Teste: Guitarra Fender SRV Signature

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Conheci SRV tardiamente, em 2003, quando ainda estudava guitarra. Até então, blues para mim se resumia em Lightnin Hopkins, Muddy Waters e Robert Johnson. Quando escutei SRV pela primeira vez, seguindo conselhos de meu professor de guitarra, enlouqueci!

Comprei vários CDs e DVDs, pois estava maravilhado com a ferocidade com que SVR tocava.

Vale a pena conferir suas performances na música “Third Stone From the Sun”, onde o guitarrista literalmente sobe com os dois pés em cima de sua guitarra, após jogá-la de um lado para outro, no chão do palco.

SRV

Dos seus vários instrumentos, duas Fender Stratocaster ganharam fama especial: A “One” e a “Lenny”.

One SRV_Lenny

A guitarra deste review é uma signature de SRV baseada na One mas, como veremos, não é uma réplica.

A One original foi adquirida por SRV em uma loja de instrumentos usados, em 1974. Ela é formada por partes de diferentes guitarras. O braço é de uma strato ano 62. O corpo vem de uma 63 e os captadores são de 1959. Daí vem o segundo apelido dessa guitarra: 59.

O modelo signature foi lançado em 1992, pela Fender.

Quando a recebi em minha oficina e abri o case, quase ajoelhei na sua frente. É realmente um instrumento bastante imponente, até pela sua associação imediata com o próprio SRV.

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O visual é enlouquecedor e o hardware dourado ajuda a valorizar sua beleza.

O corpo tem pintura sunburst com verniz PU (a One original possui verniz nitro ou algo do que sobrou do verniz) e a transição do caramelo para o  preto é perfeita, pois o degradee é um esfumaçado suave, sem respingos ou pontos de tinta.

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Dentre as diferenças que caracterizam as 2 guitarras, a mais gritante é percebida na primeira olhada. A signature é vendida como uma guitarra nova, enquanto a One original era absolutamente surrada.

Sua especificação é básica, sem grandes revoluções. No entanto, a configuração personalizada, que atende a necessidades pontuais de SRV, é que a torna um instrumento único e tão especial.

Seguindo o velho padrão da Fender, o braço parafusado de maple é extremamente confortável. Os trastes estão muito bem instalados, completamente assentados na escala e bem acabados, sem pontas laterais.

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A One original possui 21 trastes jumbo. O modelo deste review possui trastes médios, que deixam o braço mais exposto ao toque, passando a sensação de intimidade com o instrumento.

Outra diferença é o shape do braço: enquanto o formato do braço da signature é um “C” esguio e confortável, a One tem o braço em “D”, com uma pegada mais cheia.

Selecionado à dedo, o Pau ferro da escala, com sua figuração bem expressiva, é um show à parte.

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Apesar do raio de escala de 10 polegadas, que obriga uma altura maior nas cordas, foi muito fácil tocar nessa guitarra. Bends, vibratos e escalas foram executados com grande conforto e prazer. O segredo está na regulagem perfeita que a guitarra, gentilmente, permitiu que fizesse nela.

O ajuste no tensor é realizado no final do braço. Apesar de isso significar certa dificuldade, pois há a necessidade de retirar o braço para o ajuste, este é muito estável e não precisou de muitas tentativas. Na verdade, o tensor quase não foi exigido na regulagem. O braço, por si só, já foi suficiente para suportar a tensão das cordas.

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É certo que, neste instrumento, não foi instalado um encordoamento de calibre .012 ou .013, como SRV gostava, mesmo assim, uma .010 exerce uma força considerável, de aproximadamente 46 kg, que o braço segurou tranquilamente.

Para mim, hardware dourado é um verdadeiro atestado de elegância, algo que essa guitarra tem de sobra. As tarraxas vintage e o icônico trêmolo para canhoto, ambos dourados, enfatizam as cores quentes e saturadas do instrumento.

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As tarraxas merecem um destaque, pois o movimento de afinar e desafinar é firme e sem folga. As buchas das tarraxas seguram o poste no lugar e colaboram para a ótima afinação do instrumento.

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Com instalação limpa e enxuta, a elétrica da guitarra conta com 3 captadores Fender Texas Special, volume máster, 2 tons e chave seletora de 5 posições. As soldas são muito bem feitas e os fios possuem comprimentos corretos.

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Os três potenciômetros CTS têm variação sem saltos.

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Com transição suave e firme, o pot logarítmico de volume tem funcionamento preciso. Com 25% de giro, tive metade do volume total. Com 50% de giro, o volume é quase nulo.

O pot de tonalidade corta agudos específicos, deixa o timbre redondo, macio e com vida, preservando a dinâmica e o sustain.

Uma das grandes características que tornou essa guitarra famosa e tão fortemente associada a SRV são os captadores Fender Texas Special. Esses pickups já são conhecidos pelo som forte e ardido, porém, nas mãos de SRV, eles foram (e)levados a outros patamares.

Sempre que me deparo com um kit de Texas Special na minha oficina, procuro explorar esses captadores, buscando a fórmula sonora de SRV. E nunca consigo. Vou mais além: nunca vi esses captadores soarem tão bem nas mãos de outra pessoa. Vaughan se sintonizou com sua guitarra e com os pickups de uma maneira que não mais é possível dissociar um do outro, como uma simbiose que deu muito certo.

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Os captadores possuem pólos estagiados e, graças a isso, as cordas 1 e 2 alcançam equilíbrio perfeito de saída, algo raro de se ver por aí. Tanto preciosismo com equilíbrio de saída em single coils, só encontrei no set de Custom 69, também da Fender.

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O pickup de ponte apresenta sons cortantes, com muitos agudos e médio agudos.

Um pouco mais contido, o captador do meio nos entrega médios macios e destacados.

No braço, temos graves e médio graves com brilho, numa sonoridade redonda e agradável. E muita, muita massa sonora.

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Sempre me pergunto quanto um instrumento específico ajuda a forjar a identidade sonora do músico. Assim como SRV e sua strato, podemos observar casos como Hendrix, Steve Harris, Chris Squier, Robert Johnson, etc. Eric Clapton é um caso clássico, pois enquanto utilizava instrumentos Gibson, tocava um tipo de música. Ao adotar as Stratocaster, mudou também o estilo musical. Quem iniciou as mudanças? A música ou o instrumento?

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O fato é que a One e, consequentemente, a signature deste review são instrumentos concebidos para o blues rock texano.

Alguns elementos obrigatórios estão fartamente presentes neste instrumento. Bastante massa sonora, ataque, expressividade e dinâmica que obedece à palhetada.

O crunch vem fácil nos volumes altos. Com drive, a guitarra se transforma num trator, com sonoridade forte, cortante e sustain absurdo! O bloco ponte possui bastante massa e colabora para o sustain.

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Palhetadas em stacatto disparam notas secas e ardidas, com muito ataque e expressão e os harmônicos artificiais são muito fáceis de tocar.

Me senti “O” blueseiro, mesmo não sendo um de verdade.

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A combinação das madeiras, shape de braço e pickups Texas Special resultou em sonoridade típica e perfeita para o blues texano ao qual está associada e criou uma guitarra que suplica por pentas, bends e vibratos.

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Cowgirl verdadeira e única!

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Ficha técnica

Página: http://intl.fender.com/en-BR/guitars/stratocaster/stevie-ray-vaughan-stratocaster-pau-ferro-fingerboard-3-color-sunburst/

Modelo: Stevie Ray Vaughan Stratocaster

País de fabricação: USA

Braço:
– Maple parafusado
– Escala de pau ferro
– 21 trastes médios
– marcação bolinha branca
– Largura: 42,5 mm na pestana x 56,5 mm no final do braço
– Espessura: 21mm no traste 1 x 24 mm no traste 12
– Tensor na base do braço, barra simples, ação simples.

Corpo:
– Alder
– Pintura sunburst, verniz PU.

