customização… não sei até onde vai a estória da K2, mas mestre Tagima acertou bem e fez as duas Branca e Preta, stratocasters estilizadas mais belas que já vi, mais bonita que a RAND e sem firulas… objetos de arte esta K0, 1 e 2… Edu Ardanuy merece bem além ods pickups da Music Maker uma guitarra bem estilizada e com alto designer como as K da Tagima… Um franco abraço… e fica uma pergunta ao Jedy Ed-il+som… que elucidou bem a descrição desta Jackson Adrian Smith… Tinta PU é melhor que verniz laca nitrocelulose bi-componente?

    Edilson pode apagar a outra postagem mais acima que postei neste artigo, espaço errado, já havia postado na do Mito da Blindagem de sua autoria! Desculpe!

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  2. Grande cara! Gostei muito deste artigo seu sobre o mito da blindagem, recentemente comprei duas Tagima K2 (chinesas) usadas do Kiko Lourreiro, pois acho a Stratocaster (Logicamente ‘estilizada’) mais bonita, uma delas pintei com branco puro automotivo+ Verniz Laca Nitrocelusose Bicomponente e ficou ótima, mais braços um com verniz fosco e outro brilhante, vou colocar um Dimarzio The Chopper + HUM Seymour Duncan Distortion Trembucker e na outra um Seymour Duncan Vintage Rails e HUM Ultradistortion M215K Kent Armstrong (por 30 reais), em uma Jackson Warrior Chinesa Satin Black 2 Seymours HUM (Screamin’ Demon Braço e ponte Parallel Axis Distortion… Fiz uma das ligações em Potenciômetros Spirit PUSH PULL (Achei que eles riscam demais a pista interna frequencial perto dos originais da Tagima (normais B500K e A500K) e Jackson (normais 2 x A500K), blindei com fita de cobre adesiva que vendem em luthierias totalmente as tampas, o nicho do humbucker, e somente lateral da cumbuca dos pots, não coloquei na parte onde fixa os pots e a chave… e ficou uma porcaria, sou muito meticuloso com solda (Best) ficou uma maravilha de soldagem, mas a blindagem não resolveu nada, como vc mesmo disse é um grande MITO, por que as grandes marcas não usam? Como vc mesmo colocou no artigo… usei todos fios de cobre polarizados de alto-falantes com bitola mínima, mas acho que vou usar de os fios bem finos, como dos captadores para entrelaçar entre os pots e aterrar… Pergunta: Vc acha que devo usar fios mínimos, de cobre ou prateados (aluminizados)? poderia criar um artigo sobre fios, seu blog é muito bakana, pois já me ajudou convencendo do mito da blindagem… e iria até fazer aquele melado de tinta grafite, hehehe… um franco abraço camarada Ed-il+som

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  3. Que demais cara, estou indo para os EUA agora neste mês e se der tudo certo trago uma para cá, depois levarei para você Edison para ajustes, parabéns esta guitarra é um sonho!!!

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