Elétrica:
– 1 volume máster
– 2 tons
– Chave de 5 posições
– Captador do braço: Single Coil Texas Special – 6,42 K Ohms, 90 mV
– Captador do meio: Single Coil Texas Special – 6,51 K Ohms, 118 mV
– Captador da ponte: Single Coil Texas Special – 6,89 K Ohms, 145 mV

Hardware:
– Tarraxas: Fender American Vintage
– Ponte: Fender American Vintage Synchronized Tremolo, saddle 10,8 mm


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

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Teste: Washburn Stevie Salas

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Eu tenho uma maneira muito particular de apreciar um instrumento. Não elogio apenas pelas belas madeiras, pela construção precisa, acabamento impecável ou escolha acertada do hardware e captadores. Quando vejo um instrumento que, inicialmente, me parece interessante, a primeira informação que busco é sua história e da empresa ou pessoa que o fabricou.

Acho que já deu para perceber, pelos meus artigos anteriores, que alimento uma admiração especial por empresas antigas, que conseguiram, de alguma maneira, atravessar os longos anos de história e imprimir seu nome e sua identidade no mundo da música para sempre.

À primeira vista, esta parece ser uma visão poética e, sob certos aspectos, até é mesmo. Mas um dos pontos que mais me chamam a atenção é a evolução dos instrumentos, da tecnologia, do design e o sacrifício dos homens que batalharam tanto para isso acontecer.

Empresas como a Gibson, por exemplo, tiveram o início marcado pela fabricação de excelentes e inovadores mandolins. Alguns tinham o braço oco (hollow neck) para intensificar os graves.

MandolinHollowNeckO mandolin acima não é um Gibson, mas exemplifica bem um hollow neck.

A Rickenbacker foi a primeira a comercializar um instrumento elétrico, o lap steel Frying Pan.

FryingPan

Já Leo Fender se inspirou em alguns modelos de banjos fabricados pela Gretsch, os quais possuíam braço parafusado, para projetar sua Esquire. Gerhard Almcrantz já fabricava, em 1895, violões com braço parafusado – técnica atualmente utilizada pela Taylor.

Vontade não me falta para tecer uma imensa lista de nomes como Orville H. Gibson, Clarence Leonidas Fender, Adolph Rickenbacher, Friedrich Gretsch, Christian Frederick Martin, Anastasios Stathopoulo, Paul Tutmarc, George Washburn Lyon e tantos outros para denotar a importância destes homens e como determinaram, de certa maneira, o nosso comportamento nos dias de hoje. Oportunamente, através do meu blog, prestarei a devida homenagem a cada um deles.

A Washburn começou com a fabricação de violões, em 1883. Sob minha visão, sua trajetória é marcada por excelentes instrumentos, que são, declaradamente, itens de desejo para muita gente.

Eu “enxerguei” a Washburn pela primeira vez através do modelo CS780, o qual me hipnotizou e conquistou imediatamente.

WashburnCS780White

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Em 2012, tive outro encontro com uma guitarra Washburn. Dessa vez, foi para a coluna de testes da Guitar Player brasileira nº 192, onde escrevi uma matéria sobre a WM24 Renegade que, diga-se de passagem, é um excelente instrumento.

WashburnRenegade

Para este review, trago uma guitarra impressionante, tanto pela beleza quanto pela sua funcionalidade. Como uma maravilhosa herança deixada por Grover Jackson, enquanto trabalhou como responsável pela seção de custom shop da Washburn, a Stevie Salas é uma flecha limpa e curta, onde o tiro é certeiro e eficaz!

A configuração da Stevie Salas é simples e sem muitas firulas.

Seu braço de maple com escala de rosewood, apesar de magro e confortável, é absurdamente estável. A regulagem foi tranquila e consegui atingir todos os objetivos de curvatura do braço, ação de cordas e entonação sem nenhuma dificuldade. O shape do braço é um “C” suave e raso. A mão da escala envolve todo seu contorno com muita naturalidade. O cutaway inferior e a junção rebaixada permitem acesso fácil aos últimos trastes.

braço

Eu gosto, particularmente, dos headstocks da Washburn. O da Stevie Salas, acompanhando o conceito da guitarra, é enxuto e funcional. Seu tamanho reduzido e seus contornos simplificados o tornam discreto e harmonioso com o restante do instrumento.

headstock

A junção do braço ao corpo possui um rebaixo que facilita a pegada naquela região.

juncao

Os trastes médio jumbo foram bem instalados e ajudaram muito durante o nivelamento. Possuem boa altura e pude fazer todo o trabalho com bastante tranquilidade.

trastes

A marcação é de bolinhas em madrepérola, instaladas na metade superior da escala de rosewood .

marcacao

O corpo é construído com 3 partes de um ash bastante figurado e uma folha de flamed maple no top, valorizando incrivelmente o púrpura translúcido do acabamento.

back

top

Apesar do ash, este não é um instrumento pesado. Pude tocar por bastante tempo com a correia no ombro, sem sentir maiores incômodos.

As tarraxas Grover 305 utilizadas no modelos são excelentes. O ratio 18:1 permite o alcance da afinação com precisão cirúrgica e muita rapidez, além de estabilizar em pouquíssimo tempo. São discretas e combinam perfeitamente com o visual da guitarra.

tarraxas

A ponte flutuante é de propriedade da Washburn e cumpriu perfeitamente seu papel. Não desafinou nas alavancadas, que, após ajustadas as molas, ficaram macias e confortáveis. A microafinação também foi perfeita. Todos os parafusos tinham um grande aproveitamento de curso de rosca, permitindo variar quase um tom para cima e para baixo da afinação estabelecida.

ponte

O abaixador de cordas é sempre uma grande sacada em instrumentos que possuem lock-nut. As cordas bem rebaixadas praticamente anulam os problemas de afinação, durante o ato de travar a pestana.

AbaixadorDeCordas

Talvez, um único detalhe destoou neste instrumento. O acesso ao tensor é impossível de ser praticado sem a retirada do braço. Apesar de visível, o espaço entre a abertura de acesso ao tensor e o captador do braço é metade da distância necessária para podermos inserir uma chave allen e realizar o ajuste. Repare que a chave, à esquerda do captador, é bem maior que o espaço disponível.

AcessoTensor

A Washburn Stevie Salas me causou uma sensação curiosa, pois é um instrumento extremamente fácil de tocar. Todo o conjunto ponte/captadores/braço é um pouco deslocado para trás, deixando um espaço menor entre o final do corpo e a ponte. Isso deixa o instrumento, como um todo, algumas polegadas menor, resultando em mais ergonomia e conforto.

Tanto sentado, com a guitarra no colo como em pé, utilizando correia, a tocabilidade é, no geral, bem mais fácil do que muitos instrumentos mundialmente consagrados.

Seu timbre é vigoroso, possui ímpeto sem ser ardido e agressividade sem ser violento. Funciona muito bem no hard rock e no metal. O blues ficou mais moderno, sem perder a identidade. Para o jazz, no meu modo de ver, a guitarra soou mais metálica e “dura” do que eu gostaria.

Seu corpo de ash com top de maple lhe conferem muita clareza e nitidez. O ash, principalmente, acrescenta uma boa camada de médios na sonoridade deste instrumento. E com madeiras tão densas, este é um instrumento que só poderia ter um sustain gigantesco.

madeiras

As notas pulsam brilhantes e com ataque. Os 3 pickups humbuckers “amaciam” um pouco as coisas, mas não a tiram do território das pentas e dos bends.

pickups

Plugada no Rotstage CJ50 Plus, a Stevie Salas soou grande e direta, com power chords maciços, acordes definidos e cheios e solos destacados e nítidos.

A execução dos acordes ou solos é quase intuitiva. As cordas 010 instaladas ficaram com ação muito baixa, sem trastejamentos. A mão passeia pela escala sem esforço. A digitação e os bends parecem mais fáceis e de tão confortável, essa guitarra tende a deixar tudo mais descomplicado e bonito.

acao

Pessoalmente, achei essa guitarra apaixonante! Depois de regulada e testada, foi impossível não pensar em ter uma dessas! Para músicos de rock e pop, este instrumento é um verdadeiro oásis de sonoridade e funcionalidade.

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Ficha técnica

Modelo: Washburn Stevie Salas Signature

País de fabricação: Coréia

Braço:
– Maple one piece
– Escala de rosewood
– 22 trastes médios
– marcação bolinha madrepérola na metade superior da escala
– Largura: 43 mm na pestana x 57 mm no final do braço
– Espessura: 19,5 mm no traste 1 x 20,5 mm no traste 12
– Tensor na base do braço

Corpo:
Ash
– Top: folha de maple

Elétrica:
– 1 volume máster
– 1 tom máster
– Chave de 5 posições
– Captador do braço: Duncan Design Humbucker Single Sized, 11,88K – 130mV
– Captador do meio: Duncan Design Humbucker Single Sized, 11,83K – 150mV
– Captador da ponte: Duncan Design Humbucker Single Sized, 11,69K – 166mV

Hardware:
Tarraxas Grover 305, ratio 18:1
– Ponte Washburn 600-S


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Teste: Guitarra Epiphone Riviera Custom P93 Limited Edition

Riviera_P93Eu conservo um grande respeito e admiração por empresas reconhecidamente antigas, que ajudaram a forjar a imagem da música e dos instrumentos, deixando um legado físico e intelectual valiosíssimo para as gerações futuras: nós.

Em 1915, Epaminondas Stathopoulo assumiu a empresa de restauração e construção de instrumentos musicais do pai, recém falecido, Anastasios Stathopoulo.

O nome “The house of Stathopoulo” mudou para Epiphone, que é a junção de “Epi”, diminutivo de Epaminondas e “phone” (em grego, foní), fazendo referência a “som”. A segunda guerra mundial trouxe grandes dificuldades para a empresa que, em 1957, foi vendida para a Gibson por U$20.000,00, retirando definitivamente a família Stathopoulo do mercado musical.

O modelo Riviera, original de 1962, tem poucas diferenças deste relançamento de 1994. O instrumento tem um charme natural, até pela semelhança com outro modelo tradicionalíssimo da Gibson, a ES-335.

Seu visual é clássico e impõe respeito. A Epiphone mantém um formato maior de headstock, exclusivo para instrumentos acústicos e semiacústicos, que transparece uma vibe vintage ou retrô. Isso intensifica essa proposta vintage ou retrô do instrumento como um todo. E a impressão que tenho é que a Riviera foi inteira projetada para nos levar para uma viagem no tempo, rumo à decada de 1960.

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O braço, apesar de denominado “Slimtaper”, não tem nada de slim. É gordo e massudo. Não chega a ser desconfortável, até pela proposta natural do instrumento mas, para quem está acostumado a tocar com instrumentos que passaram por “atualizações”, a Riviera exige alguns minutos para a mão da escala acostumar com as medidas além do comum. Depois de um tempo, já me senti mais à vontade para explorar a guitarra.

A instalação dos trastes não foi 100% perfeita. Em alguns pontos, é perceptível que o traste não assenta completamente sobre a escala.

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Porém, o braço sem deformações e os trastes médios com altura razoável permitiram uma regulagem com ação de cordas baixa e confortável, fazendo a mão sentir ainda mais o braço e, o que parecia grande e desconfortável se mostrou bem anatômico, com um propósito para ser.

O corpo semisólido tem uma acústica natural, porém, limitada pelo bloco central em mogno, que impede a reverberação plena e confere uma sonoridade mais “dura” e metálica, comparada a um instrumento essencialmente acústico, como uma ES-175, por exemplo. Mas o maple presente nas laterais, tampo e fundo garantem mais volume e brilho no resultado final. Temperado com a maciez do mogno no braço, já dá pra imaginar a sonoridade brilhante e sem agressividade, com médios e ataque moderado que este instrumento tem.

Foi inevitável não perceber certa falhas na pintura, onde o vermelho invade a região do friso. Não que a qualidade, como um todo, fique comprometida, mas um instrumento que vai conquistando aos poucos acaba criando uma grande expectativa quanto à sua pefeição…

friso

Mas também é impossível negar a beleza do vermelho translúcido do verniz altamente brilhante, deixando aparente as figurações do maple.

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Os f-holes sem friso caíram bem para equilibrar o visual do instrumento. Talvez, a guitarra ficasse poluída com Bigsby dourada e friso nos f-holes.

F-holes

Falando em Bigsby, é uma das pontes mais bonitas que conheço e, mesmo tendo certas limitações, esse modelo B70 dourado ficou perfeito para colaborar com a mensagem visual deste instrumento.

Para fazer par com esta bela ponte, a Riviera é equipada com tarraxas vintage, também douradas, fortalecendo cada vez mais o visual da guitarra.

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tarraxas

 Essa guitarra tem uma peculiaridade na elétrica que, apesar de não ser novidade, não são todos os modelos que trazem essa melhoria (na minha opinião).

Com o passar dos anos, a Riviera já teve captadores humbuckers e minihumbuckers. Essa versão possui um set de 3 captadores P-90 Epiphone.

Os 3 P-90 têm controles individuais de volume, porém, apenas o captador da ponte e o do braço estão ligado na chave seletora. O pickup do meio vai direto para o volume. Isso quer dizer que os caps do braço e da ponte são controlados normalmente, como uma Les Paul Standard, por exemplo, e o pickup do meio pode ser acrescentado (ou retirado), em qualquer situação, através de seu volume. Pode fazer par com a ponte, com o braço ou estar sozinho. Para isso, basta fechar o volume dos caps da ponte e braço e abrir o volume do captador do meio. Esse pequeno detalhe gera muitas possibilidades sonoras e é extremamente útil em várias situações. Somando-se isso à sonoridade ímpar dos próprios captadores, nos deparamos com uma verdadeira máquina geradora de sonoridades.

E como se não bastasse, a guitarra ganhou um ar mais cru e roqueiro com o visual soturno e arrebatador dos P-90 dog ear.

captadores

volumes

 Os potenciômetros têm o giro suave e gradual. A parte elétrica foi feita com capricho, com soldas de boa aparência e fios com comprimentos corretos. A chave seletora não apresenta chiados nem falhas durante o acionamento.

Uma das poucas coisas que não aprovei na Riviera foi o fato de os captadores não possuirem ajuste de altura. O parafuso que fica na extremidade da capa apenas fixa o captador no corpo da guitarra. A altura de cada um já é pré-determinada de fábrica.

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A Epiphone Riviera Custom P93 possui garantia vitalícia da Epiphone, contra defeitos de materiais e de construção.

A experiência de tocar numa Riviera é reveladora, pois só com ela nas mãos podemos vislumbrar do que é capaz.

Sua construção semiacústica confere ao instrumento uma camada natural de frequências médio-graves, fazendo constante um quase imperceptível anasalado em sua sonoridade.

Os captadores P-90 que a equipam, por serem single coils, também trabalham da região dos médio-graves e graves. Mas, no meu modo de ver, dois fatores são primordiais que tornam esse instrumento tão versátil: o maple do corpo traz definição ao timbre, não deixando anasalar demais e perder o ataque e os níveis razoáveis de saída dos captadores fornecem corpo à sonoridade do instrumento. Com isso, a Riviera se torna uma poderosa ferramenta de trabalho, fazendo um papel quase de curinga no setup de um músico.

Os modelos de captadores que equipam essa guitarra possuem ganho razoável e projeção sonora. A estrutura do modelo P-90 gera uma sonoridade peculiar, com clareza sonora e ótima resposta à dinâmica da palhetada. Essa definição sonora a coloca com tranquilidade no território do blues e do rock. Equalizando os volumes e as tonalidades do instrumento e do amplificador, ela salta direto do rock para o jazz e a bossa com a mesma desenvoltura, sem comprometer a qualidade da música.

Seu braço é gordo, mas de fácil compreensão. Bastaram poucos minutos para a estranheza ficar para trás e me sentir à vontade em qualquer região. Acordes no final do braço e licks nas primeiras casas foram executados com certa normalidade e com coerência sonora.

O stud (ou cavalete) está posicionado corretamente, o que permitiu ajuste preciso das oitavas.

Apesar da ponte ter sérias limitações com relação à sua alavanca, surpreendentemente desafinou pouco. Mas os problemas de afinação ocorrem com frequência nesse tipo de ponte. É fundamental entender seu funcionamento, suas limitações e sempre ter parcimônia em sua utilização.

Eu sempre digo que, antes de definir uma opinião sobre um instrumento, é preciso conhecer sua sonoridade e entender sua proposta. Isso faz toda a diferença. É o conjunto de funcionalidades e características que, somados, criarão a identidade do instrumento. Apesar de alguns pontos não serem do meu agrado total, a Riviera se mostrou um instrumento excelente e com personalidade. O mais bacana, na minha opinião, é que essa personalidade pode ser utilizada para definir a identidade da própria música. Não é uma guitarra para qualquer um. Acredito que músicos experientes tenham melhores condições de explorá-la devidamente do que os iniciantes.

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Ficha técnica:

Modelo: Epiphone Riviera Custom P93 Limited Edition

País de fabricação: China

Site: http://www.epiphone.com/Products/Archtop/Riviera-Custom-P93.aspx

Corpo:
– maple laminado com bloco central de mogno
– Pintura: Wine red

Braço:
– colado de mogno
– Espessura: 22,5 mm (no traste 1) x 26 mm (no traste 12)
– Largura: 43 mm (na pestana) x 58 mm (no traste 22)
– Escala: rosewood com marcações em paralelogramo perolado
– 22 trastes médio jumbo
– Raio de escala: 12 polegadas
– Tensor: ação dupla

Elétrica:
– Captador ponte: Epiphone P-90 clássico com Alnico V – 9,14 K Ohms e picos de aprox. 210mV
– Captador meio: Epiphone P-90 clássico com Alnico V – 9,09 K Ohms e picos de aprox. 280mV
– Captador braço: Epiphone P-90 clássico com Alnico V – 9,11 K Ohms e picos de aprox.240mV
– 3 volumes (1 por captador)
– 1 tom máster
– chave seletora toggle de 3 posições

Hardware:
– Ponte: LockTone Tune-o-matic + Bigsby modelo B70, dourados
– Tarraxas 3×3 Wilkinson vintage douradas


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www.rotstage.com


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Teste: Guitarra Variax James Tyler JTV 59

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Vou apresentar um paradoxo: quanto mais adentramos na era da rapidez da informação, a quantidade de ideias revolucionárias diminui em relação ao número de tentativas apresentadas. Em outras palavras, à medida que a quantidade de tentativas de se revolucionar o mundo da música aumenta, mais raras são as ideias que valem à pena. E isso vale para muitas áreas profissionais contemporâneas.

Temos o exemplo da Gibson Robot, lançada em dezembro de 2007. Honestamente, por mais adepto que eu seja da empresa, essa foi uma novidade para a qual torci meu nariz.

A era da tecnologia nos fustiga com toneladas de Mbytes de informação, mas depurando tudo isso, não sobra quase nada de aproveitável.

No meu modo de pensar, a última grande sacada tecnológica no mundo da guitarra foram as Variax.

Lançados em 2002, a proposta destes instrumentos era ter tudo em um.

Cético como sou, não vi com bons olhos a novidade duvidosa. Meu primeiro contato com a guitarra foi numa Expomusic, onde o expositor apresentava as diversas simulações de timbres e instrumentos, desde os violões Martin, passando por single coils, humbuckers, até banjos e violões 12 cordas. Naquele momento, fui apresentado para algo maravilhoso e que, realmente, tinha seu valor.

No ano seguinte, andando novamente pela Expomusic, vi um músico solitário “estraçalhando” uma guitarra com o peso e a massa sonora de uma Les Paul Custom. Terminada a música, ele, na mesma guitarra, tira um dos melhores sons de strato que já ouvi. Eu fiquei parado na frente dele, custando a acreditar naquilo que ouvia…

Me aproximei e vi o logotipo no headstock: Variax.

Ainda eram os modelos antigos, Variax 300, que não possuíam captador magnético.

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Atualmente, essas guitarras evoluíram e ganharam uma certa dose de “normalidade” com a inclusão de captadores magnéticos.

Fiquei absolutamente convencido da grandiosidade deste instrumento, quando tive nas mãos a Variax James Tyler 59, deste teste.

Sua configuração é a mesma de uma Les Paul: corpo de mogno, top de maple, braço de mogno e escala de rosewood. Já dá para imaginar o timbrão do instrumento.

Seu braço é gordo, num shape em “C” generoso, que exige uma senhora pegada.

A regulagem foi muito tranquila. Consegui uma ação de cordas muito baixa e confortável e, apesar parrudo, seu braço é bem anatômico e tocar nessa guitarra é muito fácil e intuitivo.

A junção corpo/braço oferece muito conforto para o acesso às notas mais agudas, lembrando a transição dos instrumentos com braço integral. Essa é uma melhoria pouco praticada em instrumentos com braço colado.

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O top de maple do corpo é escavado num relevo similar ao das Les Paul, porém mais suave e delicado. Os frisos laterais são o próprio maple do top, que não recebeu a camada de tinta e ficou aparente, debaixo do verniz transparente.

_DSC05934A cavidade dos controles é bem planejada. Nela, dividem espaço os potenciômetros passivos (volume e tom máster) e controles ativos de emulação de instrumentos e afinações. O revestimento condutivo minimiza os ruídos e os fios possuem comprimentos corretos.

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A Variax JTV 59 possui 2 saídas: a saída mono comum, para plugs P10 e uma saída digital, chamada VDI (Variax Digital Interface), que fica protegida por um cover plástico com uma mola de pressão, para mantê-lo sempre _Dsc05936_1fechado. A conexão VDI, além de oferecer saída de sinal digital, também faz o papel de entrada AC, para alimentar o circuito eletrônico de emulação.

Os 2 pickups são típicos PAFs, que possuem ganho e resistência moderados, permitindo que a JTV 59 transite por muitos territórios musicais com bastante tranquilidade.

O nut é o modelo Black TUSQ XL auto lubrificante, que reduz a quebra de cordas e diminui o atrito durante a sua passagem pelos slots da pestana.

Clique aqui para mais detalhes sobre o Black TUSQ XL

A ponte possui pontos positivos que merecem ser citados. Os pivôs se encaixam em reentrâncias na ponte, aumentando e reforçando o contato entre os dois. Esse pequeno detalhe resulta em uma grande transferência de vibrações para o corpo do instrumento, colaborando para o sustain e permitindo que as madeiras imprimam melhor suas características físicas na sonoridade do instrumento.

_pivoA ponte da JTV 59 deriva dos modelos wraparound, criadas pela Gibson no começo da década de 1950. Uma das melhoria nas wraparound modernas é um parafuso lateral localizado na parte traseira do pivô, que tem a função de permitir o deslocamento da ponte para frente ou para trás, auxiliando o ajuste de oitavas. Outra melhoria, esta exclusiva da ponte James Tyler custom stoptail, é a utilização de chave allen para o ajuste de altura, que oferece mais precisão e preserva o pivô.

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A parte eletrônica, exclusiva da Variax, começa na ponte, com os captadores piezo L.R. Baggs Radiance Hex.

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Estes geram o pulso elétrico de cada corda e os envia para uma placa de C.I., que processa o sinal e cria os efeitos.

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O controle das emulações é feito através de 2 knobs: o Guitar Model Selector, que liga e desliga o sistema Variax e permite o acesso às emulações de instrumentos, tanto as originais de fábrica quanto as definidas pelo usuário.

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O Alternate Tuning Knob, além de responsável pela escolha da afinação desejada, também trabalha em conjunto com a chave seletora de captadores.

Quando no modo passivo (sistema Variax desligado), a chave seletora apenas seleciona os captadores magnéticos, como uma Les Paul tradicional. Com o sistema Variax ativado, a chave seletora atua como um complemento aos instrumentos emulados, permitindo acesso virtual à outras posições de captadores ou a outros instrumentos. As funções adicionais da chave seletora são ativadas através do Alternate Tuning Knob.

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_Strato

Ao todo, são 25 instrumentos e 11 afinações disponíveis na configuração de fábrica, onde pode-se fazer uma verdadeira salada grega! Qualquer instrumento com qualquer afinação.

Além de tudo isso, ainda é possível customizar mais dois instrumentos virtuais, diversas afinações malucas e usar tudo isso com um capotraste virtual em qualquer posição do braço! UFA!!!

Além da VDI, o sistema Variax também pode ser alimentado por uma bateria recarregável com autonomia para, pelo menos, 9 horas de uso, localizada na parte traseira do corpo do instrumento.

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Fazer este review da Variax JTV 59 foi uma experiência inesquecível!

Há uma diferença muito grande entre assistir a uma demonstração sobre essa guitarra e empunhá-la, assumindo o controle. E, garanto, é algo que todos deveríamos experimentar, pelo menos uma vez na vida.

As possibilidades são, praticamente, infinitas e, se não tivermos um pouco de serenidade ao tocá-la, a sensação será a de uma criança de 12 anos passeando num parque da Disney pela primeira vez. Certamente, não saberemos o que fazer…

Seu braço é robusto, porém, estranhamente confortável. Toquei facilmente em qualquer região e não encontrei nenhuma dificuldade no neck joint, que sempre é uma das maiores preocupações.

O timbre de seus pickups magnéticos é gordo e imponente, digno de uma Les Paul standard, que se situa muito bem no jazz, no blues e no hard rock. Nada muito mais pesado do que isso.

Apesar de toda escavada, para acomodar a generosa cavidade de controles, a bateria e a placa de processamento digital, a guitarra tem um bom sustain e no seu modo passivo, não deixou nada a desejar a qualquer guitarra mais tradicional. Muito pelo contrário! É uma tremenda guitarra!

Mas o que interessava mesmo era apertar o knob “Guitar Model Selector” e saber, de verdade, o que essa guitarra é capaz de fazer. Como se não fosse suficiente o que já tinha presenciado…

De uma maneira muito geral, os efeitos são extremamente convincentes. As afinações alternativas são precisas e, independente da frequência (alta ou baixa), as notas são claras, bem projetadas, verossímeis e cirurgicamente localizadas.

Com relação à emulação de instrumentos, a impressão é que temos os 25 instrumentos reais à nossa disposição. Alguns violões soaram um pouco artificiais, porém, na minha opinião, a Variax é um instrumento para o palco. E lá, em meio ao som rolando, um violão com 95% de realismo é muito mais prático e bem vindo do que levar vários instrumentos para trocar entre uma música e outra. Fora todos os inconvenientes inevitáveis de se transportar um exército de guitarras e violões.

O estranho mesmo é usar um timbre de Les Paul, mudar para uma strato e continuar com o mesmo braço. Chega a ser engraçado perceber como estamos condicionados à sensações e movimentos específicos associados a determinados sons. Para som de Les Paul, esperamos um determinado tipo de braço e peso. Para sons de strato, a mão já espera outro shape de braço e outras sensações com a guitarra no ombro. Quando essas expectativas involuntárias não são atendidas, o cérebro se perde por alguns minutos. Mas, confortável como a JTV 59 é, bastaram alguns minutos para superar essas pequenas barreiras psicológicas.

Infelizmente, seria impossível descrever em detalhes os 25 timbres disponíveis da Variax. Então, tentei focar em sons que me são mais familiares para construir uma descrição que fosse mais fiel quanto possível.

Escolhi, basicamente, as emulações de instrumentos Gibson e Dobro: Lester (Les Paul Standard), Special (Les Paul Special), Semi (ES-335), Jazzbox (ES-175) e Reso (Dobro).

Lester: Seguindo a concepção da Les Paul Standard, essa opção tem o timbre gordo (de um instrumento com corpo de mogno), porém com uma camada de médios, que resulta em certa percussividade na palhetada, boas doses de brilho e harmônicos, reproduzindo com fidelidade as consequências do top de maple no instrumento emulado.

Special: Timbre mais encorpado e “redondo” que o da Lester, consequência do corpo inteiramente de mogno e do par de captadores P-90 que equipam a Special real. Com menos brilho que a Lester, percebi uma leve sensação de compressão. A sonoridade grave da opção Special, mesmo tendo certa projeção e sustain, combina bastante com jazz.

Semi: A sonoridade tem o mesmo “redondo” da Special, porém é mais apagado, opaco,  com menos punch e menos projeção sonora. Mesmo assim, Semi e Special são muito parecidos.

Jazzbox: Um dos timbres mais bonitos, possui menos grave e menos sustain que a opção Semi. Ajustando o controle de tonalidade, é possível chegar na sonoridade ideal para o jazz, que não necessariamente é grave. Nesse caso, possui algum ataque, um “quê” de metálico, porém bastante opaco e com pouco sustain. Essas características são necessárias: se o timbre dessa opção fosse excessivamente grave, quando somado à tonalidade fechada, certamente embolaria e perderia definição. Ótima sacada e sensibilidade dos projetistas.

Reso: Bastante fiel. Timbre duro, metálico, com muitos médios e pouco sustain. Reproduz com realismo impressionante a sonoridade dos cones sob o cavalete, que aumentam o volume e dão o timbre metálico ao instrumento. Uma das posições mais honestas da Variax.

Depois de explorar as possibilidades de uma guitarra única como a JTV 59, fico pensando nos nossos impulsos de comprar modelos Strato, Tele, Les Paul, Rickenbacker, etc., para ter várias sonoridades à disposição. Com a Variax, precisamos de apenas uma guitarra. Ela provou (pelo menos, para mim) dar conta de todas com certa tranquilidade.
O duro é, novamente, ter que devolver o instrumento ao seu dono. Mas tudo bem… Passamos bons momentos juntos…

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FICHA TÉCNICA

Modelo:  Variax James Tyler JTV 59

País de Fabricação: Coréia

Site: http://www.habro.com.br/line6/produtos-jamestyler.asp?id=633&nome=JTV%2059%20-%20James%20Tyler%20Variax%2059&tipo=jamestyler

Braço:
– Madeira do braço: Mogno (colado)
– Madeira da escala: Rosewood
– Formato do braço: Tyler ’59
– Marcação: Dot em madrepérola
– Largura: 43,5 mm na pestana x 57,5 mm no traste 22
– Espessura: 22 mm no traste 1 x 24 mm no traste 12
– Comprimento da escala 623 mm (24 9/16″)
– 22 trastes medium-jumbo
– Nut: Graph Tech Black TUSQ XL Self Lubricating Nut

Corpo:
– Madeira do corpo: Mogno
– Top: Maple escavado

Captadores:
– Captador do Braço: James Tyler designed PAF-style alnico: 12,7 K Ohms, 200mV
– Captador da Ponte: James Tyler designed PAF-style alnico: 13,2 K Ohms, 350 mV
– Captadores Piezo LR Baggs RadianceT hex: 14,15 KOhms, 180 mV

Hardware:
– Ponte: James Tyler custom stoptail
– Tarraxas: Blindadas, precisão 16:1

Controles:
– Volume, Tone, 3-Way Switch
– Controles Master volume, Tone, Guitar Model, Alternate Tuning, e chave 3 posições
– Seletor de modelos de guitarra: Knob rotativo 12 posições. (Função Push selecione entre a captação magnética ou modelação)
– Seletor de afinações alternativas: Knob rotativo 12 posições. Função com mais 3 modelos na chave 3 posições

Conexões:
– Jack de saída padrão 1/4
– VDI digital I/O , 10.5, 10.6

Sistema de Bateria:
– Lithium-Ion battery com carregador externo. 12 horas de funcionamento e tempo de recarga de 6 horas

As opções de instrumentos são:
– Coral/Dano Electric Sitar
– Danelectro 3021
– Dobro Alumilite – 1935
– Epiphone Casino – 1967
– Fender Stratocaster – 1959
– Fender Telecaster – 1968
– Fender Telecaster Custom – 1960
– Fender Telecaster Thinline – 1968
– Gibson ES-175 – 1957
– Gibson ES-335 – 1961
– Gibson Firebird V – 1976
– Gibson J-200 – 1995
– Gibson Les Paul “Goldtop” – 1952
– Gibson Les Paul Custom (3 PU) – 1961
– Gibson Les Paul Junior – 1956
– Gibson Les Paul Special – 1955
– Gibson Les Paul Standard – 1958
– Gibson Mastertone Banjo
– Gibson Super 400 – 1953
– Gretsch 6120 – 1959
– Gretsch Silver Jet – 1956
– Guild F212 1966
– Martin D 12-28 1- 970
– Martin D-28 – 1959
– Martin O-18 – 1967
– National Style 2 “Tricone” – 1928
– Rickenbacker 360 – 1968
– Rickenbacker 360-12 – 1966

As afinações disponíveis:
STANDARD: E A D G B E
– DROP D: D A D G B E
– 1 DOWN: D G C F A D
– 1/2 DOWN: Eb Ab Db Gb Bb Eb
– DROP Db: Db Ab Eb Gb Bb Eb
– DADGAD: D A D G A D
– OPEN D: D A D F# A D
– BLUES G: D G D G B D
– RESO G: G B D G B D
– OPEN A: E A C# E A E
– BARITONE: B E A D F# B


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

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Teste: Gretsch Synchromatic – G1618 Sparkle Jet Gold

GretschSynchromatic

Algumas empresas carregam, em seu nome e seu legado, o peso da responsabilidade de ter ajudado a criar e alterar os rumos da história da música no mundo. Sem a Gretsch, uma das mais antigas fabricantes de instrumentos musicais do planeta, a música hoje, certamente, seria diferente.

Fundada em 1883, no Brooklyn, por um imigrante alemão chamado Friedrich Gretsch, a empresa começou fabricando banjos e baterias.

Friedrich-Gretsch

Em 1916, já era uma das principais fabricantes de instrumentos musicais da América do Norte. A Broadkaster, modelo de baterias lançado em 1935, é o pivô para o surgimento da Fender Telecaster, 15 anos mais tarde.

A linha Synchromatic de guitarras surgiu em 1939, inicialmente como archtop. Em 1998, a Gretsch atualiza o projeto e transfere sua construção para a Coréia.

Existem vários modelos Synchromatic Sparkle Jet, cujos códigos vão de G1615 até G1629, cada um com uma característica específica na pintura ou na construção. O modelo para esse review é o G1618 – Sparkle Jet Gold.

A G1618 é uma guitarra encantadora. Por mais que ela tenha esse visual aparentemente espalhafatoso, bastaram 3 acordes para que eu ficasse completamente envolvido pelo instrumento (e não a vejo mais tão espalhafatosa assim…).

É uma guitarra extremamente leve. Seu corpo, com espessura menor que o padrão, é semissólido, construído com madeira laminada.

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O braço parafusado é de maple, com escala de rosewood e equipado com um tensor de ação simples. Possui scarfjoint e headstock angulado. Os 22 trastes médios são muito bem instalados e as marcações são no formato bolinha, de madrepérola. Não tive nenhum tipo de complicação para executar um ótimo nivelamento de trastes e o esmero na construção do braço me permitiu uma regulagem com ação de cordas baixa e muito macia. O shape em “C” pareceu extremamente anatômico, tamanha a naturalidade com que minha mão envolveu braço, que não é exatamente “magro”, mas bem confortável. A guitarra não é nova e a pestana original possuía algumas rachaduras. Confeccionei uma em osso e, aproveitando a deixa, já corrigi o direcionamento das cordas para as tarraxas.

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A pintura Gold Sparkle merece um parágrafo à parte.

De longe, vemos as partículas de sparkle gerando um brilho diferente por baixo do verniz PU, muito bem aplicado, por sinal.
Mas quando olhamos de perto, nos deparamos com um oceano dourado de brilho caótico, totalmente hipnotizante. A quantidade generosa e o granulado maior do sparkle dão uma sensação de profundidade pouco vista em pinturas deste tipo. Não sei se as fotos transparecerão a ideia que tento passar. Talvez, só vendo pra crer…

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O hardware é todo cromo: tarraxas blindadas e ponte wraparound. Os parafusos na parte posterior da ponte permitem ajuste de oitavas com maior precisão e sem a necessidade de atingir os limites dos parafuso dos saddles.

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A parte elétrica é simples e funcional. Os captadores TV Jones (não originais do modelo) não são desse planeta! Além de ótimos captadores, sua presença na configuração da guitarra refletem a coerência entre sonoridade e visual, além de reforçarem a proposta do instrumento. É a combinação perfeita do visual “glitter rock” com a sonoridade “classic rock”. O ganho moderado dos pickups conduz imediatamente essa guitarra ao território do rock clássico, mas ela também se saiu muito bem no blues e no jazz. Os controles são os mínimos necessários e as intalações não possuem nenhum luxo. Potenciômetros simples e ligações básicas. Como já é de praxe nas guitarras da Gretsch, além dos volumes individuais por captador, existe ainda um volume máster, que fica localizado próximo ao captador do braço.

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Dsc06064Os knobs e os pinos de correia também já se tornaram identidades da Gretsch. São peças de metal, com formatos projetados para acompanhar a vibe visual, misturando o sabor retrô com um certo “futurismo antiquado”, sugerido pela concepção do próprio instrumento.

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Tocar nessa guitarra é algo que dá muito prazer. Tanto pelo conforto que o instrumento proporciona como pelo som que ele produz.

Em certos momentos, encontrei muitas semelhanças com guitarras da Danelectro. Muito provavelmente pelo corpo laminado e semissólido, pelos captadores com sonoridade vintage, e claro, pelo visual totalmente retrô.

A característica sonora da guitarra é uma faixa de frequências médias, natural e constante. O captador da ponte não é agressivo. Ele avança em direção aos agudos, mas as frequências médias “quebram” um pouco aquelas pontadas que, em muitos instrumentos, chegam a soar estridentes demais.

Na posição do braço, os graves não embolam, pois os médios acrescentam brilho e definição, produzindo notas redondas, cheias, porém com formato bem definido.

Com a chave seletora posicionada no meio, os 2 captadores em paralelo geram um timbre anasalado e comprimido, que me fez parar pra pensar em vários LPs de rock clássico e progressivo dos anos 70, de bandas como Jethro Tull, Kansas, The Kinks, Gentle Giant e muitos momentos de George Harrison.

Para um instrumento laminado (o que não considero, de nenhuma forma, algo prejudicial), a guitarra tem um bom sustain e os níveis de ruído são praticamente inexistentes, mesmo com drive.

Plugada no Rotstage CJ50 Plus, a G1618 soou cheia, imponente, com bom ataque e notas bem definidas. O drive, sempre acompanhado com “pitadas” de médios, ocupa bastante espaço, fazendo-me imaginar o “estrago” que essa guitarra faria num power trio. Os acordes saltam cristalinos em qualquer posição do braço e o instrumento possui afinação perfeita.

O volume máster sempre é bem vindo, quando precisamos simplesmente silenciar o instrumento, sem ter que pensar.

A Synchromatic Sparkle Jet Gold é uma guitarra e tanto! Mesmo sendo um instrumento usado, não encontrei nenhum problema que valesse a pena ser citado.

Apaixonante e acessível!

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FICHA TÉCNICA

Modelo: G1618 Sparkle Jet Gold

Corpo:
– 42,5 mm espessura
– Madeira: Hardwood laminado
– Pintura sparcle gold

Braço:
– Parafusado de maple
– Escala de rosewood
– 22 trastes médios
– Scarfjoint
– Tensor ação simples
– Marcação bolinha madrepérola
– Largura: 43 mm na pestana, 56 mm no último traste
– Espessura: 21 mm no traste 1, 24 mm no traste 12
– Raio 14″
– Medida de escala: 24,6″

Elétrica:
– 2 volumes (1 para cada captador)
– 1 volume máster,
– 1 tom máster
– Chave toggle de 3 posições
– Captador Braço: TV Jones Power’tron –  4,97K Ohms, 166 mV
– Captador Ponte: TV Jones Power’tron Plus –  8,49K Ohms, 202 mV

Hardware:
– Ponte wraparound cromo
– Tarraxas 3×3 blindadas cromo


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Teste – Gibson Les Paul Studio Satin Worn Brown

Satin

A Gibson é dessas empresas que a gente gosta, respeita e admira e nem sabe mais o porque, tamanha a importância e a grandiosidade do legado que já nos foi entregue.

Tudo começou em 1896, em Michigan, quando Orville Gibson decidiu fundar a O.H. Gibson Manufacturer Musical Instruments.

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De lá para cá, a empresa se tornou uma máquina de fabricar pedras preciosas, sendo reverenciada mundialmente a cada lançamento e a cada novidade apresentada.

Sempre que empunho uma Gibson Les Paul, tenho certeza de ter nas mãos uma guitarra que foi feita pra mim, independente de quem seja o dono dela…

A Les Paul Studio Satin, também conhecida como Faded Studio, é uma dessas preciosidades. Ela tem tudo o que se espera de uma Gibson, com alguns diferenciais.

O modelo possui corpo de mogno, top de maple, braço colado de mogno e escala de baked maple com 22 trastes médios. O acabamento com verniz fosco pigmentado realça os contrastes das madeiras, proporcionando uma rara beleza ao instrumento. A ausência de frisos, característica do modelo Studio, oferece uma simplicidade visual que torna o instrumento ainda mais belo.

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O corpo é formado de fundo semissólido de mogno, com grandes cavidades internas escavadas, e tampo de maple. Isso torna o instrumento muito mais leve. É possível tocar com essa Studio pendurada no ombro por horas, sem sentir grandes incômodos.

Além disso, a alteração no timbre é enorme!

Os graves cremosos, aos quais estamos acostumados, ganharam mais brilho, mais percussividade e a sonoridade ficou levemente metálica. Em minha opinião, essas mudanças proporcionaram ao instrumento uma identidade marcante, separando-o, do ponto de vista sonoro, do “time” das Les Paul tradicionais (com fundo maciço de mogno). E mesmo lançando mão de grandes mudanças, a Gibson sempre acerta em cheio. O som que essa guitarra produz é lindo!

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Seu braço tem um shape em “C”, extremamente confortável. É uma guitarra fácil de ser tocada, onde até parece que ela colabora ativamente pra isso.

Como já é de praxe, a Gibson fabrica braços em uma só peça de mogno. Não é uma prática muito ecológica, mas enfatiza a beleza do braço, dando um ar de algo artesanal.

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A junção corpo/braço é do tipo short tenon.

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As marcações trapézio em acrílico figurado são cirurgicamente instaladas na bela escala de baked maple.

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Os trastes são igualmente bem instalados, facilitando muito o processo de regulagem. Uma retífica muito leve foi suficiente para conseguir uma ação de cordas de dar inveja. A textura dessa escala me chamou muito a atenção.
O baked maple (na tradução literal: maple assado) é o resultado de um processo conhecido como torrefação, onde o maple é exposto à uma temperatura de 200 graus Celsius, deixando-o com uma aparência similar ao rosewood ou Pau-Ferro.

Clique aqui para mais informações sobre o baked maple.

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Ainda falando sobre texturas, uma das características mais marcantes nessa guitarra é a sensação tátil que ela proporciona.

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Na foto acima, além da linda porosidade do mogno do headstock, vemos a tarraxa Gibson De Luxe niquelada, que faz par com a ponte Tune-O-Matic, feita de Zamac cromado.

A pestana de Corian é precisamente confeccionada e com acabamento impecável.

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Um padrão, de longa data seguido pela Gibson, é o cover do tensor  fixado com 2 parafusos e a porca com o sextavado externo, acessada por meio de uma chave cachimbo.

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A parte elétrica é um sonho! E a Gibson sempre me dá esse presente!

Sem blindagens!

Normalmente, os instrumentos da marca possuem uma plataforma metálica, onde os potenciômetros são fixados para reforçar o aterramento e, assim, diminuir o humming. Atualmente, essa plataforma é uma placa de circuito impresso cuidadosamente confeccionada e sinalizada, que torna a cavidade de elétrica limpa e de compreensão imediata. Funcionalidade, facilidade e objetividade: ideias que só empresas como a Gibson têm a preocupação de colocar em prática.

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Os captadores são 2 PAFs Burstbucker Pro Alnico V.

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A tocabilidade dessa guitarra é absurda.

Consegui uma ação de cordas baixa o suficiente para proporcionar enorme conforto e, ainda assim, manter a sonoridade limpa e com sustain prolongado. Seu braço é bem menos robusto que os braços das Les Paul Custom, por exemplo. A pegada da Satin é mais suave e a mão da escala envolve o braço com tranquilidade, permitindo tocar em várias regiões sem maiores esforços.

Os captadores Burstbucker Pro são de ganho moderado. Isso significa que o som limpo é macio e com baixíssima saturação. Na posição da ponte, o timbre recheado de médios brilha mais, devido ao maple do top. O ataque da palhetada é mais evidente, graças às câmaras internas do corpo semissólido. Aqui, já percebemos características sonoras exclusivas desse modelo. Soou maravilhosa para licks de jazz e acordes fusion. O pot de tom tem funcionamento delicado e preciso, recolhendo frequências agudas específicas, deixando o som da guitarra macio, contido, porém com vida.

Plugada no canal de drive do Rotstage CJ50 PLUS, a guitarra emite um drive redondo e encantador. Nem tão agressivo para um hardcore, nem tão vintage para um clássico setentista. Consegui ótimos timbres para um hard rock na onda de Whitesnake e Kiss. Para sons tipo Van Halen, me pareceu grave demais. Mas nem por isso, ficou ruim…

A posição do braço soa redonda e grande. Licks rápidos nas cordas graves possuem muita massa sonora e transformam a guitarra num rolo compressor!

Aqui está uma guitarra que considero excelente. Na pegada, no visual, na construção e no timbre. O corpo semissólido coloca esse instrumento em, praticamente, qualquer território. Ela fala bem no jazz, no blues e no rock.

Pela combinação de fatores e características e, devido à isso, a consequente versatilidade, posso dizer que não mudaria absolutamente nada e não vejo nenhum ponto negativo nesse instrumento.

Se você tiver uma dessas, guarde! É pra vida toda!


FICHA TÉCNICA

http://www2.gibson.com/Products/Electric-Guitars/Les-Paul/Gibson-USA/Les-Paul-Studio-Satin.aspx

MODELO: LPSTWBCH1

MEDIDA DE ESCALA: 24,75 pol.

CORPO:
– Fundo semissólido de mogno
– Tampo de maple

BRAÇO:
– Colado de mogno
– Espessura: 21 mm no traste 1, 24,5 mm no traste 12
– Largura: 43 mm na pestana, 57 mm no traste 22
– Tensor: barra simples, ação simples

ESCALA:
– Baked maple com 22 trastes médios
– Raio de escala: 12 pol.
– Marcações trapézio em acrílico figurado

ELÉTRICA:
– 2 potênciometros de volume de 300K
– 2 potenciômetros de tom de 500K
– Chave toggle de 3 posições
– Captador braço:  Gibson Burstbucker Pro Alnico V Humbucker – 7,6 K Ohms, 293 mV
– Captador ponte: Gibson Burstbucker Pro Alnico V Humbucker – 7,97 K Ohms, 330mV

TARRAXAS:
– Gibson Vintage Style niquel, ratio 14:1

PONTE:
– Tune-O-Matic em Zamak cromo


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – Amplificadores valvulados.

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Teste – Epiphone Les Paul Bullseye Zakk Wylde Signature

AI_SplashA primeira imagem de guitarra que tenho registrada na memória é de uma Les Paul, empunhada por Ace Frehley. E como acredito que as descobertas influenciam nossa vidas, posso dizer que, por isso, me considero um “lespaulzeiro”.

Paul "Ace" FrehleyA partir daí, todas as Les Paul passaram a chamar minha atenção.

Hoje, depois de 12 anos de luthieria e alguns milhares de instrumentos passados pela minha bancada, admito que minhas referências se expandiram bastante. Mas a visão de uma Les Paul ainda me causa uma comichão ali, entre o coração e o pulmão, e uma certa “malemolência”.

E foi exatamente isso que senti quando essa signature do Zakk Wylde deu entrada na minha oficina.

Inicialmente, o fato de não ser uma Gibson não significou absolutamente nada, pois sua imagem impõe muito respeito. Definitivamente, é um instrumento muito bonito e robusto, digno de “cabra macho”!

Instintivamente, comecei minha viagem insólita, desmontando, medindo, esmiuçando e desvendando os segredos.

Segundo Tony Bacon, no livro “The Les Paul Guitar Book”, Zakk se inspirou na identidade que Randy Rhoads criou com sua guitarra e decidiu trilhar o mesmo caminho. Apresentou à Gibson uma guitarra que tinha um desenho feito por um amigo. Era um espiral, como no filme “Um corpo que cai”, de Hitchcock. Mas Zakk acabou recebendo o alvo, ou a Bullseye.

Vertigo

Ainda segundo Bacon, a Bullseye foi lançada no mercado no ano de 1999.

Somente após 25 anos de parceria, a empresa se redmiu e lançou o modelo Vertigo. Na edição 220 da revista Guitar Player brasileira, Zakk conta mais detalhes.

A Bullseye deste teste é uma Epiphone, com corpo de mogno, braço de maple e escala de rosewood.

As tarraxas douradas são da marca Grover. A ponte, também dourada, é um modelo Locktone Tune-O-matic/Stopbar System, desenvolvido pela Epiphone.

O visual da guitarra é intimidador e exala muita autoridade. Repousada em minha bancada, pude ouvi-la me advertindo: “Ei, somente toque em mim se souber exatamente o que está fazendo”.

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O acabamento com verniz brilhante no top escavado gera um efeito bonito na pintura Bullseye, dependendo do ângulo que se olha. Essa versão da guitarra utilizou o creme intercalado com o preto, que dá um sabor vintage ao instrumento, diferente da Bullseye branco e preto, que tem um charme retrô.

O creme também está presente na parte traseira do corpo e do headstock. Atrás do headstock, está impressa a silhueta de Zakk, que já se tornou uma das identidades de seus instrumentos.

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O cover do tensor é de metal dourado, com o nome de Zakk grafado, o que, junto com o friso de 5 camadas (3 brancas e 2 pretas) no corpo e no headstock, normalmente presente nas Les Paul Custom da Gibson e Epiphone, dá um toque clássico ao instrumento.

Dsc05813A parte de trás do braço é apenas selada, deixando aparente o maple e oferecendo maciez ao toque da mão.

Seu shape é um “C” gordo, exigindo uma senhora pegada da mão da escala. Não me senti à vontade para frases shredders, com 3 notas por corda.

Não sei se estava sob influência da imagem de Zakk, mas as velhas pentas, com 2 notas por corda, saltaram mais redondas desse braço rechonchudo.

Diferente da versão da Gibson, que tem corpo de mogno e top de maple, o corpo e o top da Epiphone Bullseye são de mogno.

Encontrei pequenas imperfeições na instalação dos trastes jumbo, onde uns estavam levemente mais altos que outros.

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Isso exigiu um leve nivelamento de trastes, para garantir uma ação de cordas extremamente confortável e sem trastejamentos, para o jogo de cordas Elixir 010 utilizado. Na minha opinião, dadas as características do instrumento, um jogo de 011 cairia como uma luva…

Dsc05818Os captadores são EMG 81 na ponte e EMG 85 no braço. São pickups de extrema força e punch, ideais para metal e hardrock.

Só para termos uma ideia, o Seymour Duncan Invader, que é um dos captadores passivos mais fortes que conheço, possui 425 mV de saída. Eu anotei picos de 511 mV no EMG 81, na ponte.

Mesmo estando no canal limpo do amp, qualquer RÉ maior “cruncha” com estes captadores. São peças construídas para trabalhar melhor com overdrive e distorção.

A bateria de 9 volts fica acomodada numa caixa inteligentemente localizada na tampa da parte elétrica, acessada externamente, sem a necessidade de abrir a tampa da cavidade para efetuar a troca da bateria.

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Falando de parte elétrica, aqui vai meu único ponto negativo para o instrumento. A instalação elétrica poderia ser feita com mais capricho.

O instrumento em questão chegou em minha oficina com o captador da ponte falhando. Depois de muito trabalho rastreando problema, descobri 2 origens:

1- O fio do captador da ponte tinha um curto no ponto de solda do terra no potenciômetro de volume. Em outras palavras, quando foi feita a solda do terra do EMG 81 no potenciômetro de volume, o fio derreteu, permitindo o contato entre o positivo e o negativo.

2- A cavidade da parte elétrica é revestida com tinta condutiva. Além da falta de qualidade na aplicação da tinta condutiva, uma falha de instalação permitiu que um dos terminais do potenciômetro de volume encostasse na tinta condutiva, gerando um aterramento no sinal do captador da ponte.

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No meu entendimento, um instrumento com esta importância não deveria ter sua cavidade de elétrica revestida com material condutivo, assim como as Gibson não tem. Quando o instrumento recebe esse revestimento na fábrica, a falta de cuidado durante a instalação dos componentes é muito comum, gerando esse tipo de problema. Terminais de pontenciômetros encostando na superfície condutiva da cavidade é algo muito frequente.

Os componentes são de origem desconhecida e qualidade duvidosa. Novamente, diante da importância deste instrumento, os potenciômetros deveriam ser, no mínimo, um kit de CTS, para garantir a qualidade e longevidade da parte elétrica.

Quanto aos problemas encontrados, refiz a ligação elétrica e posicionei uma pequena tira de fita isolante logo abaixo dos potênciometros, isolando seus terminais da tinta condutiva.

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Pude notar, também, pequenas falhas na pintura e no verniz.

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No entanto, quero deixar bem claro que isso não diminui sua fucionalidade. Apesar destes pequenos deslizes, a guitarra continua sendo um instrumento e tanto.

Plugada no Rotstage CJ50 Plus, a guitara soa como uma fera enjaulada em busca de liberdade. Os captadores respondem muitíssimo bem ao overdrive do amp, com graves encorpados e firmes, que em nenhum momento embolaram ou perderam definição. Mesmo as notas mais agudas, executadas no final do braço, soaram com muita convicção. Não espere nada magro ou estridente. Tudo o que esse instrumento produziu soou gordo, encorpado, nítido e com um sustain absurdo!

Impossível tocar nessa guitarra e não tentar os harmônicos artificiais na sexta corda. Não consegui chegar perto da perfeição de Zakk, mas pude reproduzir algumas coisas bem legais. O EMG 81 é perfeito para esse tipo de harmônico!

No canal limpo do amp, a guitarra soou agressiva, com as notas batendo na cara de quem estivesse perto.

Com a chave seletora no meio, ligando os 2 captadores em paralelo, obtive um timbre mais percussivo e comprimido, ótimo para som limpo e palhetada híbrida (chicken pickin), que o próprio Zakk executa tão bem.

No geral, é um excelente instrumento. Após alguns poucos ajustes, a guitarra se amplia e transcende o conceito de bom instrumento. Com um pouco de hábito, a Les Paul Bullseye Zakk Wylde signature pode se transformar no instrumento principal de qualquer gig de rock.

 

Ficha técnica:

Corpo: mogno

Braço: colado, de maple com 22 trastes

  • Espessura: 23 mm no traste 1 e 26 mm no traste 12
  • Largura: 43 mm na pestana e 58 mm no traste 22

Escala: Rosewood com marcação trapezoidal de madrepérola

Ponte: Locktone Tune-O-matic/Stopbar System by Epiphone

Tarraxas: Grover – ratio 16:1

Medida de escala: 24,75 polegadas

Raio de escala: 12 polegadas

Captadores ativos:

  • EMG 81 na ponte com 16,7 K Ohms de resistência e picos de 511 mV
  • EMG 85 no braço com 17,2 K Ohms de resostência e picos de 388 mV

Controles: 1 volume e um tom para cada captador

Chave seletora: toggle, de 3 posições.


Este teste foi realizado com o apoio da Rotstage – amplificadores valvulados.

Visite o site. Vale a pena!

www.rotstage.com